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TRIBUNA LIVRE

Erro mais comum da comunicação política nas redes sociais

Nas redes sociais, autoridade se constrói com estratégia, coerência e conexão humana

Humberto Gomes | 19/01/2026, 13:06 h | Atualizado em 19/01/2026, 13:06
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          Imagem ilustrativa da imagem Erro mais comum da comunicação política nas redes sociais
Humberto Gomes é jornalista, pós-graduado em Comunicação Estratégica, Gestão da Imagem e Política pela Ufes e especialista em redes sociais |  Foto: Divulgação

As plataformas digitais não funcionam como canais tradicionais de informação. O usuário não acessa redes sociais em busca de dados objetivos, comunicados oficiais ou notas explicativas. Para isso, existem buscadores, portais e veículos jornalísticos. Nas redes, a lógica é outra: as pessoas buscam conexão, identificação e narrativas que dialoguem com suas próprias experiências.

Ignorar esse comportamento é comprometer relevância. Perfis políticos e institucionais ainda insistem em fotos posadas, textos frios e publicações que informam, mas não comunicam. Não despertam conversa, não geram memória e, principalmente, não constroem confiança, ativo central em qualquer estratégia de marketing político.

A comunicação digital eficaz nasce da compreensão de que autoridade não se impõe; ela se constrói. E se constrói a partir de narrativas consistentes, coerência temática e entrega de valor real ao público. Histórias bem contadas, experiências compartilhadas e aprendizados contextualizados geram proximidade porque humanizam. Não se trata de exposição gratuita, mas de construção estratégica de sentido.

Outro ponto crítico é o foco. Perfis que falam de tudo não se consolidam em nada. O marketing político exige posicionamento claro: quais temas você domina, quais causas representa e por que isso importa para quem está do outro lado da tela. Quando essa identidade está bem definida, até referências culturais, exemplos do cotidiano e bastidores passam a cumprir função estratégica, reforçam o discurso, organizam a percepção e fortalecem a imagem.

Há ainda um fator emocional frequentemente subestimado. As pessoas não se conectam com trajetórias impecáveis. Conectam-se com processos, dilemas e transformações. Mostrar dificuldades superadas, decisões complexas e aprendizados reais não fragiliza uma liderança; ao contrário, gera empatia e credibilidade. É assim que se constrói vínculo. É assim que se constrói autoridade.

As redes sociais, portanto, não são palanques permanentes nem álbuns de registro. São ambientes de relacionamento contínuo, nos quais coerência, constância e narrativa importam mais do que frequência ou volume de postagens. Quem entende essa dinâmica deixa de apenas ocupar espaço digital e passa a comunicar estratégia.

No marketing político contemporâneo, presença digital sem estratégia é apenas ruído. Publicar sem narrativa é ocupar espaço sem construir sentido. As redes sociais não premiam quem fala mais, nem quem aparece com maior frequência, mas quem consegue estabelecer vínculo, coerência e confiança ao longo do tempo. Autoridade, nesse ambiente, não nasce do cargo, da agenda ou da foto registrada, nasce da capacidade de comunicar propósito de forma consistente, humana e compreensível. Quem ainda não compreendeu isso continuará falando sozinho, mesmo cercado de seguidores.

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