Filhos e pais no modo zumbi
Uso excessivo das telas pode transformar crianças e adolescentes em “zumbis digitais” dentro de casa
Cláudio Miranda
Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP
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É comum os pais trazerem um filho para a terapia com a queixa de que ele fica tempo demasiado no celular, no computador, nos jogos e nas redes sociais. O filho prefere ficar jogando com os amigos horas a fio em vez de ficar com a família.
Alguns se trancam no quarto e não saem nem para comer, ou, comem dentro do quarto mesmo.
Alguns adolescentes desenvolvem um comportamento agressivo quando são interrompidos durante o jogo ou quando estão nas redes sociais.
Ao longo do tempo, muitos podem apresentar falta de desejo de interagir socialmente e mostrar sinais de depressão e de ansiedade. Se na sua família você tem crianças e adolescentes nessa situação, fique atento.
Esse isolamento emocional que se apossa dessa geração nos faz lembrar a figura dos zumbis representados nos filmes de terror que são o corpo de uma pessoa morta que parece estar viva, mas que não tem vontade própria e nem autonomia.
Filhos assim perdem a capacidade de se relacionar e de conviver harmonicamente com seus pais e irmãos.
O uso demasiado da internet mostra um comportamento tão distante que podemos dizer que eles estão no modo zumbi, alheios e desconectados da realidade.
Se seu filho está nessa situação, ele precisa de ajuda urgente. Somente com a intervenção de um adulto eles conseguirão sair desse aprisionamento que a internet provoca.
Infelizmente, às vezes, nos deparamos com uma “família de zumbis” na qual pais e filhos vivem distantes uns dos outros. Nesses casos o “adoecimento” é generalizado e mais grave.
Espera-se, normalmente, que os pais acolham e eduquem seus filhos. No entanto, há situações em que são os pais que precisam de socorro e de orientação terapêutica.
Avalie se você tem um filho zumbi dentro de casa. Principais comportamentos:
- Consome grande parte do tempo em jogos e redes sociais.
- Não te ouve quando você o chama.
- O jogo sempre é mais importante.
- Ele é capaz de ficar um dia inteiro dentro do quarto jogando.
- Se for interrompido pode ficar agressivo.
- Se mostra frequentemente sem paciência com pais e irmãos.
- Não faz as refeições em família.
- Apresenta rendimento escolar ruim.
- Às vezes ele não reconhece a sua autoridade e nem seu amor por ele.
- Ele acha chato conversar.
Se o seu filho apresenta pelo menos três itens da relação acima, certamente ele já está numa situação crítica e precisa de um suporte psicoemocional. Provavelmente o diálogo na sua casa se deteriorou e as relações estão estragadas.
A saúde emocional de crianças e jovens assim tendem a ficar cada vez mais comprometidas.
Para corrigir e ajudar os filhos, pais não precisam proibir completamente o celular e o computador, mas devem combinar com o filho um tempo de uso moderado para que possam fazer outras atividades de convívio e de relacionamento sociofamiliar.
Nos casos mais graves, a ajuda de um profissional especializado é importante para ressignificar o modo de se relacionar dessa família.
O equilíbrio de uma casa acontece pela comunicação harmoniosa e pela alegria em compartilhar momentos juntos. Família é uma construção de cada dia, fique atento e cuide da sua.
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