A dor covarde
Subjetiva, a dor envolve fatores físicos e emocionais e pode se tornar doença quando crônica
Dr. João Evangelista
“A pior dor é a minha, a melhor é a dos outros. Essa antiga expressão popular ilustra a subjetividade da dor. Tal frase é um reconhecimento irônico de que, embora a empatia seja importante, a nossa própria experiência individual de sofrimento sempre ocupará o centro do nosso universo pessoal. Mas, se a dor alheia não nos comove, quem precisa de ajuda somos nós.
Dor é uma curta palavra com longas percepções. É difícil encontrar alguém que nunca tenha experimentado a sensação de dor.
Compreender o mecanismo dessa experiência sensitiva e emocional é importante porque influencia a escolha do tratamento mais adequado. Entretanto, por ser algo subjetivo, é difícil quantificar e qualificar a dor. Não existem marcadores biológicos para o sofrimento.
Produzida por estímulos sensoriais ou lesões neurológicas, a dor pode, inclusive, ser alterada pela memória, expectativas e emoções, do indivíduo.
Algumas medidas da dor podem ser quantificadas, como intensidade, localização, distribuição, duração, periodicidade, qualidade, sinais e sintomas associados, impacto, significado pessoal, etc.
O corpo processa a dor de maneiras diferentes, cuja sensação pode ser traduzida como incômoda, surda, queimação, alfinetada, entre outras.
Dor aguda é causada por um problema pontual. Ela tem uma duração mais curta e, embora seja desconfortável, não costuma afetar a qualidade de vida do paciente.
Por outro lado, a dor crônica é categorizada como um problema de longa duração. De modo geral, ela é vista como uma condição incapacitante, que prejudica a vida pessoal do acometido, trazendo grande prejuízo para o bem-estar físico.
De modo geral, a dor é um sintoma de que algo está errado com o organismo. No entanto, também pode ser chamada de doença, quando se apresenta de forma crônica e acaba impactando a qualidade de vida.
Dor funcional é aquela que surge sem alguma razão aparente. Ela é causada por uma grande variedade de alterações na percepção dolorosa, fazendo com que a sensação possa irradiar e estar presente em vários lugares ao mesmo tempo.
Na dor nociceptiva há uma lesão perceptível que causa a sensação de dor. É uma dor voltada à resposta inflamatória, ou seja, que acontece por conta da reação do organismo, na tentativa de recuperação.
Dor neuropática está diretamente associada à presença de lesões no tecido nervoso, responsável pela condução da dor.
Dor intermitente é aquela que surge e desaparece, não se mantendo constante, aparecendo em momentos específicos, como após esforço, e sumindo com o repouso, podendo indicar desde tensão muscular a condições mais sérias, como problemas circulatórios ou nervosos.
Enfim, toda dor é um mecanismo mental de defesa. Dores corporais e emocionais se confundem.
Algumas pessoas têm dificuldade de se desapegar de suas dores, pois acreditam que o sofrimento já faz parte de sua personalidade.
Vivenciando um sofrimento covarde, com dor de não ser corajoso, o indivíduo se esconde do que dói.
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