Mulheres com mais de 60 anos dão show no balé e na dança flamenca
Mulheres com mais de 60 anos buscam a dança para elevar a autoestima, ocupar a mente e ainda fazer boas amizades
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A dança tem mostrado, cada vez mais, que não existe “prazo de validade” para sonhar, aprender ou se movimentar. Na terceira idade, o corpo ganha novos significados, e os passos se transformam em ferramentas de saúde, bem-estar e felicidade. Para quem dança, parar simplesmente não é uma opção.
É o que prova Cecília Hermeto, professora e bailarina profissional, referência quando o assunto é longevidade na dança. Aos 74 anos, ela segue ativa, ensinando, aprendendo e encantando. “Sou professora de balé clássico há 50 anos. Comecei o balé aos 5 anos de idade e continuo até hoje”, conta.
Mineira, Cecília foi primeira bailarina do Teatro Palácio das Artes, formou-se no Royal Ballet de Londres e construiu uma vida inteira dedicada à arte. Hoje, ministra aulas na Reverence Studio de Dança, em Jardim da Penha, onde também é aluna de dança flamenca e contemporânea.
“Balé é a minha vida. Me dediquei a vida toda e amo o que faço. Tenho 74 anos e não tenho data para parar”. Ela atribui à dança a vitalidade que carrega com orgulho: “Tenho uma vitalidade fora do normal”.
Inspirada por essa energia, a aposentada Lucia Helena Ferreira, de 65 anos, encontrou na dança a realização de um sonho antigo. “Sempre quis fazer balé quando criança e adolescente, mas na época era difícil e oneroso”, relembra.
Ao se aposentar, surgiu a oportunidade de iniciar o balé pop no Studio Reverence, perto de casa. O acolhimento foi imediato e, ao completar 60 anos, veio o convite que mudaria sua trajetória: integrar uma turma de balé clássico iniciante adulto, aberta por Cecília.
“Achei quase impossível conseguir levar em frente, mas ela sempre me estimulou, acreditando no potencial. E aqui estamos até hoje, com muita alegria e perseverança”.
Para Lucia, dançar é mais do que movimento: é vida. “Dançar me traz alegria, amizades maravilhosas e crescimento pessoal. A dança faz parte da minha vida e mudou tudo para melhor. Depois de uma certa idade, a gente precisa de algo que nos dê vontade de viver coisas novas”.
A dança prova que o tempo pode ser aliado e reafirma que nunca é tarde para subir ao palco da própria vida, destaca.
Os benefícios
Bem-estar e autoconhecimento: A dança ajuda a se reconectar com o próprio corpo, entender melhor as fases e ciclos, além de desenvolver consciência corporal.
Melhora da coordenação motora: O corpo responde melhor aos estímulos, há ganho de controle dos movimentos e mais segurança para executar as atividades.
Elevação da autoestima: A dança favorece a aceitação do próprio corpo e da própria idade, fortalecendo a autoconfiança e a percepção positiva de si mesmas.
Ocupação da mente: As aulas funcionam como um estímulo mental constante, ajudando a manter a mente ativa e engajada.
Socialização e criação de vínculos: A dança promove convivência, novas amizades e laços afetivos, combatendo o isolamento social.
Estímulo à memória e ao cérebro: A memorização de coreografias e a noção espacial estimulam o cérebro e contribuem para a criação de novas conexões neurais.
Aprendizado contínuo: Aprender algo novo traz sensação de propósito, desafio e crescimento pessoal, reforçando a ideia de que nunca é tarde para começar.
Elas também são apaixonadas pela dança
“Efeito terapêutico na vida”
A aposentada Fabíola Souza Cardoso, hoje com 60 anos, começou a fazer balé com sete anos. Dois anos antes de engravidar, porém, ela parou de dançar para se dedicar ao tratamento de fertilização. Ela foi mãe de trigêmeos. A menina partiu logo que nasceu, e os meninos estão com 19 anos.
“Dezesseis anos depois voltei para as aulas de balé. Costumo brincar dizendo que aposentei para voltar a dançar”, relata.
“A dança sempre esteve em mim e voltar a praticar aulas de jazz e balé clássico me fez renascer como uma Fênix. Hoje, não me imagino longe da dança, que causa esse efeito tão terapêutico na minha vida”, finaliza.
Dança do ventre para mulheres com mais de 60
Ana Georgina Barbosa de Oliveira, de 67 anos, dona de casa; Giane Rodrigues Moitim, bancária, de 60; Denise Viscaino da Silva Figueiredo, professora de inglês, de 62; e Sônia Maria Folly Anadrade, de 80, aposentada, fazem dança do ventre no Centro de Dança Natália Piassi.
Natália Piassi, proprietária e uma das professoras do centro de dança, conta que Sônia é sua avó. “Ela chegou sem muita coordenação motora e hoje tem muito mais consciência corporal. O corpo dela responde melhor, e isso é muito claro para mim”, relata.
Denise Viscaino conta que a dança sempre esteve presente em sua vida. “A dança é algo que me tira do dia a dia, me dá paz e tranquilidade. É algo que faz com que a mente fique mais leve. Me traz felicidade”.
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