Até beber “socialmente” aumenta risco de câncer
Pesquisa revela que não há dose segura de álcool e que o consumo pode elevar o risco de desenvolver sete tipos de câncer
Beber socialmente, ou “tomar só umazinha”, é algo considerado inofensivo pela maioria das pessoas. Porém, uma nova pesquisa revelou que há uma ligação entre o hábito e o aumento de riscos para desenvolver diversos tipos de câncer.
A pesquisa é da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), que realizou análises com 62 estudos e amostras de quase 100 milhões de pacientes participantes.
“Não existe dose ou tipo de bebida alcoólica segura. O álcool lesiona as células de vários órgãos do seu corpo, como a boca, o esôfago, o estômago e o intestino, gerando vários tipos de câncer. Você mata neurônios quando bebe”, declarou o médico oncologista da Rede Meridional, Fernando Zamprogno.
O estudo encontrou associações mais consistentes do álcool com câncer de mama, colorretal, de fígado, laringe, esôfago, estômago e boca.
Pesquisas realizadas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) apontam que o álcool tem relação com mais de 200 tipos de doenças, explicou o médico psiquiatra e professor especialista em dependência química da Ufes, Valdir Campos.
“O consumo de álcool é responsável por mais de 200 tipos de doenças. Hepatite e cirrose já são associadas. Mas o uso também gera deficiência de vitaminas, anemias, gastrite alcoólica e, dependendo da quantidade, até crises convulsivas”, pontuou.
O médico alerta ainda que “a genética influencia no desenvolvimento de dependência, mas não é determinante; depende também de padrões psicológicos e de comportamento”.
O protocolo atual para pacientes com câncer de mama é orientar a diminuição do consumo de álcool, conta a médica oncologista Juliana Rocha.
“Antes, havia a discussão sobre existir uma dose segura. Mas, cada vez mais, a oncologia tem entendido que o álcool gera câncer sim, em qualquer dose. Hoje, faz parte do atendimento às pacientes com câncer de mama orientar a diminuição do consumo, pois está relacionado ao aumento desse tipo de tumor”, disse.
A médica oncologista ainda faz outro alerta. “O consumo de álcool associado ao tabagismo e obesidade aumenta exponencialmente as chances de desenvolvimento de câncer, que é uma doença multifatorial”.
Fique por dentro
Álcool gera 200 tipos de câncer
Sem dose segura de álcool
Uma pesquisa revelou que há uma ligação entre o hábito de “beber socialmente” e o aumento de riscos para desenvolver diversos tipos de câncer, apontando a inexistência de dose segura de álcool.
O estudo foi desenvolvido na Universidade Atlântica da Flórida (FAU).
100 milhões de pacientes adultos e norte-americanos participaram da pesquisa.
62 estudos com modelos matemáticos analisaram as amostras de todos os pacientes envolvidos.
Tipos de câncer
O estudo encontrou associações mais consistentes para câncer de mama, colorretal, fígado, laringe, esôfago, estômago e boca.
200 outros tipos de câncer também são associados ao consumo de álcool, independentemente da quantidade.
Fatores como o tipo de bebida alcoólica, a idade da primeira exposição, gênero, raça, tabagismo, histórico familiar e genética influenciam esse risco, aponta o estudo.
Bebidas mais perigosas
A cerveja e o vinho branco foram as bebidas que se mostraram mais fortemente ligadas ao maior risco.
Grupos de risco
Idosos, pessoas em situação socioeconômica desfavorável e indivíduos com comorbidades são especialmente vulneráveis.
Também houve diferenças por sexo: o texto descreve que beber com frequência se associou a maior risco em homens, enquanto episódios de consumo pesado se relacionaram a maior risco em mulheres.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera consumo alcoólico de baixo risco menos de cinco doses para homens, e menos de quatro doses para mulheres. Acima disso, o consumo é considerado intenso.
Dados apontam que pacientes com câncer de cabeça e pescoço que beberam e fumaram durante a radioterapia tiveram resultados piores, e até retorno da doença.
Fonte: Universidade Atlântica da Flórida (FAU) e especialistas entrevistados.
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