Mulheres retiram silicone para recuperar visual natural
O aumento nos procedimentos de explante foi de mais de 40% no Brasil e no Estado, comparando os anos de 2022 e 2024
Se nos anos 2000 diversas mulheres, entre elas algumas celebridades, buscavam por grandes volumes de prótese mamária, um movimento contrário tem sido observado por cirurgiões plásticos: a retirada do silicone dos seios.
A tendência pelo visual natural ganha força e já atingiu até famosas como Carolina Dieckmann, Isabeli Fontana e Suzana Alves. O aumento nos procedimentos de explante (retirada de silicone) foi de mais de 40% no Brasil e no Espírito Santo, comparando 2022 e 2024.
Em 2022 foram 29.417 procedimentos de remoção de implante mamário no Brasil, segundo relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Em 2024 esse número saltou para 42.231.
No Espírito Santo, a média em relação ao Brasil seria de 2,7% (considerando a população do Estado e o número de cirurgiões plásticos ativos). Os números, então, seriam de 794 explantes em 2022 e 1.140 em 2024, segundo o cirurgião plástico Ariosto Santos.
“Entre as causas, temos as pessoais: por exemplo, a pessoa envelheceu e agora ela não quer mais prótese, acha grande para o corpo dela. Já tem outros casos em que a paciente vê alguma amiga ou parente tendo complicações e ela não quer arriscar”, explicou o médico.
Ele destacou ainda os casos em que pacientes alegam a “Doença do Silicone”. “Não há classificação de Doença de Silicone. Esse nome não é aceito, mas é comum o leigo falar dessa forma. A paciente alega sintomas como queda de cabelo, fraqueza, unha fraca, insônia e dor nas articulações. São sintomas subjetivos”, destacou.
Há casos, porém, em que a paciente pode apresentar a Síndrome de Asia, doença autoimune. “Qualquer produto que o paciente colocar no corpo, como botox e ácido hialurônico, vai desencadear a síndrome”, ressaltou Ariosto Santos.
O cirurgião plástico José Armando Faria Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica-Regional Espírito Santo, disse que essa procura pela retirada de silicone é mais comum após os 30 anos.
“Inflamação, infecção na pele que exponha o implante ou rejeição do implante são condições oficiais para a retirada do implante”, apontou o cirurgião.
Cirurgia de implante segue em alta
Enquanto algumas buscam retirar o silicone, há outras que querem colocar a prótese. Apesar do aumento de pessoas em busca do explante, o número de implante continua em alta, com números praticamente estáveis, aponta o relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).
No ano passado, o Brasil realizou 232.593 procedimentos de aumento de mama. Praticamente a mesma quantidade de 2022, quando foram 243.923. Segundo especialistas, a procura agora tem sido por próteses mais naturais.
“A cirurgia plástica busca cada vez mais por naturalidade. Aquele aspecto de superficialidade está desaparecendo dos consultórios”, destacou o cirurgião plástico José Armando Faria Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional do Espírito Santo.
Quanto à cirurgia de lifting de mama, a mastopexia, foram 137.736 procedimentos em 2024. Esse tipo de cirurgia também pode ser realizada após a retirada de silicone.
No entanto, de acordo com o cirurgião plástico Murilo Boles, nem todos os casos haverá necessidade de mastopexia após o explante, já que, “muitas vezes, ocorre uma retração das mamas sem flacidez residual”.
“Isso é avaliado em uma consulta presencial e de acordo com a experiência do cirurgião. É muito comum associar enxerto de gordura durante a cirurgia do explante, com objetivo de dar volume e preencher irregularidades”, apontou Murilo Boles.
Saiba Mais
Dados recentes
Explantes
2022 — 2024 — aumento
Mundo: 320.765 — 341.971 — 7%
Brasil: 29.417 — 42.231 — 43,5%
Espírito Santo: 794 — 1.140 — 43,6%
Enquanto isso, o número de implantes caiu: No Brasil, de 243.923 (2022) para 232.093 (2024).
Motivo das retiradas
Envelhecimento: após 15 ou 20 anos com o silicone, muitas mulheres sentem que o corpo mudou e o tamanho da prótese já não combina mais.
Mudança de gosto ou estética: algumas acham o volume desproporcional.
Complicações: entre elas a contratura capsular, reação em que o corpo forma uma cápsula rígida ao redor do implante.
Medo de riscos: ao verem casos de complicações, algumas optam pela retirada por precaução.
Doença?
O termo “doença do silicone” não é reconhecido oficialmente. Trata-se de um conjunto de sintomas subjetivos (fadiga, dores musculares, queda de cabelo e insônia) que algumas mulheres relacionam ao implante de silicone.
Existe também a Síndrome de Asia, reação autoimune a substâncias estranhas ao corpo, que não é exclusiva do silicone.
Por isso, mulheres com doenças autoimunes devem evitar o implante.
Complexidade
Para realizar o explante das próteses de silicone é necessário remover a cápsula fibrosa que envolve o implante e remodelar a mama para que o resultado fique harmônico e natural.
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