Imóveis valorizados e forte ritmo de vendas em 2026
Mercado imobiliário da Grande Vitória segue aquecido, com alta demanda e ajustes graduais nos preços
Leitores do Jornal A Tribuna
O mercado imobiliário da Grande Vitória atravessou 2025 e inicia 2026 com sinais de dinamismo. Mesmo em um ambiente de juros ainda elevados, o setor mantém forte ritmo de atividade, sustentado pela alta absorção da oferta, valorização acumulada expressiva dos imóveis e um processo gradual de ajuste nos preços de venda.
Levantamento do Sinduscon-ES mostra que a Grande Vitória concentra cerca de 17,2 mil unidades residenciais em construção, o maior volume da última década. Desse total, aproximadamente 76% já estão vendidas, o que indica que a maior parte da oferta em andamento já conta com compradores, reduzindo o risco de excesso de estoque no curto prazo.
Os dados do Índice FipeZap indicam que os preços de venda dos imóveis em Vitória acumularam valorização superior a 20% em 12 meses ao longo de 2025, com pico próximo de 24% no meio do ano. No primeiro semestre, as altas mensais foram expressivas, refletindo pressão de demanda e oferta ainda ajustada.
Nos meses mais recentes, no entanto, o ritmo de crescimento perdeu força. Setembro registrou estabilidade e outubro apresentou leve recuo mensal, sinalizando um movimento de acomodação. Apesar disso, o patamar de preços permanece elevado, o que aponta para um ajuste gradual, e não para uma reversão do ciclo imobiliário.
No mercado de locação, o cenário é diferente. Os aluguéis seguem em trajetória de alta e acumulam crescimento próximo de 11% em 12 meses, segundo o FipeZap. A pressão reflete a dificuldade de acesso à compra para parte das famílias, além da oferta ainda limitada em áreas mais consolidadas da capital.
Esse movimento mantém o custo de moradia elevado e reforça o papel do aluguel como um dos principais vetores de pressão sobre o orçamento das famílias urbanas.
Parte relevante da valorização observada nos últimos anos está concentrada no segmento médio-alto e alto padrão, especialmente em regiões litorâneas e bairros consolidados de Vitória. Esse movimento tem sido impulsionado por compradores de fora do Espírito Santo, incluindo investidores ligados ao agronegócio e investidores patrimoniais, que tendem a ser menos dependentes do crédito imobiliário tradicional.
Esse perfil de demanda ajuda a sustentar preços elevados nesse segmento e acaba gerando efeitos indiretos sobre o mercado como um todo, pressionando valores em áreas adjacentes.
A combinação entre alto volume de imóveis em construção, vendas antecipadas expressivas, valorização acumulada e pressão nos aluguéis indica que o mercado imobiliário da Grande Vitória segue aquecido, mas em uma fase mais madura do ciclo. No cenário atual, os fundamentos permanecem sólidos, com tendência de ajustes graduais no ritmo de crescimento dos preços. Para os próximos meses, o desempenho do setor dependerá do comportamento dos juros, do crédito imobiliário e da capacidade de absorção do estoque em obras.
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Tribuna Livre,por Leitores do Jornal A Tribuna