A polícia dos capitães
Carlos Magno marcou uma era de modernização e rupturas na Polícia Militar do Espírito Santo
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Um homem marcou, nas últimas décadas, o Comando-Geral da Polícia Militar do Espírito Santo: o coronel Carlos Magno da Paz Nogueira. Foi o primeiro intelectual a estruturar, de forma consciente ou não, os pilares de um novo ciclo para a polícia capixaba, no contexto inaugurado pela Constituição de 1988.
Com quase duzentos anos de existência, a Polícia Militar sempre conviveu, desde os relatórios dos presidentes da Província no período imperial, com severas limitações de infraestrutura para o exercício de seus nobres e indispensáveis serviços à sociedade. Tal realidade obrigou a Corporação a recorrer, historicamente, a esforços não estatais para se manter e se consolidar institucionalmente.
Somente em abril de 2010, na cidade de Mimoso do Sul, após exatos 165 anos de existência, a Polícia Militar teve o primeiro quartel devidamente escriturado em cartório, marco histórico na regularização patrimonial da Corporação de Ortiz. O feito resultou da atuação da Comissão Permanente de Regularização de Imóveis, criada no âmbito do Plano Diretor de Logística de 2009.
Foi sob a liderança do coronel Carlos Magno que a Corporação passou a enxergar o futuro, rompendo com o paradigma da mesmice administrativa e organizacional. Durante seu comando, ainda que de forma embrionária para a época, foram adotadas as primeiras ações de planejamento estratégico prospectivo, por meio do P3M – A Polícia Militar rumo ao 3º Milênio, documento disruptivo, concebido nas terras do Caparaó, pela coragem e ousadia da temática que o estruturou.
Carlos Magno quebrou paradigmas e foi o único comandante recente a gozar de confiança manifesta nos diversos círculos hierárquicos da Instituição. Como secretário-chefe da Casa Militar, foi um dos mentores e protagonistas do processo que culminaria na emancipação do Corpo de Bombeiros Militar. Atuou como dedicado apoiador do Programa de Polícia Interativa, nascido em Guaçuí.
Também sob sua liderança surgiu a expressão “polícia dos capitães”. Demonstrando notável sapiência, identificou, estimulou e agregou jovens oficiais comprometidos com a democracia, a comunitarização, a cientificidade e o aprimoramento intelectual. Inaugurava-se, assim, uma nova era institucional, reunindo homens e mulheres, oficiais e praças em torno de uma visão mais reflexiva e prospectiva da atividade policial.
As resistências não tardaram. Velhos chavões reapareceram: quebra da hierarquia e da disciplina, capitães não devem pensar, isso vai acabar mal. Ainda assim, Carlos Magno sustentou o movimento. Sem ele, é plausível supor que a Polícia Militar ainda estivesse presa a padrões culturais da década de 1960 e que o Corpo de Bombeiros Militar sequer tivesse alcançado sua emancipação.
Pretendo continuar registrando essa fase rica e produtiva da história da Polícia Militar, relatando, de forma cronológica, as transformações que permitiram à PMES alcançar, de maneira pioneira, o reconhecimento nacional como bicampeã brasileira de Polícia Interativa. Sem conhecer o passado, no presente, não há como pensar o futuro.
Carlos Magno não foi unanimidade. Mas que foi diferente, isso é indubitável.
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