Ultrassons super-realistas mostram rostinho de bebês
O chamado “ultrassom 8D” utiliza Inteligência Artificial na melhoria da resolução das imagens adquiridas do feto em 3D e 4D
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Durante a gravidez, a mulher realiza ultrassons que servem para monitorar o desenvolvimento do bebê e a saúde da mãe.
Nos exames tradicionais, a imagem pode não ser tão clara e nítida, mas a tecnologia tem auxiliado a medicina. Um exemplo são os ultrassons super-realistas, chamados, comercialmente, de “ultrassom 8D”, que permitem ver traços do bebê, como a pele.

A médica radiologista Anna Luisa Brandão, especialista em diagnóstico por imagem, explica que o 8D nada mais é do que um nome comercial para o uso dos recursos da Inteligência Artificial na melhoria da resolução das imagens adquiridas do feto em 3D e 4D.
“O 8D é uma versão ainda mais realística, porque com as novas tecnologias das máquinas, que já vêm com essa Inteligente Artificial, a gente consegue pegar essas imagens em 3, 4 e 5D e aprimorá-las. Por exemplo, às vezes tem uma placenta ou um bracinho na frente de uma parte do rostinho, e a Inteligência Artificial tira esse bracinho ou placenta, possibilitando ver o rostinho inteiro do bebê”, explica.
O ultrassonografista geral Sérgio Marcos Ferreira Costa esclarece que as imagens 8D, apesar da beleza e riqueza de detalhes, não podem e não devem ser usadas para o diagnóstico, uma vez que não se pode garantir que seja uma representação fiel do feto em si.
Sérgio destaca, porém, que o ultrassom não deve ser encarado somente de forma técnica e fria por parte do médico.
“Usamos o que tem de melhor em Inteligência Artificial para transformar os dados de um exame altamente técnico em uma recordação para uma vida toda”.
Segundo o médico Rodolfo Henriques Araújo, especialista medicina fetal do Hospital São José, o melhor período para fazer o ultrassom 3D é entre 26 e 30 semanas. “Dependemos de vários fatores para conseguirmos uma boa foto do bebê. Nessa fase, eles mexem mais e conseguimos com mais facilidade uma foto”.
O médico Flávio Braga, pós-graduado em ultrassonografia geral e medicina fetal, frisa ainda que a tecnologia 8D não traz benefícios na avaliação da face do feto.
“Ela pode alterar alguns fatores para deixar o bebê mais bonito. Ela não aumenta a minha visão e nem melhora a acurácia do diagnóstico, por exemplo, de uma malformação de boca e de nariz. Para fazer diagnósticos usamos o 3D”, destacou.
Alegria da mamãe e do papai
“Foi emocionante ver o rostinho dela”

Grávida de 35 semanas da Helena, a contadora Amanda Aleixo, de 26 anos, recentemente passou por um ultrassom com doppler.
O médico que realiza o exame, segundo Amanda, sempre mostra e imprime uma foto do ultrassom 3D para ela e seu marido.
“Depois da consulta, ele me mandou uma mensagem com a mesma foto do ultrassom, porém de forma mais realista. Todo ultrassom meu esposo diz que tem dificuldade para enxergar nitidamente e acabou virando uma brincadeira nossa. Acredito que por isso o médico tenha nos presenteado com essa imagem tão linda”.
“Foi emocionante ver o rostinho dela com tantos detalhes e de uma forma tão realista. Foi como senti-la aqui com a gente”, ressaltou.
Entenda as diferenças
Ultrassom
Tem o objetivo de verificar o desenvolvimento fetal, a presença de patologias, como malformações fetais, crescimento e desenvolvimento fetais e mais ainda: calcular os riscos de parto prematuro e de eclâmpsia, responsável pela maior taxa de mortalidade materna perinatal, explica o ultrassonografista geral Sérgio Marcos Ferreira Costa.
Ultrassom 3D
O ultrassom 3D funciona como uma aquisição multiplanar: várias imagens são captadas em diferentes ângulos e processadas em um bloco tridimensional, que pode ser manipulado para ajustar luz, retirar partes da placenta ou melhorar a visualização do bebê.
O 4D é, na prática, o 3D em tempo real. Ele mostra os movimentos do feto — como piscar, sorrir ou levar a mão à boca — tornando a experiência mais próxima da realidade dos pais, explica o médico Flávio Braga.
Imagens 8D
O “Ultrassom 8d” nada mais é do que um nome comercial, utilizado para o uso dos recursos da Inteligência Artificial na melhoria da resolução das imagens adquiridas do feto em 3D e em 4D.
O 8D aplica algoritmos de renderização de superfície, cor e textura, tornando a imagem mais “realista” e agradável à visualização, explica a médica radiologista Anna Luisa Silva Campos Brandão.
A imagem, porém, segundo especialistas, não é uma ferramenta para ser usada em diagnósticos e pode não representar 100% da feição do bebê.
O que eles dizem
Inteligência Artificial

“O 'ultrassom 8D' é obtido a partir das imagens 3D, usando como meio as ferramentas de Inteligência Artificial. Essas ferramentas pegam as imagens e retiram os artefatos, suavizam a textura da pele e realçam os contornos. Mas sempre deixo bem claro que essas imagens não fazem parte do exame em si e não tem valor diagnóstico”.
Textura de pele

“Algumas máquinas mais novas de ultrassom já têm esse software incorporado. Mas não é o ultrassom que vai fazer a imagem em 8D. O ultrassom vai conseguir uma imagem 3D bruta e a Inteligência Artificial vai atuar dentro dessa imagem para torná-la mais real, com textura de pele”.
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