“Sofri muito bullying na infância”, diz capixaba eleita Miss Supranational Brasil
A capixaba Lara Marina, eleita Miss Supranational Brasil 2026, conta que transformou as críticas em autoconfiança
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“Sofri muito bullying na infância por ser magra e alta”. A declaração resume parte da trajetória da capixaba Lara Marina, 19 anos, eleita Miss Supranational Brasil 2026. Ela representará o País na etapa mundial do concurso, em julho, na Polônia.
Natural de Afonso Cláudio, na região Serrana do Espírito Santo, a jovem mede 1,85 metro, pesa 58 quilos e revela que seu prato preferido é salada. Segundo ela, as críticas recebidas na infância se transformaram em combustível para alcançar a coroa nacional.
O título foi conquistado no último sábado (7), em Pernambuco, resultado que mantém o Espírito Santo pelo segundo ano consecutivo no topo da disputa. A faixa foi entregue pela também capixaba Eduarda Braum, vencedora da edição internacional em 2025.
Em entrevista à reportagem de A Tribuna, Lara contou que as experiências vividas ainda na escola foram decisivas para a construção da própria identidade e da autoconfiança demonstrada nas passarelas.
“Precisei aprender cedo a lidar com olhares e comentários que machucavam. Muitas vezes quis me esconder para não chamar atenção pela altura”, afirma.
Com o passar do tempo, diz ter compreendido que a característica que motivava críticas poderia se tornar diferencial. “Quando entendi que ser alta e magra não era defeito, mas parte de quem sou, tudo mudou”.
A modelo ressaltou ainda a importância do apoio familiar durante o processo. “Minha família sempre lembrava que eu não precisava me diminuir para caber na expectativa de ninguém”.
A entrada no universo dos concursos ocorreu há menos de um ano, com a eleição para Miss Afonso Cláudio. Em seguida, alcançou o segundo lugar no Miss Universe Espírito Santo. Atualmente, ela cursa Publicidade e Propaganda.
“Foi por meio dos concursos que consegui ressignificar minha jornada. Encontrei minha melhor versão, e hoje estar no concurso é a materialização de um sonho”.
Charles Souza, coordenador estadual do Miss Supra ES, comemora o resultado. “Vencemos o Miss Supra Brasil pela segunda vez consecutiva. Sou grato a todos os patrocinadores e profissionais que fazem parte da equipe Miss Espírito Santo. Lara Marina é um acontecimento histórico, ela terá um futuro brilhante pela frente”.
"Entendi que o padrão não é regra absoluta"
A Tribuna — O que a conquista mudou em você?
Lara Marina — Mudou a responsabilidade. O título amplia a visibilidade, mas também o compromisso com a mensagem que eu quero levar.
Qual foi o momento mais difícil da trajetória?
A fase da adolescência. Eu ainda não entendia minha própria imagem e lidava com críticas constantes. Foi um período de construção interna.
Em que ponto você percebeu que a altura, antes motivo de bullying, virou diferencial?
Quando passei a me enxergar com mais maturidade. Entendi que padrão não é regra absoluta. A partir daí, transformei insegurança em postura.
O que representa carregar a faixa depois de outra capixaba ter vencido o concurso internacional?
Representa continuidade. O Espírito Santo mostrou força no cenário nacional e internacional. Quero honrar esse caminho.
Como tem se preparado para a etapa mundial na Polônia?
Com disciplina. Intensifiquei aulas de passarela, oratória e preparo físico. Estudo temas sociais para ter posicionamento consistente.
Qual causa social você pretende defender com mais ênfase durante o reinado?
Quero trabalhar autoestima e saúde emocional de adolescentes, especialmente meninas que enfrentam bullying e pressão estética.
O que a Lara de hoje diria para a adolescente que sofria críticas na escola?
Diria para ela não diminuir a própria luz para caber no olhar dos outros.
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