PCC pôs até veneno na gasolina em fraude de R$ 70 bilhões
Uma das maiores operações policiais da história, com alvos no Estado, apontou que a organização utilizava até 90% de metanol, substância venenosa
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Uma megaoperação realizada em oito estados, incluindo o Espírito Santo, expôs mais um esquema criminoso: o PCC (Primeiro Comando da Capital) adulterava a gasolina com veneno, revelando uma fraude bilionária que ultrapassa os R$ 70 bilhões.
As investigações apontam adulteração de combustíveis com metanol, substância altamente inflamável, tóxica e de difícil identificação — um veneno. A substância é um álcool tóxico que pode ser usado para adulterar etanol e gasolina, oferecendo “riscos à saúde humana e à segurança pública e privada, quando armazenado e transportado sem os cuidados necessários”, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que permite um limite máximo de 0,5% na composição da gasolina e do etanol.
Além disso, pode causar câncer, cegueira ou até matar. Outro problema está no fato de ser praticamente invisível, sendo difícil de combater um incêndio, em caso de chamas.
Foi uma das maiores operações policiais da história. E apontou que o combustível do PCC chegava a ter 90% de metanol na composição.
Com o tempo, o motor que sofre com a contaminação do combustível pode até não ligar.
Sem revelar detalhes, o Ministério Público do Espírito Santo informou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu um mandado no Estado para a Operação Carbono Oculto, em apoio ao Ministério Público do estado de São Paulo.
A reportagem de A Tribuna apurou que o mandado foi cumprido em Cariacica. Uma lista de cidades com alvos da Operação Carbono Oculto mostra que esse alvo seria uma Pessoa Jurídica. Além disso, haveria outros dois alvos – também Pessoas Jurídicas – em Atílio Vivácqua, no sul do Estado. O metanol chegava ao País pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, mas não era entregue aos destinatários indicados nas notas fiscais.
Em vez disso, era desviado e transportado clandestinamente, com documentação falsa e sem medidas de segurança, colocando em risco motoristas, pedestres e o meio ambiente. As investigações identificaram fraudes em mais de 300 postos de combustíveis. O resultado eram lucros bilionários para a organização criminosa.
Os consumidores, como apontam as investigações, eram enganados de duas formas: recebiam menos combustível do que o indicado na bomba; ou abasteciam com combustível adulterado, fora das especificações da ANP.
Raio X
R$ 7,6 bilhões foi o montante sonegado pela organização criminosa em impostos federais, estaduais e municipais.
1.400 agentes cumpriram mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados: Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catatina.
350 alvos entre pessoas físicas e jurídicas, um deles, no Espírito Santo.
Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, que estavam sendo cumpridos até o fechamento desta edição. Não foi informado se houve prisões no Espírito Santo.
Saiba Mais
As três operações
Carbono Oculto
Realizada em oito estados — Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo —, a operação Carbono Oculto foi uma ofensiva contra a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis.
Foram cumpridos mandados em mais de 300 alvos —, com bloqueio judicial de mais de R$ 1 bilhão em bens.
Movimentação
As investigações apontam que o grupo movimentou valores bilionários de 2020 a 2024, com importações de combustíveis que somaram mais de R$ 10 bilhões, créditos tributários já constituídos pela Receita no valor de R$ 8,67 bilhões, movimentações financeiras de R$ 52 bilhões em mais de mil postos de combustíveis em dez estados — Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins.
Além disso, cerca de R$ 46 bilhões foram operados por fintechs que funcionavam como bancos paralelos da organização criminosa.

Quasar
A operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
O grupo utilizava fundos de investimento e estruturas societárias complexas para ocultar patrimônio de origem ilícita, dificultando a identificação dos verdadeiros beneficiários e com indícios de ligação com facções criminosas.
Estratégias
Entre as táticas utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto (SP).
Tank
Teve como foco o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e movimentou mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
Táticas
A estrutura criminosa utilizava diversas táticas para ocultar a origem dos recursos, como depósitos fracionados em espécie (que ultrapassaram R$ 594 milhões), uso de laranjas, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços.
Além disso, o grupo é suspeito de se valer de brechas no Sistema Financeiro Nacional para fazer transações de forma anônima por meio de instituições de pagamento.
As investigações também revelaram práticas de fraude na comercialização de combustíveis, como adulteração de gasolina e a chamada bomba baixa, em que o volume abastecido é inferior ao indicado. Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba (PR) estavam envolvidos nessas práticas.
Foram expedidos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão no do Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, totalizando uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.
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