Assassino de Dante Michelini era dado como "desaparecido" e procurado pelos pais
Willian Santos Monzoli, de 29 anos, confessou ter assassinado o empresário Dante Brito Michelini
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Willian Santos Monzoli, de 29 anos, que confessou ter assassinado o empresário Dante Brito Michelini, o Dantinho, 76, demonstrou estar orgulhoso do crime que cometeu durante depoimento à Polícia Civil. O homem estava foragido da justiça da Bahia e era procurado pelos pais desde o início do mês de janeiro.
“Vou falar uma impressão minha como policial. Ele ficou orgulhoso do que fez. E ele tinha essa coisa do crime dentro dele”, afirmou o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra.
“Talvez ele quisesse subir de posição no tráfico ali em Meaípe e você ser criticado por apanhar de um ‘Jack’ (gíria para estuprador) é complicado”, completou.
O delegado observou ainda que o fato de o suspeito ter levado uma surra de um idoso de 76 anos “ficou ruim” para ele entre criminosos da região.
“É um indivíduo perigoso. Não é um indivíduo que fez algo por não pensar. Ele pensou, planejou e voltou para o local do crime. É violento, o perfil é de extrema violência. Nós, com nosso instinto policial, acreditamos que essa questão da morte do Dante foi para que ele se justificasse perante o tráfico, sobre a surra que ele levou, e crescesse perante o tráfico de drogas”, disse Dutra.
De acordo com informações do delegado, o suspeito confessou o crime com tranquilidade, até “com uma certa glória”.
Fabrício Dutra destacou que o suspeito não tinha conhecimento especificamente sobre o fato de Dantinho ter sido investigado no caso Araceli, devido à sua idade e por ser da Bahia.
Para sair do local do crime, com a cabeça da vítima em uma sacola, o suspeito contou que deu duas buchas de maconha a um homem que passava pela região de bicicleta.
Em seguida, ele pegou o veículo emprestado para levar a cabeça até o canal de Guarapari, a 15 quilômetros do sítio. Depois, devolveu a bicicleta.
O suspeito confessou que voltou ao local do crime um dia após o assassinato e fumou ao lado do corpo decapitado de Dante Brito Michelini.
Integração
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, destacou o trabalho integrado nas investigações.
“A Polícia Civil está a cada dia mais aperfeiçoada e a participação dos Bombeiros e da Polícia Científica foi fundamental. É isso que nos faz ser vencedores”, afirmou o delegado-geral.
Procurado pelos pais
Em uma publicação no Instagram, Willian Santos Monzoli, de 29 anos, é dado como desaparecido por sua família, em postagem feita no último dia 21 de janeiro.
Segundo a polícia, um dos primeiros pedidos que ele fez, ao ser preso, foi para ligar para o pai, que mora na Bahia.
A chegada de Willian Santos Monzoli ao Espírito Santo ocorreu no final do ano passado, de acordo com a Polícia Civil.
O chefe da DHPP de Guarapari, delegado Franco Malini, afirmou que o suspeito era usuário de drogas e chegou a Guarapari próximo ao Réveillon, como acontece muito na cidade, por conta do verão.
“Veio para Guarapari, fazia alguns bicos, como guardador de carros e flanelinha, dormia num canto, dormia em outro. Ele pedia comida em restaurantes e foi se estabelecendo desta forma. E pelo fato de ele ter sofrido aquela violência e ter sido vítima de chacota, esse é o perfil: a raiva extrema que ele ficou da situação”, afirmou.
O delegado Franco Malini disse que o suspeito não tinha histórico de crimes violentos, mas que a investigação é incomum para casos de homicídios, com o assassino confessando o crime e indicando os locais onde cometeu os atos.
“Esse inquérito, até o momento, está baseado em um interrogatório com confissão do suspeito, o que não é comum em um inquérito, principalmente, de homicídio. Nunca a confissão pode ser a principal prova. Porém, no caso, a confissão dele é totalmente circunstanciada”.
Segundo o delegado, na reconstituição do crime, o suspeito indicou aos policiais o local exato onde jogou a cabeça da vítima.
Willian disse que jogou o membro pela primeira vez a uma distância de quatro metros da faixa de areia, mas a cabeça boiou.
Ele então nadou no canal, recuperou a cabeça, amarrou um tijolo e uma pedra e a jogou novamente, fazendo com que ela ficasse submersa.
Entenda
Integração
A investigação da Polícia Civil contou com equipes do Corpo de Bombeiros, com cães farejadores e mergulhadores, e da Polícia Científica.
na terça-feira, uma sacola chegou a ser localizada em um córrego perto do sítio onde Dante Brito Michelini, o Dantinho, morava, por um cão farejador.
A Polícia Civil encaminhou o material para a perícia, para verificar se a cabeça da vítima tinha sido transportada na sacola.
Porém, com a localização da cabeça no canal de Guarapari, ontem, por mergulhadores do Corpo de Bombeiros, essa hipótese foi descartada.
Chacota
Willian Santos Monzoli, 29, confessou o crime, que teria sido motivado por vingança, uma vez que o suspeito estava dormindo em uma das casas do sítio em que Dante Brito Michelini morava e levou uma surra dele, que o expulsou do local a pauladas.
o suspeito disse que ficou com muita raiva por ter sido agredido pela vítima.
Ele foi alvo de chacota na região porque teria apanhado de uma pessoa que disseram ser um estuprador, segundo a Polícia Civil.
Reconstituição
A Polícia Civil informou que o suspeito foi conduzido do presídio para a delegacia no início da tarde de terça-feira e prestou depoimento, além de participar de reconstituição e indicar o local onde jogou a cabeça de Dantinho e a faca usada no crime.
Os procedimentos duraram cerca de 8 horas, até por volta das 21 horas.
O suspeito apresenta lesões nos braços, das pauladas que levou e nas mãos, por ter dado socos na vítima.
no sítio, ele contou que entrou pelos fundos, cortando uma cerca.
Ele conta que ficou esperando a vítima aparecer. Dante estaria comendo um pão, quando o suspeito entrou em luta corporal com ele.
Dantinho foi torturado pelo suspeito, que pratica capoeira. Ele venceu a primeira briga, esperou a vítima cair e imobilizou Dantinho com o joelho, partindo para as demais agressões, até o momento de cortar a cabeça, com a vítima ainda viva.
Câmeras
Ao se dirigir aos locais, o suspeito indicava para a polícia onde havia câmeras de videomonitoramento que podem ter flagrado suas ações.
Ele confessou que, para sair do local do crime, o sítio, com a cabeça da vítima em uma sacola, deu duas buchas de maconha a um homem que passava pelo local de bicicleta.
Depois, pegou o veículo emprestado, para levar a cabeça até o canal de Guarapari, a 15 quilômetros do sítio. Em seguida, devolveu a bicicleta.
Willian indicou o local exato onde jogou a cabeça no canal de Guarapari, onde mergulhadores do Corpo de Bombeiros a localizaram, na manhã de ontem, e a encaminharam para a perícia. A faca não foi encontrada.
Família
Dante deixa uma filha, que mora nos EUA. Procurado, o advogado Adir Rodrigues, que representa um dos dois irmãos de Dantinho, informou que a família não vai se manifestar.
Não há informações sobre a liberação do corpo, velório e enterro.
Fonte: Polícia Civil.
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