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TRIBUNA LIVRE

Lipedema e o impacto silencioso na saúde mental das mulheres

Quando a falta de diagnóstico transforma dor física em culpa, vergonha e sofrimento psicológico

Patricia Lyra | 26/01/2026, 12:48 h | Atualizado em 26/01/2026, 12:48
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna



          Imagem ilustrativa da imagem Lipedema e o impacto silencioso na saúde mental das mulheres
PATRICIA LYRA é cirurgiã plástica e referência no tratamento do lipedema |  Foto: Divulgação

Uma dor comum relatada repetidas vezes nos consultórios (e fora deles) nem sempre aparece nos exames, não é quantificada em um laudo e, muitas vezes, não encontra espaço nem mesmo na escuta médica tradicional. É a dor emocional de mulheres que convivem com o lipedema, uma doença ainda pouco reconhecida, mas profundamente incapacitante.

O lipedema é uma patologia caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura dolorosa e progressiva em algumas partes do corpo, principalmente membros inferiores. Para além do diagnóstico físico, a condição ultrapassa o corpo e alcança a mente, a autoestima e as relações sociais de quem convive com ela.

O problema é predominante na população feminina, e embora possa afetar homens, raramente acontece. Ao longo dos anos, vejo pacientes que chegam ao consultório carregando não apenas dor física, mas também culpa. Por não conseguirem emagrecer apesar de dietas rigorosas; por ouvirem repetidamente que “faltou disciplina”; por ocuparem um corpo que a sociedade insiste em julgar antes de compreender.

Essa culpa quase sempre vem acompanhada da vergonha de usar determinadas roupas, de frequentar espaços públicos, de explicar por que as pernas doem, incham e não respondem como “deveriam”. Muitas passam a se isolar, cancelam compromissos, evitam praias, academias e encontros. Não por vaidade, mas por cansaço emocional.

Por falta de um diagnóstico assertivo, mulheres com lipedema passam anos ouvindo que a dor é exagero, que o problema é apenas estético ou que tudo se resolveria com força de vontade.

Esse processo de invalidação constante gera ansiedade, tristeza, sensação de inadequação e, em muitos casos, depressão. Não é raro que essas pacientes duvidem do próprio corpo e da própria percepção da dor.

Por isso, o diagnóstico do lipedema é muito mais do que um nome para uma condição clínica. Representa um alívio emocional profundo, um momento em que muitas mulheres concluem: “Então não era culpa minha”. O diagnóstico devolve sentido à história, legitima a dor e abre caminho para um cuidado mais humano e eficaz.

Como médica cirurgiã plástica, acredito que nosso papel vai além de tratar tecidos e formas. Precisamos tratar pessoas, e reconhecer o lipedema é também reconhecer o sofrimento silencioso que tantas mulheres carregam por anos, muitas vezes, sozinhas e sob a mira de julgamentos pesados.

Em um período como o Janeiro Branco, que convida à reflexão sobre saúde mental e emocional, é impossível não olhar com mais atenção para condições que adoecem silenciosamente não apenas o corpo, mas também a mente.

Falar sobre o impacto do lipedema na saúde mental é um passo essencial para romper o ciclo de culpa, vergonha e invisibilidade. Quando escutamos com atenção e empatia, não apenas diagnosticamos melhor, mas ajudamos a reconstruir a relação dessas mulheres com seus corpos e com elas mesmas.

Porque nenhuma dor, física ou emocional, deveria ser invisível.

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