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OPINIÃO ECONÔMICA

O varejo na era da IA invisível: Quem convence o algoritmo?

Avanço da “IA invisível” transforma o varejo e impõe novo desafio: vender para algoritmos sem perder a conexão humana

Floriano Schneider | 17/03/2026, 13:13 h | Atualizado em 17/03/2026, 13:13
Opinião Econômica

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          Imagem ilustrativa da imagem O varejo na era da IA invisível: Quem convence o algoritmo?
Floriano Schneider, especialista em estratégias de vendas e negócios |  Foto: Divulgação

Após três décadas acompanhando as metamorfoses do mercado, achei que já tinha visto todas as grandes revoluções de vendas. Mas o que acaba de se consolidar é algo mais profundo que a digitalização: entramos na era do Comércio Agêntico.

Se antes lutávamos pela atenção do consumidor nas prateleiras ou nas telas, o desafio agora é outro. Hoje, em muitos casos, o cliente nem chega a ver todas as opções. Quem decide por ele é uma Inteligência Artificial agêntica, que filtra, escolhe e recomenda com base em dados.

Esse foi o assunto de maior destaque na maior feira sobre o varejo mundial o NFR (National Retail Federation), que aconteceu em Nova Iorque em janeiro.

Essa “IA Invisível” mudou o jogo. Imagine que o assistente pessoal do seu cliente agora é o “porteiro” do consumo. Ele sabe a marca de café preferida, o tamanho da camisa e o limite do cartão. Ele não apenas sugere; ele decide.

Para nós, gestores e vendedores, isso traz uma pergunta inquietante: como vender para alguém que delegou sua escolha a uma máquina?

Neste novo cenário, a nossa maior mercadoria não é o produto, mas o dado. E aqui mora o grande gargalo: o seu dado é “limpo” o suficiente para ser lido e recomendado por uma IA?

Se as informações do seu estoque, suas descrições e seus preços não estiverem estruturados com perfeição técnica, sua marca simplesmente deixará de existir para esses assistentes. O varejo de 2026 não perdoa o amadorismo informacional. A eficiência operacional agora é, antes de tudo, uma eficiência de dados.

Contudo, observando essa automação quase cirúrgica, venho reforçando uma convicção que carrego desde o início da minha carreira: a tecnologia automatiza o que é mecânico para que possamos humanizar o que é relacional.

Por mais que o algoritmo decida a compra de reposição, ele ainda não consegue replicar a experiência do pertencimento. É aí que o varejo físico e o contato humano ganham um valor premium.

O Comércio Agêntico resolve a conveniência, mas não resolve o desejo. Cabe a nós usar a IA para eliminar a fricção da rotina e liberar tempo para o que realmente importa: a conexão.

O desafio do varejista moderno é ser tecnicamente impecável para os algoritmos, mas emocionalmente insubstituível para as pessoas. No fim das contas, todos continuamos sendo vendedores, mas agora precisamos aprender a convencer tanto o código quanto o coração.

O futuro não é sobre máquinas substituindo escolhas, mas sobre marcas que aprendem a ser “lidas” pelo sistema sem perder a alma que as conecta ao cliente.

Sua empresa está pronta para ser recomendada por um robô sem perder o seu toque humano?

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