Trabalho por aplicativo impulsiona a venda de veículos usados
Carros seminovos são muito visados por motoristas de aplicativos como Uber e 99, com alguns veículos sendo vendidos na faixa de R$ 50 mil
O trabalho por aplicativo é um dos impulsionadores de vendas de veículos usados no Brasil. Luiz Fernando Muller, presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), explica que carros seminovos são muito visados por motoristas de aplicativos como Uber e 99, com alguns veículos sendo vendidos na faixa de R$ 50 mil.
“Seminovos são uma grande ferramenta. O motorista dificilmente tem condições de comprar um carro novo, por isso ele compra o usado pelo maior custo-benefício”, diz.
Paulo Roberto de Souza, presidente da Associação de Revendedores Independentes de Veículos do Estado, acrescenta que cerca de 25% do setor fornece veículos para aplicativos, beneficiando tanto o setor de seminovos quanto os profissionais que buscam renda.
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Cristiano Dória, sócio responsável pela análise do setor automotivo da consultoria alemã Roland Berger no Brasil, lembra que o custo do seguro, a menor depreciação do carro ao longo do tempo e a ausência de custos como emplacamento favorecem a decisão pelo seminovo. “A garantia de alguns modelos, que pode chegar a seis anos seguindo as revisões periódicas, também atrai”, afirma.
As locadoras de automóveis também contribuem para o dinamismo do mercado de seminovos, sendo hoje a maior parte do faturamento das principais empresas do setor.
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Zero ou seminovo?
Com o recuo no preço dos carros zero quilômetros – e com a chegada dos veículos chineses, que são mais baratos - uma dúvida surge: é mais vantajoso comprar um carro zero ou um seminovo completo?
Segundo o country Manager da MegaDealer, Fábio Braga, o brasileiro está cada vez mais atento ao custo-benefício. “Muitos até abrem mão do zero, se o usado completo estiver com preço justo e em bom estado”, afirma.
O estudo Performance de Veículos Usados (PVU) mostra que os seminovos seguem muito procurados, especialmente os de 1 a 3 anos de uso, que combinam tecnologia atual, baixa quilometragem e preços atrativos.
segundo o CEO da Auto Avaliar, J. R. Caporal, a conta é clara: “Um seminovo pode custar de 20% a 30% menos que o zero equivalente, e sem a desvalorização inicial que ocorre nos primeiros meses de uso”, diz.
Ele diz que, além do preço menor, o usado tende a ter IPVA e seguro mais baixos, o que reduz o custo total do veículo ao longo do ano.
Seminovo ou Usado?
Está no dicionário: seminovo é o “veículo cujo ano de fabricação é recente (geralmente dois ou três anos) e com baixa quilometragem”, enquanto “usado” é algo “gasto pelo uso contínuo ou prolongado; desgastado”.
Mas, na vida real, não há uma classificação oficial para separar os carros dessa forma, ainda que seja quase consenso que aqueles com até 3 anos de uso são seminovos, enquanto os que foram produzidos há 4 anos ou mais são usados.
Ainda há quem inclua quilometragem ou estado de conservação para classificar um veículo como seminovo ou usado. A Federação Nacional das Associações de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), associação que reúne os lojistas, rejeita esses critérios.
Por outro lado, o órgão criou 3 subdivisões entre os usados: jovens, maduros e “velhinho”, sendo o primeiro referente a veículos de 4 a 8 anos de idade; o segundo a veículos de 9 a 12 anos de idade; e o último referente a veículos com 13 ou mais anos de idade.
Ameaça chinesa a usados “premium”
A venda de carros seminovos e usados disparou no Brasil em 2025, mas a categoria “premium” – de veículos usados com valor entre R$ 100 mil e R$ 200 mil – agora lida com a concorrência dos carros 0km chineses.
Os carros chineses já representam 7,8% do mercado brasileiro, segundo dados da Anfavea.
Conforme explica o diretor de Comunicação da Associação de Revendedores Independentes de Veículos do ES (Arives) e proprietário da Naxter Veículos, André Paullo Silva, com a chegada dos carros chineses – híbridos e elétricos–, há hoje no mercado veículos com alta tecnologia com um preço atrativo, próximo ao valor dos chamados “usados premium”, o que fará com que o setor de seminovos e usados tenha de se adaptar.
“Isso faz com que veículos seminovos e usados percam competitividade. Os que estão nessa faixa de preço, entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, vão ter de ter uma adequação de preço. Os carros chineses estão impondo esse desafio ao setor”.
Segundo o CEO Da MegaDealer, J. R. Caporal, a concorrência com os chineses faz com que os seminovos entre R$ 100 mil e R$ 200 mil possam parecer “caros” ao consumidor. “Vários modelos tendem a sofrer mais desvalorização do que valorização nos próximos meses. É uma questão de oferta e procura”, afirma.
Porém, o próprio Caporal destaca que, mesmo com a concorrência asiática, o mercado de usados e seminovos não irá desaquecer, especialmente para veículos abaixo dos R$ 100 mil, que são a maioria.
“Além do preço menor, o usado tende a ter um IPVA e um seguro mais baixos, o que reduz o preço total do veículo ao longo do ano”, explica Caporal.
Segundo a Federação Nacional das Associações de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), o ano de 2025 foi de recorde histórico de vendas de veículos usados, tanto no Brasil quanto no Estado.
“Aqui no Estado foram mais de 460 mil veículos vendidos em 2025. Nunca, em período algum, o mercado do Espírito Santo teve esse volume comercializado no setor de usados e seminovos”, observa Silva.
Presidente da Fenauto, Enilson Sales diz que a tendência é que os carros usados ainda sejam mais comprados do que os veículos novos. “A gente tem uma comparação de que, a cada carro novo vendido, seis veículos usados são comercializados”.
Proprietário de uma loja de seminovos e um dos diretores da Arives, Romeu Monaldi Marroquio destaca que mesmo com a concorrência dos carros 0km chineses, veículos usados e seminovos terão valorização se estiverem com manutenção em dia e bem cuidados.
“É sempre bom lembrar que com o valor de um carro zero com poucos opcionais, é possível comprar um seminovo com mais opcionais e vários acessórios já instalados”, afirma.
Recordes de venda
A venda de veículos seminovos e usados bateu recorde em 2025, tanto no Brasil quanto no Espírito Santo.
No Brasil, foram comercializados 18.508.000 unidades de janeiro a dezembro de 2025, superando os 15.777.594 vendidos em todo o ano de 2024 e sendo o recorde histórico.
O mesmo ocorre no Espírito Santo: de janeiro a novembro do ano passado, foram 460.830, vendas de veículos usados ou seminovos, um aumento de 27,4% em relação às vendas em todo o ano de 2024 (396.152 unidades). Ainda não há dados locais de janeiro a dezembro de 2025.
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