A nova xícara do Brasil: qualidade, origem e rotina
O consumo não muda só em volume, muda em exigência
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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A mudança mais visível no café não está nas manchetes; está no carrinho e na xícara. Cresce o espaço para grãos e moagens melhores no varejo, e se multiplicam cafeterias de nicho. Mesmo com preços pressionados, seguimos consumindo e refinando a escolha.
Pelos indicadores mais recentes da ABIC, o mercado interno passou de 21,9 milhões de sacas em 2024 para 21,4 milhões em 2025, uma queda de 2,31% em volume. Ao mesmo tempo, o faturamento do mercado interno subiu de R$ 36,82 bilhões para R$ 46,24 bilhões, alta de 25,60%. Do lado de cá, isso reorganiza a cadeia. Para nós, um bom café virou um pequeno upgrade do cotidiano. Para cafeterias e torrefações, a disputa passa a ser de consistência e transparência, não só de novidade.
Para nós, produtores, abre-se prêmio quando há padrão, entrega regular e origem clara. Vivemos a era da rastreabilidade, e os números da ABIC ajudam a explicar o porquê: o consumo oscila, mas o valor movimentado cresce, e a régua da qualidade sobe junto. O que pouco se enxerga é que essa “premiumização” nasce também do aperto. Quando o orçamento fica curto, cortamos excessos e preservamos nossos rituais.
Um estudo da Deloitte aponta que a inflação de 2021 a 2023 estimulou mais preparo em casa e que o consumo dos mais jovens se expressa em formatos diferentes, com conveniência e bebidas mais combinadas. O caminho do especial, portanto, começa no supermercado e amadurece na cafeteria. Nosso ponto central é simples: não se vende café caro, entrega-se confiança. Confiança de sabor agradável, de processo bem feito, de história verificável.
No Espírito Santo, essa virada tem endereço e deve ser lida como sistema. O Incaper aponta o Estado como responsável por cerca de 70% do conilon do país, com 286 mil hectares e 49 mil propriedades em 68 municípios. Além disso, em 2025, os cafés capixabas ficaram com 11 das 15 colocações no Coffee of the Year. Isso não nasce do acaso. Nasce de colheita no ponto, separação, secagem e armazenagem sem atalhos, prova e classificação constantes, além da rastreabilidade que permita ao comprador pagar pelo que recebe.
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Isso é um caminho público-privado, com cooperativas, armazéns, exportadores, torrefações e cafeterias ajudando a puxar padrão, assistência, demanda e remuneração quando a entrega é consistente. Ao produtor, o recado é claro: ter bons cafés virou proteção. Para 2026, com mercado seletivo e custo ainda sensível, o diferencial não será apenas produzir; será entregar lote limpo, estável e bem apresentado, pronto para repetição.
Quem tratar qualidade como rotina agora, com pós-colheita organizado e metas claras de padrão, entra na próxima safra com mais opções de venda e menos dependência do preço do dia. O horizonte é de disciplina, não de modismo. Quem organizar a qualidade do campo à xícara vai atravessar ciclos de preço com mais estabilidade e vai transformar volume em reputação.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães