Temporada de férias já teve 20 mortes por afogamento no Espírito Santo
Elas ocorreram em praias, lagoas, rios, cachoeiras e piscinas no Estado. Especialistas dão dicas de prevenção
Durante o verão, o fluxo de pessoas nas praias aumenta. Com ele, também cresce o risco de afogamento, principalmente em locais com fortes correntezas.
De dezembro até ontem, 20 pessoas morreram afogadas em praias, rios, cachoeiras, lagoas e piscinas no Estado, de acordo com o painel de afogamentos da Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
Thiago Bissoli, médico responsável técnico do Samu, explica que o número de afogamentos está diretamente relacionado ao aumento da exposição das pessoas ao risco.
“No período de férias, final de ano, festas e verão, as pessoas vão mais a praias, piscinas, lagoas, rios e riachos. Com isso, aumenta naturalmente o número de casos”.
De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde (Sesa), em dezembro de 2025 foram 18 atendimentos a casos de afogamento pelo Samu. “O afogamento é totalmente tempo-dependente. Quanto mais rápido a pessoa for retirada da água e receber os primeiros socorros, maiores são as chances de sobrevivência”.
Major Gabriela Andrade, do Corpo de Bombeiros, revela que, para prevenir um afogamento é importante observar vários pontos.
“A maior causa de afogamento em praias são as correntes de retorno, que são as laterais formando uma forte corrente para dentro do mar. A nossa orientação é sempre buscar praias que têm a supervisão de guardas-vidas e perguntar qual o local mais seguro para entrar”.
Nas praias de Vila Velha, os guarda-vidas Marcus Vinícius Marques Cortês e Bruno Mattos não tiram os olhos do mar, mas de acordo com dados da Secretaria de Proteção e Defesa Civil, o município não registrou nenhuma morte no ano passado.
Marcelo D'Isep, coronel e secretário de Proteção e Defesa Civil de Vila Velha, conta que a dica principal é ficar próximo aos postos de guarda-vidas, que neste verão contam com novidades.
“Os novos postos elevados ficam a 1,30 metro acima da areia, o que melhora muito a visibilidade. Eles são numerados, do posto 1, na Praia da Costa, até o posto 25, na Ponta da Fruta, incluindo as lagoas”.
Em Vitória também não houve mortes por afogamento em 2025. Ednardo Dalmácio, coordenador do salvamento marítimo de Vitória, acrescenta: “Além de ficar sempre próximo a um posto de guarda-vidas, é indispensável buscar informações sobre o local e sempre observar as bandeiras de sinalização”.
“A bandeira verde indica baixo risco de afogamento, mas isso não quer dizer que a pessoa possa se arriscar, nadar para longe ou para o fundo”, explica.
Saiba mais
Vitória
Na capital, os guarda-vidas estão distribuídos em duplas em 18 pontos-base nas praias.
Em 2025, foram 148 resgates no mar, 79 atendimentos pré-hospitalares e 268 atendimento de crianças.
Só no mês de dezembro de 2025 foram 93 casos de crianças perdidas e localizadas. Cerca de 90% desse tipo de ocorrência acontece na Curva da Jurema.
Vila Velha
Conta com 120 guarda-vidas atuando nas praias. São 25 postos fixos de guarda-vidas, distribuídos a cada 500 metros ao longo da orla. Cada posto cobre um raio de 250 metros para cada lado.
Em 2025, foram 421 resgates, 13 afogamentos, 235 crianças perdidas e nenhuma morte.
Serra
Entre 1º de dezembro de 2025 e ontem, o Salvamar realizou 96 resgates, além de cinco atendimentos pré-hospitalares.
Nesta temporada, conta com um efetivo de 80 guarda-vidas distribuídos em 20 pontos.
No verão anterior (2024/2025), o município contabilizou 306 resgates e 263 atendimentos pré-hospitalares.
Cuidados
Pergunte sempre sobre os riscos
Ao chegar à praia, a orientação é procurar um posto de guarda-vidas e perguntar quais são os riscos daquele local. O guarda-vida conhece as características da praia naquele dia, como correntes de retorno, trechos mais perigosos, variação de maré e locais mais seguros para o banho.
Fique sempre próximo a um posto de guarda-vidas
Permanecer perto dos postos aumenta a segurança e garante resposta rápida em caso de emergência.
Bandeiras de sinalização
As bandeiras indicam as condições do local. A verde representa baixo risco de afogamento, mas não elimina o perigo.
Mesmo com o mar aparentemente calmo, é preciso manter atenção e evitar se afastar demais.
Distância máxima de um braço entre responsável e criança
Dentro da água, o adulto deve manter a criança sempre a uma distância máxima de um braço. Crianças não passam pelas fases visíveis do afogamento e podem submergir rapidamente, sem se debater.
Não misture bebida alcoólica com banho de mar
O álcool reduz os reflexos, a resistência física e gera uma falsa sensação de confiança. A maior parte dos afogamentos entre jovens e adultos está associada ao consumo de bebida alcoólica.
Ao ver alguém se afogando, não entre na água
A primeira atitude é pedir ajuda e acionar o socorro. Utilize objetos que flutuam, como garrafa PET, boia, isopor, galho ou corda e arremesse para a vítima, mantendo distância para não se tornar uma segunda vítima.
O que informar na ligação para pedir o socorro?
Informe o local exato e um ponto de referência. Esses dados são fundamentais para que o atendimento chegue rapidamente.
O afogamento, na maioria das vezes, é silencioso
Diferente do que ocorre em filmes, a pessoa não costuma gritar nem acenar. Geralmente está na posição vertical, com movimentos desordenados.
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