Homem invade apartamento e mata ex-mulher com oito tiros em São Lourenço
Douglas Cruz arrombou a porta do quarto e disparou contra Luana Santana na frente da filha de 12 anos; denuncie pelo 180
Um cadeado partido no chão e marcas de perfuração na madeira da porta marcam a entrada do apartamento do Bloco 5 do Residencial São Lourenço 3, em Nova Tiúma, São Lourenço da Mata.
Ali, Douglas Cruz do Nascimento Silva, de 35 anos, invadiu a residência, que fica no primeiro andar, e executou a ex-companheira, a dona de casa Luana Maria Braga de Santana, de 33 anos. O homem efetuou oito disparos contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local, diante da filha de 12 anos. (Veja, abaixo, matéria da TV Tribuna PE com Carlos Simões)
O cerco dentro do imóvel
Douglas utilizou a força para vencer a primeira barreira do apartamento. Luana, ao perceber a invasão, correu para o quarto e travou a porta. O agressor arrombou o acesso e disparou a sequência de tiros. A criança, que estava no imóvel, presenciou o momento em que o homem atingiu a mãe. Após o crime, o suspeito fugiu do prédio.
Planejamento e histórico de ameaças
O pai da vítima, Fernando Roseno Braga, relatou que o homem perseguia e ameaçava Luana há nove meses, desde que o relacionamento terminou. O suspeito conhecia a rotina e a estrutura do local, pois trabalhava como funcionário no próprio condomínio onde a vítima residia.
Há uma semana, Douglas pediu demissão do cargo, movimento que antecedeu o ataque deste final de semana. Ele não aceitava o término do relacionamento. "É um covarde. Homem que é homem, quando se separa da mulher, seja por qual motivo for, tem que deixar a vida seguir".
Investigação e paradeiro
Equipes do Instituto de Medicina Legal (IML) removeram o corpo sob o acompanhamento de familiares. A Polícia Civil de Pernambuco registrou o caso como feminicídio e realiza buscas para localizar Douglas Cruz do Nascimento Silva, que permanece foragido até o fechamento desta reportagem. Luana deixou duas filhas.
O Patriarcado como sistema de dominação
De acordo com a pesquisadora Gabriela Ortega, mestra em diretos humanos pela Universidade Federal de Pernambuco, o feminicídio não é um fato isolado, mas o ápice de um "sistema de dominação-exploração patriarcal" que estrutura a sociedade.
Segundo ela, esse sistema estabelece relações de poder desiguais e hierarquizadas, nas quais o homem exerce controle sobre o corpo, a sexualidade e a vida da mulher, tratando-a como um objeto de sua propriedade.
No contexto do crime, a violência física é utilizada como um instrumento "legítimo" de correção para o que o agressor considera uma insubordinação feminina, naturalizando o extermínio como uma resposta ao descumprimento de papéis sociais pré-estabelecidos.
A lógica do discurso do agressor
Ao analisar os discursos de homens que cometeram feminicídio, Ortega identifica táticas recorrentes para atenuar a culpa e legitimar o ato bárbaro. É comum que o agressor utilize o discurso para inverter os papéis, apresentando-se como a verdadeira "vítima" da situação e culpabilizando a mulher morta pela própria execução.
Através da desqualificação da companheira — rotulando-a como adúltera, desequilibrada ou agressiva — o feminicida busca na "legítima defesa da honra" e no comportamento "destoante" da vítima uma justificativa ideológica que ressoa em estruturas hegemônicas da sociedade, tentando transformar um crime hediondo em uma fatalidade justificada.
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Canais de Ajuda e Denúncia
Se você sofre violência ou conhece alguém em situação de risco, não espere. Procure ajuda:
Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (serviço gratuito e 24h).
Alerta Mulher (TJPE): Aplicativo e suporte para medidas protetivas de urgência.
Polícia Militar: 190 (para emergências e flagrantes).
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