Fim da Escala 6 x 1 vai aumentar os custos para as empresas, diz estudo
Mudança em discussão deve elevar em até 17,57% o gasto das empresas, mas análise é de que há condições de absorver o impacto
Siga o Tribuna Online no Google
O fim da jornada 6x1 deve aumentar custos para as empresas, mas o mercado de trabalho possui condições de absorver esse impacto. É o que afirma estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado na terça-feira (10).
De acordo com a análise, a redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio do trabalho celetista em 7,84% ou 17,57%, dependendo se a redução for para 40 ou 36 horas, respectivamente.
Realizada pelos técnicos de planejamento e pesquisa Felipe Pateo e Joana Melo, e pela bolsista Juliane Círiaco, a análise é baseada nos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023.
Eles argumentam que o aumento do custo de trabalho não implica em redução da produção, e que o mercado teria condições de absorver esse custo, com base em estudos e em casos de aumento do salário mínimo no Brasil, como aconteceu em 2001, quando o reajuste foi de 12%.
Economista e diretor-geral da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola concorda. Ele aponta que o efeito da redução de 44 horas se dilui no custo total das empresas. Destaca ainda que os efeitos na economia capixaba seriam moderados.
“O Espírito Santo possui uma estrutura produtiva diversificada, com forte presença de comércio, serviços e indústria, setores que, segundo o estudo, sentiriam impactos limitados”, destaca.
Para o especialista, a mudança não tende a provocar desorganização econômica relevante, e pode resultar em efeitos sociais positivos, desde que implementada de forma gradual e negociada.
Coordenador da Câmara de Empreendedorismo do Conselho Regional de Administração, Glaucio Siqueira avalia que o estudo do Ipea é limitado, do ponto de vista macroeconômico. Ele argumenta que a análise restringe-se ao impacto do aumento do salário, sem levar em consideração a realidade nacional. Um exemplo, ele aponta, é a escassez de trabalhadores.
“A falta de mão de obra está absurda. Se houver a redução da jornada, terei que contratar mais. E onde vou encontrar mais gente?”, questionou, ressaltando que há locais fechando por esse motivo.
Mudança diminuiria desigualdades sociais, diz Ipea
Quem trabalha 44 horas no País? De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (Ipea), a maior concentração é de trabalhadores de menor renda e escolaridade.
Por esse motivo, os pesquisadores destacam que o fim da escala 6x1 diminuiria as desigualdades sociais.
“Ela reduziria desigualdades no mercado de trabalho formal, uma vez que as jornadas estendidas estão mais presentes em trabalho de baixa remuneração e maior rotatividade”, afirma o técnico de planejamento e pesquisa Felipe Pateo.
O estudo aponta que a remuneração mensal média para os vínculos de 40 horas semanais é de R$ 6.211. Os trabalhadores com jornada de 44 horas recebem, em média, apenas 42,3% desse valor.
A desigualdade é apontada como maior quando se observa o salário por hora: a remuneração horária da jornada de 44 horas corresponde a 38,5% daquela registrada entre os contratos de 40 horas semanais.
Acrescenta ainda que mais de 83% dos vínculos de pessoas com até o ensino médio completo estão nessa condição, proporção que cai para 53% entre aqueles com ensino superior completo.
O levantamento aponta ainda que a jornada longa tem impacto negativo na presença da mulher no trabalho formal.
“O possível impacto sobre o PIB deve ser sopesado com o aumento da qualidade de vida do trabalhador, o tempo disponibilizado para a realização de tarefas de cuidados e as consequências para a melhora da saúde da população”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários