Fim da escala 6 x 1: economista diz que adoção de nova escala será difícil no ES
Eduardo Araujo destaca que comércio e serviços, com longas jornadas e alta demanda por mão de obra, concentram a maior parte dos empregos no ES
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Para o economista Eduardo Araujo, o perfil do mercado de trabalho no Espírito Santo tende a dificultar a adoção de uma jornada de 40 horas no curto prazo.
Ele explica que isso ocorre porque grande parte do emprego no ES está em comércio e serviços, setores que funcionam por longos horários e dependem de mão de obra contínua.
Além disso, acrescenta, o Espírito Santo tem muitas pequenas e médias empresas, que costumam operar com margens apertadas e pouca capacidade de reorganizar turnos rapidamente.
“Na prática, isso significa que o impacto da redução de jornada tende a ser mais pesado justamente onde há menos fôlego financeiro para absorver aumento de custos”, destaca.
O especialista ainda afirma que o efeito no setor da construção apareceria mais rápido, uma vez que ele usa intensamente jornada estendida em fases de pico da obra.
Vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, acrescenta que modelos adotados em países de alta tecnologia e elevada produtividade não podem ser transplantados para o Brasil sem os devidos ajustes.
Ele explica que a federação reconhece a legitimidade da melhoria contínua das condições de trabalho, mas defende que avanços ocorram por meio da negociação coletiva, respeitando as especificidades setoriais.
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