Diplomacia econômica: a nova estratégia do agro
Quando olhamos o comércio exterior, percebemos que ele deixou de ser só preço, frete e câmbio. Ele virou confiança
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
O mundo não está fechando portas; ele está mudando as chaves. Quando olhamos o comércio exterior, percebemos que ele deixou de ser só preço, frete e câmbio. Ele virou confiança. Um exemplo prático é o mercado europeu, que se mede com regra, origem e reputação.
Não basta produzir bem. Precisamos provar que produzimos bem, de forma consistente, com documentação e padrão que resistam a auditoria, a cobrança do cliente e a mudanças políticas.
Do lado de cá, isso chega para toda a cadeia
No Espírito Santo, as exigências europeias já não são tema abstrato: o valor das exportações de café para a UE triplicou em 2024, de US$ 260,1 milhões para US$ 852,6 milhões. E o agro capixaba fechou 2025 com US$ 3,21 bilhões exportados, com o café e derivados puxando a pauta.
Isso é renda no interior, giro no comércio, demanda por transporte, porto, armazém, seguro e financiamento. Quando exportamos, o efeito não fica só na fazenda; ele se espalha pela economia.
Por outro lado, é preciso reconhecer que manter mercados é tão estratégico quanto abrir novas fronteiras. E permanecer exige algo decisivo: relacionamento contínuo e previsibilidade. É nesse ponto que a diplomacia econômica deixa de ser só cerimônia e passa a operar como uma ferramenta concreta de produtividade e estabilidade comercial.
Embaixadas e consulados abrem portas que uma ligação comercial não abre. Câmaras de comércio reduzem ruído e aceleram confiança, porque aproximam regras, práticas e pessoas. Instituições ajudam a traduzir exigências e a organizar caminhos. E empresários, quando sentam à mesa com governo e entidades, transformam intenções em acordos e contratos.
Um trabalho a “quatro mãos”
É por isso que precisamos tratar comércio exterior como parceria público-privada permanente. O setor privado traz demanda, produto, disciplina e velocidade. O poder público traz presença institucional, ponte política, coordenação e acesso. Quando os dois trabalham juntos, nós ganhamos inteligência de mercado, antecipamos mudanças, evitamos entraves e construímos uma reputação coletiva. E isso, na prática, vale dinheiro, porque reduz desconto, atraso e insegurança na hora do embarque.
No futuro, a nossa tarefa é simples de dizer e exigente de executar: organizar prova de origem, padronizar processos e profissionalizar a presença lá fora. Usar o café como vitrine é estratégico, porque ele carrega história, identidade e valor. Mas a lógica serve para todo o agro e para a economia do Estado: quem consegue entregar constância e confiança, consegue atravessar ciclos.
No fim, exportar não é apenas um ato; é um sistema. E, no mundo atual, esse sistema se chama diplomacia econômica, fruto de instituições alinhadas e empresas preparadas.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães