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Carnaval e cidade: o espaço público não é privilégio é direito

Mais que festa, o Carnaval é direito cultural, motor econômico e expressão do direito à cidade

KÁRITA DE SOUZA NUNES | 18/02/2026, 12:17 h | Atualizado em 18/02/2026, 12:17
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          Imagem ilustrativa da imagem Carnaval e cidade: o espaço público não é privilégio é direito
KÁRITA DE SOUZA NUNES é arquiteta e urbanista, membro da Comissão de Patrimônio do CAU/ES |  Foto: Divulgação

Da paixão à aversão, do encantamento ao incômodo, o Carnaval, como toda manifestação cultural de grande escala, desperta emoções conflitantes. É um evento que altera a rotina da cidade; trânsito, barulho e lixo fazem parte do debate e não devem ser ignorados.

Essas questões precisam ser enfrentadas sem que críticas legítimas se convertam em preconceitos ou em tentativas de restringir o uso dos espaços coletivos como lugares de encontro e celebração da cultura popular, afinal, o Carnaval é protegido pela Constituição brasileira (Art. 216) e reconhecido nacional e internacionalmente como patrimônio cultural, o que reforça seu papel político na construção da memória coletiva e da identidade local.

Pensar o Carnaval implica, necessariamente, pensar a cidade. Nesse contexto, entre os profissionais envolvidos, os arquitetos urbanistas estão não apenas associados à estética das estruturas cênicas que vemos passar, mas também encarregados de planejar como será a cidade provisória, que se sobrepõe à cidade cotidiana.

Os circuitos de blocos, as áreas de concentração e dispersão, o dimensionamento das vias, os fluxos de pedestres e serviços, bem como a transição entre usos festivos e funções essenciais, como emergências, acesso a hospitais e sistemas de transporte, fazem parte desse planejamento. Esses elementos revelam que o Carnaval exige uma leitura urbana complexa, que vai muito além da estética e do evento em si.

Ocupar o espaço público dessa maneira revela possibilidades de convivência e limites estruturais do planejamento urbano. Por isso, falar de Carnaval é também falar de mobilidade, acessibilidade, infraestrutura, gestão e direito à cidade. O ato de ‘Botar Meu Bloco Na Rua’, como canta o cachoeirense Sérgio Sampaio, sempre foi mais do que celebrar: é um gesto político.

Ocupar as ruas constitui um exercício de liberdade e expressão coletiva diante de tentativas históricas e recorrentes de silenciamento. Assim como as lutas urbanas, o Carnaval é breve no tempo, mas persistente em seus efeitos sobre os modos de habitar e reconhecer a cidade.

É um período relativamente curto de festa, mas que movimenta o comércio e aumenta o turismo de forma significativa, evidenciando a cultura como vetor de desenvolvimento territorial e econômico na metrópole capixaba e em outras paisagens afetivas, como aquelas presentes tanto no interior quanto nos municípios litorâneos da costa do Espírito Santo. Além de movimentar milhões de reais, o Carnaval gera mais de seis mil postos de trabalho diretos e indiretos no Estado.

Essa diferente forma de vivenciar a cidade, seja no Sambão do Povo de Vitória ou nas ruas onde as celebrações acontecem, concentra histórias, afetos e significados compartilhados, consolidando essas paisagens como lugares vividos e lembrados.

Que a festa siga ocupando as ruas com alegria, cuidado e consciência de que a cidade é de todos. Viva o Carnaval!

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