Alerta para aumento nos golpes contra idosos no início do ano
Fraudes crescem e atingem aposentados, com armadilhas via WhatsApp, Pix e falsas ofertas. Quatro em dez já sofreram prejuízos
O País vive um aumento de golpes contra aposentados e idosos, considerados a parcela da população mais vulnerável a estelionatos virtuais, segundo estudos e especialistas. Eles veem o cenário atual como uma “epidemia” de fraudes, e destacam que o início do ano é caracterizado por um aumento na ação dos criminosos.
O advogado João Eugênio Modenesi Filho ressalta a gravidade do problema e cita que os idosos precisam ter atenção a supostas ofertas ou solicitações por meio do WhatsApp.
Ele conta que a situação neste início de ano, devido ao verão, é mais alarmante por conta de falsas ofertas de viagens, hospedagens e anúncios em geral.
“Os idosos precisam ter a informação de que podem bloquear a concessão de empréstimos no sistema do governo, porque muitos acabam cedendo seus dados sem perceber, ou mesmo deixando que filmem seu rosto”, destaca.
Entre idosos, é comum o chamado estelionato. São crimes contra o patrimônio, com promessas de empréstimos falsos, boletos clonados e centrais bancárias fictícias, além de clonagem de cartão, golpe do Pix, central de banco fictícia e até captura de dados via telefone e internet.
Ou seja, os idosos são enganados por uma engenharia social em que os criminosos montam falsas centrais telefônicas e pesquisam e cruzam dados disponíveis nas redes sociais ou invadindo bancos de dados.
Uma pesquisa realizada pela Silverguard e o Instituto Opinion Box mostra que 4 em cada 10 idosos já foram vítimas de golpes financeiros, e quase metade sofreu ao menos uma tentativa recente.
De acordo com o estudo, entre os que já foram vítimas, 40% passaram por mais de um golpe e 80% registraram perdas financeiras. Os entrevistados também relatam frustração (29%), raiva (25%), medo (19%), vergonha (11%) e impactos na saúde.
Mesmo aqueles que não caíram em algum golpe ou não chegaram a perder dinheiro relatam mudança de hábitos: 57% deixaram de cadastrar cartão em sites pouco conhecidos e 49% evitam abrir links, mesmo enviados por familiares.
“Golpes digitais se alimentam da pressa e da desatenção. Quanto mais informada a população estiver, mais difícil será para os golpistas terem sucesso em suas investidas”, afirma o especialista em segurança digital Eduardo Pinheiro.
Saiba mais
Como ajudar os idosos?
Nem todos os idosos estão familiarizados com os ambientes digitais, com conversas que acontecem em aplicativos de mensagens e com links falsos, por exemplo.
Isso faz com que, se eles forem vítimas de golpes ou de fraudes, os prejuízos sejam tão complicados quanto seria com pessoas que conhecem um pouco melhor sobre internet.
Por causa disso, se você conhece uma pessoa de mais idade, é ideal entender como explicar sobre os riscos dessas situações e a auxiliar esse público a reconhecer quando uma situação é golpe.
Senhas fortes
Oriente-os a criar combinações mais seguras e a não compartilhar essas senhas com ninguém.
Dicas para criar senha forte: Use letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos; evite datas de nascimento, nomes de parentes ou sequências fáceis; não repita senhas entre diferentes serviços; troque as senhas periodicamente.
Dispositivos protegidos
Todo dispositivo deve ter um programa de antivírus instalado. Isso porque se trata de um recurso ideal para criar mais uma camada protetora contra todos os tipos de vírus, de forma a identificar possíveis ameaças, mesmo antes de serem instaladas.
Oriente o idoso a: manter o celular e o computador atualizados; utilizar antivírus confiável; ativar bloqueio de tela com senha ou biometria; não clicar em links de remetentes desconhecidos.
Isso proporcionará correções de vulnerabilidades e bugs, aumentando a segurança e melhorando o desempenho dos equipamentos.
Mostre exemplos reais
Use imagens ou capturas de tela com mensagens falsas, e-mails suspeitos e links maliciosos para mostrar como esses golpes acontecem na prática. Isso ajuda o idoso a identificar fraudes com mais facilidade.
Oriente
Reforce com o idoso que bancos nunca pedem informações confidenciais por telefone, SMS ou e-mail. Também nunca enviam motoboys ou entregadores para recolher cartões ou documentos.
E se idoso cair num golpe?
Entre em contato com o banco imediatamente para bloquear contas e cartões; Registre um boletim de ocorrência em uma delegacia física ou online; Avise familiares ou cuidadores para garantir suporte emocional e orientação; Reúna provas: prints, números de telefone, links, e-mails ou mensagens trocadas com o golpista; Acompanhe o processo com o banco para tentar o ressarcimento (quando aplicável) e reforçar os alertas de segurança.
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