O que muda na prevenção do câncer de colo de útero
Papanicolau foi substituído pelo exame DNA-HPV para diagnosticar a doença. Vacinação também está sendo intensificada
A Fundação do Câncer lançou a versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. O documento orienta profissionais da saúde quanto às últimas mudanças na vacinação e no rastreamento da doença.
Desde 2025, o Ministério da Saúde iniciou a substituição do exame Papanicolau pelo DNA-HPV para diagnosticar a doença. A consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, explica que a nova forma de rastreamento é capaz de identificar a presença do material genético do vírus HPV nas células da paciente.
“Esse teste é muito mais sensível e permite a identificação em estágios iniciais. Com isso, a paciente já pode ser encaminhada para uma avaliação adequada”.
A oncologista Arianne Velasquez adiciona que a periodicidade do exame também muda. “Com um resultado negativo, a paciente só precisará repetir o teste após um intervalo de cinco anos”.
Mesmo assim, a ginecologista e obstetra da Bluzz Saúde Anna Bimbato reforça que o acompanhamento ginecológico anual deve permanecer. “A consulta deve ser mantida para avaliação clínica e cuidado integral da saúde da mulher”.
Além disso, até o final do primeiro semestre deste ano, o Programa Nacional de Imunização (PNI) está fazendo um resgate de jovens entre 15 e 19 anos que ainda não foram vacinados. A oncologista Juliana Rocha reforça que essa é uma ferramenta muito eficaz na prevenção da doença. “A vacina é muito importante, porque aumenta a chance até mesmo de erradicação da doença”.
No Estado, a mudança vem sendo feita desde 2024 pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen/ES) nos municípios da Região Sul de Saúde.
De acordo com a pesquisadora do Lacen/ES, Débora De’nadai Dalvi, a expectativa é expandir a oferta. “Começamos por essa região por identificarmos índices preocupantes de diagnóstico e rastreamento tardios. Nosso desejo é que, aos poucos, possamos oferecer em todo o território”.
Entenda o que mudou
Exame de rastreamento
O exame Papanicolau será substituído gradualmente pelo DNA-HPV.
O novo modelo detecta 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), identificando a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou quando o câncer ainda está em estágios iniciais.
Após a coleta, ao invés de ser colocado em uma lâmina, como é feito no Papanicolau, o material é depositado em um tubo com meio líquido que é enviado para um laboratório de biologia molecular.
Coleta
Continua sendo a mesma, sendo necessária a retirada de material do colo do útero para a avaliação em laboratório.
Intervalo entre exames
Agora, após um resultado negativo do exame DNA-HPV, a mulher poderá repetir após cinco anos.
No exame Papanicolau, o intervalo é de três anos após dois resultados normais consecutivos.
Faixa etária
O rastreamento segue sendo para mulheres de 25 a 64 anos.
Mulheres a partir de 60 anos que tiverem resultado negativo estão liberadas do exame, pois a repetição seria apenas após cinco anos, quando já estariam fora da faixa.
Vacinação
Desde 2024, meninos e meninas de 9 a 14 anos são vacinados contra o HPV com apenas uma dose.
Resgate
Até o final do primeiro semestre deste ano, o Programa Nacional de Imunização (PNI) está fazendo o resgate dos adolescentes entre 15 e 19 anos que não foram vacinados até o momento contra o HPV.
A vacina está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e protege contra os tipos mais associados ao desenvolvimento do câncer de colo do útero.
Fonte: Especialistas citados.
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