O caso de Vitória mostra que a educação digital virou urgência
Caso envolvendo uso de inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez entre estudantes reacende debate sobre cyberbullying
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
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Infelizmente, a história volta a se repetir. Após episódios registrados em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Cuiabá, chegou a vez de Vitória enfrentar um caso de grande repercussão envolvendo adolescentes que utilizaram inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez de meninas colegas de turma.
A tecnologia muda, evolui e se torna cada vez mais sofisticada. Porém, alguns comportamentos infelizmente permanecem os mesmos. O que antes era praticado por meio de montagens grosseiras ou exposição vexatória nas redes sociais, agora ganha novas dimensões com o uso de ferramentas de inteligência artificial capazes de produzir imagens falsas extremamente realistas.
O episódio também evidencia uma realidade preocupante: mesmo após mais de uma década da entrada em vigor da Lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying e cyberbullying), ainda convivemos com situações de violência psicológica e moral praticadas entre crianças e adolescentes.
Quando esse tipo de agressão chega ao ponto de envolver a criação e disseminação de imagens íntimas falsas de colegas de turma, utilizando recursos tecnológicos avançados, somos obrigados a reconhecer que ainda estamos longe de alcançar um ambiente de convivência marcado pelo respeito e pela empatia.
Parte desse problema está diretamente relacionada à ausência de orientação preventiva e contínua sobre o uso da internet e das novas tecnologias. Muitos adolescentes simplesmente não têm a menor noção da gravidade de suas atitudes. Tanto aquele que cria a imagem pornográfica falsa da colega, quanto aqueles que, sem qualquer tipo de filtro ou reflexão, passam a compartilhar o material em grupos de mensagens ou redes sociais.
Quanto aos pais, é preciso reconhecer que muitas vezes existe uma grande distância entre o mundo digital dos filhos e o conhecimento que os adultos têm sobre esse universo. Em muitos casos, a omissão no dever de orientar e supervisionar não ocorre por má vontade, mas por desconhecimento da chamada “bolha digital” em que os jovens estão inseridos e da influência exercida por determinadas amizades, sejam elas presenciais ou virtuais.
É justamente nesse contexto que ganha ainda mais importância o chamado ECA Digital, que entra em vigor na próxima terça-feira. Em seu artigo 3º, a legislação reforça o dever dos pais de exercerem um cuidado ativo e contínuo em relação ao que crianças e adolescentes fazem no ambiente digital.
As escolas, por sua vez, também precisam ampliar as ações educativas de prevenção e conscientização. O ambiente escolar continua sendo um espaço essencial para promover debates sobre ética digital, respeito ao próximo e responsabilidade no uso das tecnologias.
A inteligência artificial não é o problema. O verdadeiro desafio está em preparar as novas gerações para utilizá-la com responsabilidade, empatia e consciência das consequências de seus atos. Educar é preciso!
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