Quando se preocupar com o formato da cabeça do bebê?
Médicos explicam que a alteração pode, em alguns casos, provocar problemas funcionais derivados da deformidade do crânio
A assimetria no formato da cabeça de alguns bebês levanta dúvidas frequentes, especialmente nos primeiros meses de vida, período em que o crânio ainda está em formação.
Segundo especialistas, a observação atenta da família e o acompanhamento adequado com profissionais de saúde são fundamentais para identificar alterações a tempo.
A pediatra Flávia Tavares ressalta que as assimetrias cranianas são muito frequentes. “É essencial que o bebê, no primeiro ano de vida, vá à consulta com o pediatra todo mês. Essa deformidade é algo que o próprio pediatra vai avaliar”, afirma.
Ela reforça que, caso os pais ou responsáveis percebam alguma alteração ou tenham dúvidas, é importante comunicar.
“Se o pediatra não observa e a mãe tem essa dúvida, ela precisa alertar: 'doutor, você acha que essa cabeça está certa? Esse formato está estranho?'”, explica
Quando identificada, de acordo com a pediatra Isadora Vencioneck, a deformidade do crânio do bebê geralmente não traz alterações no desenvolvimento psicomotor. Ela ressalta que não se trata de uma doença.
“De forma geral, trata-se de uma alteração estética que pode, em alguns casos, provocar problemas funcionais derivados da deformidade do crânio, principalmente em mandíbula e órbitas”.
O osteopata Diego Lamoia acrescenta que dor de cabeça, dor na coluna (tanto cervical quanto lombar), alteração mandibular que pode levar ao uso de aparelho e torcicolos sentidos na vida adulta podem ter ligação com alterações cranianas que não foram tratadas.
Segundo ele, muitos adultos hoje sofreram alterações cranianas que não foram tratadas quando eles eram bebês. “Há casos que surgem pela preferência do bebê em virar a cabeça sempre para o mesmo lado”.
Diego alerta que esse hábito, sozinho, já pode causar achatamento. “A principal forma de prevenir a assimetria é variar as posições. O bebê não deve ficar sempre deitado para o mesmo lado. Trocar o lado da cabecinha no berço, alternar o braço em que a mãe amamenta e mudar o lado de onde vêm os estímulos visuais ajuda muito”.
Outra dica é garantir períodos de barriga para baixo com supervisão. “Nos primeiros meses de vida, ajuda no refluxo e também fortalece a musculatura cervical e paravertebral”.
Evolução rápida
“Percebi diferença após tirar uma foto”
A influenciadora Valléria Ribeiro Carneiro de Andrade, de 26 anos, percebeu uma diferença no formato da cabeça do filho, Emanuel, quando ele tinha pouco mais de dois meses.
Segundo ela, a descoberta aconteceu de forma inesperada. “Eu tirei uma foto e percebi que o lado esquerdo estava maior que o direito”.
O diagnóstico foi feito na primeira consulta e o especialista explicou que eu havia chegado no momento ideal para iniciar o tratamento. “Ele fez seis sessões e já vimos uma evolução muito grande”, relata.
Segundo Valléria, a assimetria era apenas estética e não interferia na saúde do bebê, que hoje tem quatro meses. O tratamento combinou sessões manuais realizadas pelo osteopata com exercícios em casa.
Fique por Dentro
Quando se preocupar?
Assimetria craniana é uma diferença visível no formato da cabeça do bebê, que pode incluir achatamento posterior, lateral ou projeção da testa para um lado.
Geralmente ocorre porque o crânio do bebê é muito maleável nos primeiros meses de vida.
Acontece com frequência em bebês que passam muito tempo deitados na mesma posição ou que apresentam preferência de movimento do pescoço para apenas um lado.
Como identificar
Preferência em olhar ou virar o pescoço para um único lado e dificuldade ou choro quando tentam virar o pescoço para o lado oposto.
Achatamento visível em uma região da cabeça.
Projeção da testa mais para um lado, dando a impressão de rotação craniana.
Bebê que dorme sempre na mesma posição e não alterna espontaneamente a cabeça.
Como tratar
O tratamento costuma ser mais eficaz quando iniciado antes dos seis meses, período em que o crânio ainda é altamente moldável.
Inclui técnicas manuais para liberar tensões e ajustar o posicionamento craniano.
Exercícios feitos durante as sessões, que auxiliam na mobilidade do pescoço e corrigem compensações.
Orientações para casa são a pratica do tummy time (tempo de bruços) supervisionado e estímulos visuais no lado oposto ao da preferência.
Como prevenir
Variar as posições do bebê para evitar pressão na mesma área do crânio e realizar tummy time diariamente, sempre sob supervisão.
Alternar os lados do berço e o lado por onde o adulto se aproxima para estimular o bebê a olhar para direções diferentes.
O que pode causar na vida adulta
Persistência da assimetria estética, que pode ficar mais perceptível com o crescimento.
Compensações musculares, especialmente no pescoço e ombros.
Maior probabilidade de dores cervicais e de cabeça.
Possível sobrecarga na mandíbula e alterações no padrão de mordida.
Desconfortos ou tensões musculares recorrentes.
Na maioria das situações, não há prejuízo neurológico, mas o impacto estético e postural pode acompanhar o indivíduo.
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