O Brasil não pode desperdiçar os seus talentos
Relatório da OCDE aponta Brasil entre líderes em jovens fora da escola e do trabalho e reforça urgência no combate à evasão escolar
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A volta às aulas se aproxima e, com ela, dados que precisam nos inquietar. O Education at a Glance 2025, relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra o Brasil em uma posição desfavorável quando o assunto é permanência de jovens na escola. O país aparece em 4º lugar no ranking de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados “nem-nem”. É um alerta claro: estamos perdendo adolescentes justamente na etapa que deveria conectá-los ao futuro.
O Censo Escolar reforça esse cenário. O ensino médio segue concentrando os piores índices de repetência e abandono da educação básica.
São quase 47 milhões de estudantes matriculados no Brasil, mas muitos não chegam ao final dessa jornada. Quando isso acontece, não falamos apenas de evasão escolar. Estamos falando de talento desperdiçado.
Ao longo da minha trajetória à frente do Instituto Ponte, aprendi que evasão não é falta de capacidade. Na maioria das vezes, é falta de apoio, de acompanhamento e de perspectiva.
Em contextos de vulnerabilidade social, abandonar a escola passa a ser uma decisão prática diante de dificuldades reais. O problema é que o custo dessa decisão é coletivo e permanente.
Nosso compromisso é simples e rigoroso: identificar talentos, garantir que eles não fiquem pelo caminho e desenvolver todo o seu potencial, criando as condições para que alcancem a ascensão social.
Por isso, oferecemos apoio acadêmico e socioemocional contínuo. O resultado é objetivo e mensurável: 100% dos nossos alunos retornam às aulas, concluem o ensino médio e ingressam no ensino superior.
Vejo isso acontecer de perto. Jovens que chegaram até nós aos 12 anos, cheios de potencial, mas sem referências, hoje estão na universidade, inseridos no mercado de trabalho e ajudando suas famílias financeiramente. Quando o aluno permanece na escola, o ciclo muda. A evasão deixa de ser destino.
Falamos de produtividade, inovação e crescimento sustentável das empresas, mas seguimos perdendo talentos antes mesmo que eles cheguem ao mercado de trabalho.
Cada jovem que abandona o ensino médio representa menos formação, menos renda futura e menos desenvolvimento econômico.
A evasão escolar não é inevitável. Quando há oportunidade, acompanhamento e perspectivas, o aluno fica.
Com a chegada de mais um ano letivo, o convite é claro: o Brasil não pode continuar desperdiçando talentos. Eles existem e precisam apenas de uma ponte para seguir adiante.
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