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OPINIÃO ECONÔMICA

Entre o ganho do petróleo e o custo dos combustíveis

Conflitos no Irã elevam incertezas e pressionam combustíveis, inflação e economia

Felipe Storch, Colunista do Jornal A Tribun | 23/03/2026, 12:33 h | Atualizado em 23/03/2026, 12:33
Opinião Econômica

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          Imagem ilustrativa da imagem Entre o ganho do petróleo e o custo dos combustíveis
Felipe Storch é economista-chefe do Ibef-ES |  Foto: Divulgação

A intensificação de conflitos no Irã reacende um dos principais canais de transmissão de choques para a economia global: o petróleo. Mais do que a elevação imediata dos preços, o que está em jogo é o aumento da incerteza sobre oferta, logística e expectativas, com efeitos diretos sobre combustíveis, inflação e atividade econômica.

O primeiro impacto ocorre pelo canal de preços. Em cenários de conflito envolvendo grandes produtores ou rotas estratégicas de escoamento, como o Estreito de Ormuz, o mercado passa a incorporar um prêmio de risco geopolítico.

Esse movimento eleva o preço internacional do barril, que é referência para a formação dos preços dos combustíveis no Brasil, ainda que haja mecanismos de suavização de repasses no curto prazo.

O segundo é o risco logístico. Mesmo sem interrupção da produção, a simples ameaça a rotas marítimas pode elevar custos de frete, seguros e tempo de transporte. Isso encarece a importação de derivados e gera pressão adicional sobre diesel e gasolina, com impactos sobre transporte, alimentos e cadeias produtivas.

A discussão sobre desabastecimento, por sua vez, exige cautela. Um cenário de escassez física no Brasil é menos provável no curto prazo, dada a diversificação de fornecedores e a atuação de estoques regulatórios e comerciais.

No entanto, o risco aumenta em situações de escalada prolongada do conflito, bloqueios logísticos ou restrições comerciais mais severas. Mais importante do que a falta de produto, no entanto, é a possibilidade de desorganização de preços e margens, o que pode gerar distorções no abastecimento local.

Do ponto de vista macroeconômico, o choque de combustíveis atua como um imposto implícito sobre a economia. eduz a renda disponível das famílias, eleva custos das empresas e pressiona a inflação, especialmente via transporte e energia.

Esse ambiente pode limitar o espaço para cortes de juros, ao prolongar o processo de convergência inflacionária.

Para o Brasil (e para o Espírito Santo) a alta do petróleo gera um efeito ambíguo. Por um lado, o país se beneficia como exportador de óleo bruto, com aumento das exportações e expansão das receitas de royalties, o que fortalece o caixa de estados e municípios produtores.

No caso capixaba, esse efeito é relevante, dado o peso da produção offshore na economia estadual e na arrecadação pública, podendo impulsionar investimentos e atividade no curto prazo.

Por outro lado, persiste uma vulnerabilidade estrutural: o Brasil não é autossuficiente em derivados, especialmente diesel. Isso faz com que a alta internacional encareça combustíveis, pressionando custos logísticos, inflação e competitividade.

No Espírito Santo, essa contradição é ainda mais clara. O Estado produz petróleo, mas depende da importação e distribuição de derivados, ficando exposto ao custo do frete e à volatilidade externa. O resultado é uma economia que ganha com exportações, mas perde via encarecimento de insumos essenciais.

Em síntese, a guerra amplia a incerteza e reforça a importância de fatores estruturais, como capacidade de refino, diversificação energética e resiliência logística. Em um cenário global instável, a segurança energética passa a ser uma variável central para a estabilidade econômica.

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