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Turismo de experiência: o dinheiro que fica no campo

O que o mercado ainda não está lendo direito é que turismo de experiência não é só mais uma onda, é um canal de venda e de reputação para o agro

Matheus e Marcus Magalhães | 09/02/2026, 10:06 h | Atualizado em 09/02/2026, 10:06
VOZ DO CAFÉ

Marcus e Matheus Magalhães

Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro



          Imagem ilustrativa da imagem Turismo de experiência: o dinheiro que fica no campo
Marcus e Matheus Magalhães são analistas de mercado agro |  Foto: A Tribuna

O sinal do mundo real está na procura por programas que cabem no fim de semana: comida “caseira”, conversa com quem produz, trilha curta, café recém-torrado, um queijo curado com carinho, uma casa de cultura aberta, um dia de campo que vira passeio.

Em 2025, o turismo capixaba cresceu 9,2%, segundo a Setur, e o Aeroporto de Vitória fechou o ano com mais de 3,5 milhões de passageiros, recorde histórico.

Quando o visitante sobe a serra e entra numa propriedade, o impacto não fica na selfie. Ele aparece no que sustenta o interior. Estradas melhores, sinalização, pequenos serviços, agroindústria familiar, cafeteria, pousada, guia, artesanato.

É o tipo de dinheiro que se espalha. A RuralturES de 2025, por exemplo, recebeu mais de 27 mil pessoas e gerou cerca de R$ 4,5 milhões somando experiências, vendas e consumo no local, mostrando que existe demanda por esse formato.

O que o mercado ainda não está lendo direito é que turismo de experiência não é só mais uma onda, é um canal de venda e de reputação para o agro.

Quando uma rota se organiza, a propriedade melhora o padrão, narrativa, embalagem, atendimento e precificação.

Isso eleva o produto mesmo para quem não vive de receber turista. Rotas de cafés especiais no Caparaó e em toda região das montanhas capixabas ajudam a entender: o café deixa de ser só commodity e ganha ainda mais valor, história e apreciação.

Acreditamos que quando nós levamos o consumo para dentro do território, nós fortalecemos o homem no campo sem pedir que o campo vire cidade. Projetos como o Vines, do Sebrae-ES e parceiros, apontam o mesmo caminho ao conectar produção, técnica e visitação, puxando o restante da cadeia.

Quando a propriedade abre para visita, degustação e venda direta, ela precisa ajustar pontos como padrão, higiene, apresentação do produto, sinalização e atendimento.

O vinho vira a porta de entrada, mas o efeito é maior.

Ele puxa gastronomia, hospedagem, artesanato e serviços locais, coloca a região no mapa do consumidor urbano e ajuda a dar previsibilidade de renda sem tirar a autenticidade do campo.

As implicações práticas são claras. Nós ganhamos oportunidade de renda complementar, de marca própria e de sucessão no interior, ao passo que aumenta nossa responsabilidade. Sem governança, rota vira lista solta; sem qualidade, experiência vira promessa.

Ainda temos “terra” pra crescer

Aqui entra o papel de organização e investimento: o Plano de Marketing Turístico 2026–2030 estima R$ 26 milhões anuais para promoção e desenvolvimento do turismo no Estado, sinal de que o tema entrou na agenda.

No horizonte à frente, nós enxergamos uma tendência que conversa com a vida real: mais gente querendo desacelerar, valorizar tradição e trocar o excesso dos grades centros por vínculo afetivos no campo.

Se nós fizermos o básico bem-feito, acesso, calendário, atendimento, segurança e autenticidade, o interior capixaba não trava em moda passageira. Ele vira destino recorrente, com economia mais distribuída e orgulho mais sólido de quem permanece no campo.

Marcus e Matheus Magalhães são analistas de mercado agro.

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