Golpes digitais: famílias reforçam vigilância para proteger idosos
Para evitar prejuízo financeiro e problemas psicológicos, parentes dão orientações sobre golpes por ligações, internet e WhatsApp
O aumento dos golpes, especialmente os digitais, tem levado famílias a redobrarem a atenção para proteger idosos, considerados um dos públicos mais vulneráveis à ação de criminosos.
Entre as fraudes mais comuns estão a falsa central telefônica, em que golpistas se passam por funcionários de bancos ou empresas para induzir vítimas a fornecerem dados ou fazer transferências, além do falso empréstimo consignado e do golpe do WhatsApp, usado para clonar contas por meio do código de segurança.
Outro crime recorrente é o golpe do amor, aplicado em redes sociais e aplicativos de relacionamento, no qual o criminoso conquista a confiança da vítima antes de pedir dinheiro ou informações pessoais, entre outros.
O especialista em Tecnologia da Informação Eduardo Pinheiro destaca que os idosos se tornaram os principais alvos dos golpistas on-line porque, ao mesmo tempo em que passaram a usar intensamente celulares, aplicativos bancários e redes sociais, não tiveram orientação ou acompanhamento adequado sobre os riscos do ambiente digital.
Como exemplo, ele cita o caso de uma aposentada de 72 anos que sofreu um prejuízo financeiro de R$ 950 mil no golpe do amor.
Após a descoberta, os familiares passaram a acompanhar de perto a rotina financeira da idosa como forma de proteção, bem como redobraram os alertas sobre as investidas de criminosos.
“As famílias têm reforçado a vigilância porque os golpes digitais contra idosos não causam apenas prejuízos financeiros, mas também geram forte impacto emocional e psicológico. Além do dinheiro perdido, muitas vítimas passam a sentir medo, vergonha, insegurança e perda de confiança, o que afeta diretamente sua autoestima e qualidade de vida”, disse Eduardo Pinheiro.
Histórias semelhantes se repetem em diferentes famílias. Uma dona de casa de 54 anos relata que costuma alertar os pais sobre golpes e ligações falsas.
“Falo com meus pais sobre todos os tipos de golpes, mas, mesmo assim, quase caíram na lábia dos criminosos. Um homem, dizendo ser médico do meu pai, que tem 85 anos, pediu dinheiro emprestado e inventou uma desculpa. Se eu não tivesse avisado que era golpe, ele teria feito uma transferência de R$ 3 mil”, contou a dona de casa.
Informações
Cuidado que une três gerações
Na família Coimbra, o cuidado e a troca de experiências unem três gerações: a influenciadora digital Rowenna Coimbra dos Santos Alves, de 30 anos, a tia dela, Norma Coimbra dos Santos Lauff, 71, e a mãe Marcia Coimbra dos Santos Alves, 65, ambas aposentadas.
Norma, inclusive, já foi vítima de golpe e teve um prejuízo de R$ 1,8 mil. Ela estava em casa quando recebeu uma mensagem de uma pessoa que se passava por seu filho, pedindo R$ 1,8 mil. O golpista alegava que o celular havia caído no banheiro e precisava de conserto urgente.
O pedido foi atendido, mas não demorou muito para que a aposentada descobrisse que tudo não passava de um golpe.
Como uma forma de proteção, Rowenna reforça o diálogo. “Eu sempre converso com a minha mãe e com a minha tia e passo informações sobre golpes e o que deve ser feito para evitá-los. Isso é muito importante”, contou a influenciadora.
Saiba Mais
1. Golpe da falsa central telefônica/falso funcionário
Criminosos se passam por funcionários de bancos ou empresas e afirmam haver irregularidades na conta. Com isso, induzem a vítima a informar dados pessoais e financeiros ou a realizar transferências para “regularização”.
Como evitar
Os bancos podem entrar em contato com os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca pedem senhas, códigos, chaves de segurança e nem solicitam transferências.
Desconfie, desligue a ligação e, de outro telefone, procure apenas os canais oficiais da instituição.
2. Golpe do falso empréstimo consignado
O golpista se passa por funcionário de banco e oferece empréstimos ou portabilidade com condições atrativas.
Para “liberar” o crédito, exige pagamento antecipado de taxas ou parcelas e solicita dados pessoais e financeiros.
Como evitar
Desconfie de ofertas vantajosas demais e nunca faça depósitos antecipados. Bancos não cobram para liberar empréstimos.
3. Golpe da ajuda em autoatendimento
O criminoso se aproxima da vítima no caixa eletrônico e oferece ajuda. Enquanto observa a digitação da senha, aproveita para trocar o cartão verdadeiro por outro.
Como evitar
Nunca aceite ajuda de desconhecidos. Em caso de problema, procure apenas funcionários identificados do banco, preferencialmente durante o horário de expediente.
4. Falso presente/brinde
Golpistas usam dados pessoais e datas de aniversário para oferecer um suposto presente ou brinde. Na entrega, cobram “taxa” paga com cartão e usam maquininha com visor danificado ou distrações para capturar a senha.
Como evitar
Não aceite brindes inesperados, não pague taxas de entrega, recuse maquininhas com visor quebrado e nunca forneça dados, fotos ou selfies a desconhecidos.
5. Golpe do amor
Criminosos criam perfis falsos em redes sociais ou aplicativos de namoro, conquistam a confiança da vítima e simulam um relacionamento. Após envolvimento emocional, passam a pedir dinheiro, favores financeiros ou dados pessoais, alegando emergências, viagens ou investimentos.
Como evitar
Desconfie de pedidos de dinheiro, evite compartilhar dados pessoais, faça chamadas de vídeo, verifique perfis e nunca envie valores a quem não conhece pessoalmente.
6. Golpe do WhatsApp
O golpista tenta clonar a conta do WhatsApp da vítima ao pedir o código de segurança enviado por SMS, fingindo ser atendimento de empresa ou site conhecido. Com o código, assume a conta e passa a aplicar golpes.
Como evitar
Ative a verificação em duas etapas no aplicativo e nunca informe códigos ou senhas recebidos por mensagem ou links suspeitos.
7. Phishing (pescaria digital)
É uma fraude eletrônica em que criminosos usam e-mails, mensagens e sites falsos para induzir a vítima a clicar em links e fornecer dados pessoais e bancários. As mensagens simulam comunicações de empresas conhecidas.
Como evitar
Não clique em links suspeitos, mantenha sistema e antivírus atualizados e, em caso de dúvida, procure os canais oficiais do banco ou da empresa.
8. Golpe do falso motoboy
Criminosos ligam se passando por funcionários de banco, informam falsa clonagem do cartão e orientam o cliente a cortá-lo e digitar a senha no telefone.
Em seguida, dizem que um motoboy irá buscar o cartão para “perícia”. Mesmo cortado, o chip continua funcionando e é usado para fraudes.
Como evitar
Bancos nunca pedem senha, cartão de volta e não enviam motoboys.
9. Golpe da troca do cartão
Durante uma compra, o golpista observa a digitação da senha e, ao devolver o cartão, troca-o por outro parecido.
Com o cartão verdadeiro e a senha, realiza compras e saques.
Como evitar
Acompanhe toda a operação, confira o nome no cartão devolvido e, sempre que possível, você mesmo insira o cartão na maquininha.
10. Falso sequestro
Golpistas ligam simulando choro e dizem ter sequestrado um familiar. A vítima, nervosa, acaba fornecendo informações que facilitam o golpe. Em seguida, exigem resgate.
Como evitar
Mantenha a calma, não diga nomes, tente contato com o familiar por outro telefone e combine previamente uma palavra-chave.
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