ES já conta com duas montadoras de veículos
Agrale e a Marcopolo estão instaladas em São Mateus, no Norte capixaba
Duas montadoras já presentes no Estado, a Agrale e a Marcopolo, que estão instaladas em São Mateus, no Norte capixaba, produzem 34 veículos por dia.
A Marcopolo informou que a fábrica de São Mateus recebeu investimentos para modernização e ampliação da capacidade produtiva em 2024 e 2025, e ampliou a produção de 16 para 26 unidades por dia.
“A unidade está preparada para fabricar modelos urbanos, como Otorrino, modelos elétricos, como o Attivi Integral, e micro-ônibus da marca Volare em diferentes modelos”, disse, em nota.
Já a Agrale, entre 2024 e 2025, passou por um processo de expansão em São Mateus que aumentou em 43% a área fabril.
No ano passado, completou 10 anos no Estado, alcançando cerca de 5 mil veículos montados, somando chassis e caminhões fabricados no local.
Essa ampliação incluiu a criação de um espaço produtivo maior.
Como resultado, a capacidade diária de montagem cresceu de cinco para até oito veículos, incluindo modelos de até 12 toneladas, conforme informações da empresa.
“Água fria” para os gaúchos
O termo de compromisso assinado pelo Governo do Espírito Santo com a chinesa Great Wall Motors (GWM) jogou um balde de água fria no Rio Grande do Sul.
Há meses, o governo gaúcho negociava com a montadora para conquistar a fábrica, disputada também pelo Paraná. Executivos chegaram a ir mais de uma vez ao RS, recebidos por autoridades.
O assunto foi destaque na coluna de Giane Guerra, do Zero Hora. Ela chegou a citar que o Espírito Santo é bem agressivo na sua política de incentivos e na sua estrutura logística. “A GWM já importa veículos pelo Porto de Vitória, mas os capixabas, como a coluna acompanha há anos, têm muito sangue no olho. Já levaram até empresas gaúchas bem instaladas aqui”.
Presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki afirmou que o estado gaúcho ainda tentará outros projetos da empresa.
Já o secretário de Desenvolvimento, Inovação e Economia do Mar do Rio Grande do Sul, Vitor Magalhães, disse estar de luto. “Nos esforçamos bastante, mas claramente não foi suficiente. Agora é levar como aprendizado para melhorar para as próximas”.
SAIBA MAIS
Investimento bilionário
> O investimento total da GWM no Brasil chegará a R$ 10 bilhões em dez anos. Esse montante é composto por uma primeira fase de investimento, de R$ 4 bilhões, que vai até 2026 e que inclui o lançamento da marca no País e reativação e ampliação da fábrica de Iracemápolis (SP).
> Na segunda fase, a empresa investirá mais R$ 6 bilhões — entre 2027 e 2032 —, impulsionando ainda mais a criação de empregos, a nacionalização de peças e o desenvolvimento de novos produtos.
Sistema
> A operação brasileira seguirá o sistema peça por peça (part by part), um processo mais complexo que o SKD e o CKD tradicional, que conta com conteúdo nacional já no primeiro ano, incluindo pintura para 100% dos veículos produzidos no País e incorporação de componentes de fornecedores nacionais.
Fornecedores
> A GWM Brasil tem mais de 110 empresas cadastradas interessadas em fornecer componentes, das quais 18 já são fornecedores que estão participando da produção e desenvolvimento dos primeiros veículos, caso de empresas como Basf, Bosch, Continental, Dupont e Goodyear.
Importação de veículos
> Atualmente, todos os veículos GWM importados da China chegam ao Brasil pelo Porto de Vitória, por meio da operação logística conduzida em parceria com a Comexport, uma das maiores tradings do País.
> Segundo o governo do Espírito Santo, a GWM importou mais de 45 mil veículos pelos portos capixabas no ano passado.
> A escolha do Espírito Santo para esse processo se deve à eficiência logística, à localização estratégica e à infraestrutura portuária de excelência oferecida pelo Estado.
Empregos e renda
> A previsão, segundo empresários e o governo do Estado, é que empregos qualificados sejam criados na região com a instalação da fábrica, o que dará oportunidade de aumento da renda para a população.
> Iniciativas de qualificação profissional podem surgir a partir da confirmação da vinda da montadora para o Espírito Santo. É esperada uma parceria com o Sistema S para formação de mão de obra, por exemplo.
Fonte: Governo do Estado, GWM e pesquisa A Tribuna.
ANÁLISE
“Vagas para mão de obra altamente qualificada”
“O lema 'Trabalha e Confia' nunca fez tanto sentido. O Espírito Santo segue projetando seu nome no cenário internacional e se consolidando como um território confiável para grandes investimentos.
Com gestão responsável, segurança jurídica e um ambiente de negócios atrativo, o Estado se tornou o destino ideal para gigantes globais.
É nesse contexto que se insere o negócio de bilhões da China no Espírito Santo, anunciado hoje (ontem) pelo governador Renato Casagrande e pelo vice-governador, Ricardo Ferraço. Sem dúvida, um marco histórico para o desenvolvimento capixaba.
O compromisso firmado para a instalação de uma montadora de carros elétricos em solo capixaba une inovação sustentável à nossa vocação industrial.
Trata-se de um investimento estratégico que reforça a previsibilidade e a visão de futuro do Espírito Santo.
Esse empreendimento também contribui para a transição da matriz energética, com o uso de energia limpa e tecnologias alinhadas às demandas globais.
Além disso, impulsiona a criação de empregos qualificados e novos negócios.
Essa mão de obra que vai operar na fábrica é altamente qualificada. Estamos falando de carros com alta tecnologia. Por isso, a formação profissional será fundamental.” - Pablo Lira, diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN)
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