Volta às aulas com mais disciplinas e novas tecnologias nas escolas
Escolas vão ampliar uso da Inteligência Artificial e oferecer matérias ligadas a projeto de vida, carreira e bem-estar
Está chegando a hora de mais de 800 mil estudantes voltarem às aulas no Espírito Santo. Entre as mudanças para o novo ano letivo, escolas se preparam para adotar novas disciplinas no currículo, para ampliação do uso da Inteligência Artificial, além de implementar mais tecnologias.
O diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, do grupo Inspired Education, Mário Broetto, afirmou que entre as novidades para este ano está a ampliação das atividades esportivas dentro e fora da grade curricular.
Além disso, a tecnologia também terá reforços. “Em 2025, lançamos o metaverso como ferramenta de aprendizagem. Em 2026, lançaremos o Dia da IA. Será uma estratégia para prepararmos e orientarmos nossos alunos para o uso responsável e consciente da Inteligência Artificial. O eixo norteador da nossa proposta pedagógica em 2026 será a tecnologia, portanto, atuaremos de forma intensa e cuidadosa nessa área”.
O diretor da Escola Monteiro, Eduardo Costa Gomes, afirmou que para esse ano letivo o uso da Inteligência Artificial se consolida no ensino.
“A escola precisa prever abordagens mais consistentes do uso de ferramentas. Temos professores e alunos usando, então a IA precisa ser conteúdo também dentro dos componentes. Teremos dentro de disciplinas de Projeto de Vida, de Filosofia, abordagens sobre ética no uso da IA, direito de imagem, direito de propriedade, entre outros temas”.
Ele ressaltou que as ferramentas também estarão inseridas na apresentação de trabalhos.
Na rede pública, prefeituras também se organizam para a volta às aulas.
A rede municipal de ensino de Vitória, uma das mudanças é que a disciplina Clube de Leitura, que até 2025 era obrigatória do 1º ao 3º ano e opcional nos demais, passa a ser oferta obrigatória também para as turmas de 4º e 5º ano a partir de 2026.
Em relação à avaliação, a partir de 2026, a Recuperação Trimestral passa a ser um direito assegurado a todos os estudantes, ampliando as oportunidades de retomada e consolidação das aprendizagens.
Também serão ampliadas para mais duas escolas salas maker.
Tudo pronto
Na casa da advogada Laila Pimentel, de 38 anos, está tudo pronto para o início das aulas do pequeno Bento, de 7 anos.
Ele vai começar na próxima semana o 2º ano do ensino fundamental e está na expectativa de conhecer os novos professores e colegas. “Já conheço a escola, que é a mesma do ano passado, mas quero que chegue logo para rever meus amigos”, disse Bento.
Raio X da Educação
869.379 matrículas tem a Educação Básica.
Matrículas por etapa
Educação Infantil — 184.322
Ensino Fundamental 1 — 284.533
Ensino Fundamental 2 — 218.699
Ensino Médio — 127.820
Alunos em sala de aula
Rede total
Municipal — 532.124
Estadual — 203.333
Privada — 120.665
Federal — 13.257
48.045 professores atuam no Espírito Santo
3.006 escolas retomam as aulas em fevereiro
Escolas por rede
Municipal: 2.214
Estadual: 393
Privada: 376
Federal: 23
O que vem por ai!
1. Novas disciplinas
Entre as novidades para 2026, algumas escolas e redes estão implementando novas disciplinas vinculadas a repertório, vida prática e competências contemporâneas – como aquelas ligadas a projeto de vida, carreira, temas contemporâneos, música, protagonismo e até ao bem-estar.
No Ensino médio, cresce o vínculo com mundo do trabalho e universidades.
No Sesi de Jardim da Penha, por exemplo, estão sendo implementadas disciplina produção textual, além de disciplina de temas contemporâneos, que trabalhará diferentes frentes voltadas para o desenvolvimento do aluno para o mundo como um todo.
Na rede municipal de Vitória, a disciplina Clube de Leitura, que até 2025 era obrigatória do 1º ao 3º ano, passa a ser oferta obrigatória também para as turmas de 4º e 5º ano.
2. Reforço da aprendizagem personalizada
A personalização avança, com tutoriais, plataformas adaptativas, mapeamento de habilidades, devolutivas individualizadas e itinerários mais flexíveis.
Algumas escolas têm usado plataformas de Inteligência Artificial para acelerar diagnósticos e feedbacks, ajudando a preencher lacunas e interesses dos alunos.
3. Mais atividades no contraturno
O contraturno tem deixado de ser mero reforço e, em muitas escolas, passa a integrar esportes, robótica, leitura, clubes temáticos, línguas, ciência, oficinas culturais e projetos.
Entre os exemplos, a Prefeitura de Vitória e o Sesi Jardim da Penha têm ampliado ofertas.
A ideia é equilibrar formação acadêmica e repertório.
4. Novas tecnologias
Tecnologia deixa de ser “adorno” e, em 2026, tem integrado o núcleo pedagógico de forma mais efetiva.
Crescem laboratórios, plataformas digitais, recursos maker, tablets e notebooks com uso intencional, e propostas ligadas à criação audiovisual e produção digital.
A tecnologia passa a exigir formação docente e regulação.
5. Ampliação do uso de IA
A inteligência artificial migra do discurso para o cotidiano. Professores usam, cada vez mais, as tecnologias para planejar aulas e estudar dados de aprendizagem.
Além disso, em muitas instituições de ensino plataformas começam a diagnosticar habilidades e orientar estudo. Já alunos, usam IA para pesquisa, vídeo e projetos.
Algumas escolas também têm reforçado o debate ético — imagem, autoria, direitos e uso responsável — com programas específicos para tratar do tema. Um exemplo é a Escola Monteiro, em Vitória.
6. Mudanças em avaliações
O foco sai da prova isolada e vai para ciclos de acompanhamento, avaliações processuais e feedbacks contínuos.
Algumas escolas adotam sistemas semanais de progressão; outras reforçam combinação entre avaliações somativas e formativas.
O objetivo é intervir antes, reduzir lacunas e responsabilizar o aluno pelo próprio percurso.
7. Mais escolas em tempo integral
O tempo Integral se expande especialmente na rede pública, que alcança 50 unidades em Vitória com jornada de nove horas.
No privado, o integral se consolida como diferencial em algumas escolas, com forte busca por currículos ampliados, convivência, estudo orientado e projetos interdisciplinares.
8. Foco maior na saúde mental e formação humana
A saúde emocional também tem sido reforçada em 2026, em alguns locais deixando de ser projeto paralelo e virando estrutura.
Psicólogos, orientação, rodas de conversa, protocolos e ações antibullying fazem parte do cotidiano no novo ano letivo.
A formação humana também ganha espaço com projetos sociais, convivência, bem-estar, ética digital, resolução de conflitos e autonomia. A NR-01 reforça o cuidado institucional.
9. Melhoria nas ferramentas de comunicação com as famílias
A comunicação se torna mais estruturada, transparente e digitalizada. Aplicativos institucionais ganham espaço, plataformas substituem bilhetes e e-mails dispersos, e a relação escola.
Algumas instituições que já tinham sistemas de comunicação, estão aperfeiçoando as ferramentas.
família passa a ter registros e canais mais formais. Além da velocidade, há maior alinhamento de expectativas, especialmente sobre rotina, convivência e avaliação.
10. Maior carga horária para formação básica
Com a consolidação do novo ensino médio, algumas escolas ampliam as horas da Formação Geral Básica, reforçando componentes como Filosofia, Sociologia, Matemática, Português e Produção Textual.
A rede pública mantém a ampliação via tempo integral. A lógica é garantir repertório acadêmico sólido e melhor desempenho em avaliações nacionais.
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