“Foi um milagre”, diz filha de idoso após acidente com bicicleta elétrica
Empresária Francielle Meireles contou que o pai, que estava sem capacete, sofreu uma queda ao passear na orla de Camburi
“A única explicação para meu pai estar vivo hoje é Deus”. O relato é da empresária Francielle Meireles, de 39 anos. No dia 20 de dezembro, o pai dela, o aposentado João Bertolane Terci, 72, sofreu um acidente ao sair para passear em uma bicicleta elétrica na orla de Camburi.
Sem capacete, ele bateu a cabeça, foi intubado ainda no local e segue internado na UTI. “Por dois dias, a gente achou que ele estava morto”, relata a filha.
Para ela, a recuperação surpreendente do pai é um milagre — e o episódio escancara a urgência de regras mais rígidas para o uso de bicicletas elétricas, especialmente quanto ao uso de equipamentos de proteção.
A Tribuna: Como foi o acidente com o seu pai?
Francielle Meireles: Meu pai estava na bicicleta elétrica e acabou batendo de frente com outra bicicleta comum. Pelo que conseguimos levantar até agora, os dois tentaram desviar de um grupo de pessoas que estava parado na ciclovia e aconteceu a colisão.
Ele costumava usar a bicicleta elétrica com frequência?
Sim. Meu pai sempre andou de bicicleta, sempre foi muito ativo. Ele usa bicicleta elétrica há bastante tempo, para tudo, e sempre foi muito prudente, experiente, acostumado a pedalar. Chegou a ter três bicicletas elétricas.
O impacto foi grave?
Muito. Ele bateu a cabeça com força. No local, ele já perdeu a consciência. O sangue saiu pelo nariz, ele broncoaspirou e acabou indo para o pulmão.
Já saiu do local do acidente intubado pelo Samu. Depois, constataram que ele teve vários focos de sangramento na cabeça, principalmente no cerebelo.
Chegou ao Hospital São Lucas em estado gravíssimo. Nos dois primeiros dias, para a gente, ele estava morto. A expectativa era muito ruim.
Como está a situação dele agora?
Ele começou a reagir. Já tirou o tubo há alguns dias e está retomando a consciência aos poucos. Ainda não consegue falar muito. Ainda é um processo lento, dia após dia. Mas a recuperação está surpreendendo até os médicos.
Você acredita que ele só sobreviveu por um milagre?
Com certeza. Foi um milagre. Não tenho outra palavra. Pelo impacto que foi, pela idade dele. Tem muita gente orando por ele.
Ele usava capacete no momento do acidente?
Não. E a proteção na cabeça não é obrigatória, o que, na minha opinião, precisa mudar.
O primeiro impacto, numa queda, é quase sempre a cabeça. Numa bicicleta elétrica, que atinge velocidade mais alta, o risco é enorme. Ninguém anda de moto sem capacete. Por que com bicicleta elétrica pode?
O outro envolvido no acidente também se machucou?
Sim. O rapaz que estava na outra bicicleta quebrou o braço em dois lugares. O impacto foi muito forte.
Depois do que aconteceu, sua percepção mudou?
Mudou. Eu tenho uma bicicleta, que vai até 30 km/h, e sempre andei tranquilamente. Mas confesso que hoje eu passo por adolescentes andando, todos sem capacete, e meu coração já acelera. Além disso, vejo que tem gente desbloqueando bicicleta para chegar a 70, 80 km/h. É um perigo.
Qual alerta você deixaria?
Que o uso do capacete e de proteção precisa ser obrigatório. O que aconteceu com o meu pai pode acontecer com qualquer pessoa.
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