O que é ser líder para as mulheres em 2026?
Elas assumem cargos de liderança no Estado, usando habilidades como diálogo e firmeza, apesar dos desafios
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Elas estão no comando de tribunais, batalhões, empresas e órgãos públicos. Em espaços antes dominados por homens, as mulheres assumem cargos de liderança no Estado, usando habilidades como diálogo, sensibilidade e firmeza, apesar dos desafios.
A coronel da Polícia Militar do Espírito Santo Emília Alves, por exemplo, é uma das poucas mulheres a receber essa patente, além de ser a primeira à frente do 3º Comando de Policiamento Ostensivo Regional (CPOR).
Hoje, depois de mais de 30 anos de dedicação à corporação, ela é responsável por liderar cerca de mil policiais na região Sul. Mas segundo a coronel, no início da carreira, ela precisou quebrar algumas barreiras.
“Havia uma certa resistência em me chamarem de senhora ou de aceitar o comando de uma mulher. Eu e outras colegas precisamos adotar uma postura muito firme para marcar nosso espaço”, ressalta.
Para ela, ter mulheres em posição de destaque no meio militar é algo histórico e encorajador, já que era algo inimaginável no passado.
“O fato de estarmos nesses espaços, mesmo que ainda em número menor, é muito representativo. Nós podemos ser as vozes de outras mulheres”.
Outro marco recente foi a eleição da primeira mulher presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Espírito Santo (OAB-ES), a advogada Erica Neves. Ela diz que a presença feminina na liderança diversifica o debate.
“Quando ampliamos a mesa, ampliamos a visão. Mulheres tendem a trazer uma escuta mais ativa e uma percepção sensível aos impactos sociais das decisões”.
E para isso, ela afirma que ainda precisam haver mudanças. “Precisamos mudar a cultura, para que liderança feminina deixe de ser vista como exceção e passe a ser algo natural”.
Mas esse processo ainda tem muitos desafios, como lembra a procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES), Janine Milbratz Fiorot. Ela conta que, diversas vezes, teve sua capacidade questionada por ser mulher.
“Especialmente quando comecei a carreira ainda com 26 anos, percebia que muitos duvidavam da minha capacidade em lidar com questões complexas. E ainda vemos isso na sociedade diariamente”.
Por isso, ela diz que se empenha em combater esse tipo de discriminação em diversos ambientes.
“É até muito representativo ter uma mulher como procuradora-chefe do MPT, porque um dos focos da nossa atuação é justamente a busca pela igualdade nas relações de trabalho e pelo acesso igualitário aos cargos de chefia e liderança”
Responsabilidades
Para a presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região, desembargadora Alzenir Bollesi de Plá Loeffler, ser líder significa assumir responsabilidades sem fugir dos desafios.
“No caso das mulheres, ocupar esses espaços representa uma forma de abrir caminhos e mostrar que podemos e devemos participar das decisões”.
Conquista coletiva
A desembargadora Janete Vargas é a primeira mulher eleita presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) em mais de 130 anos. Para ela, essa é uma conquista coletiva.
“Espero que essa conquista inspire jovens e outras mulheres a acreditarem que é possível ocupar todos os espaços na sociedade”.
Valorização
Pela primeira vez, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) elegeu uma reitora, a professora Adriana Pionttkovsky Barcellos. Ela diz que uma de suas metas é valorizar as servidoras do Ifes.
“Uma instituição centenária como o Ifes nunca tinha visto uma candidata à reitoria. Quero mostrar que também podemos ocupar esse espaço”.
Mulheres em cargos de liderança
Janine Milbratz Fiorot, Procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo
“As características muitas vezes associadas ao feminino, como empatia, capacidade de escuta e acolhimento, têm sido cada vez mais valorizadas nas instituições. A mulher, enquanto líder, tende a levar essas características de forma mais acentuada. Acredito que isso contribui para melhorar o ambiente de trabalho e as relações institucionais”.
Erica Neves, Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Espírito Santo
“Eu espero ver cada vez mais mulheres ocupando cadeiras de decisão no Espírito Santo e no Brasil. O machismo muitas vezes não se apresenta em frases diretas, mas em olhares, interrupções, tentativas de deslegitimar autoridade. Por isso, precisamos de coragem. E coragem não é ausência de medo, é decisão apesar dele”.
Emília Alves, Coronel da Polícia Militar do Espírito Santo
“Quando outras mulheres nos veem ocupando cargos de comando e de alta chefia no dia a dia, elas percebem que também são capazes de chegar lá. E isso é extremamente positivo. Isso dá visibilidade e ajuda a quebrar paradigmas. Hoje nós estamos nesses cargos também com o papel de consolidar esse espaço e encorajar outras mulheres a seguirem o mesmo caminho”.
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