Idosos ao volante: existe idade certa para parar de dirigir?
Decisão deve ser baseada analisando condições individuais e levando em conta exames periódicos, afirmam especialistas
Embora muitos condutores continuem fazendo bonito no trânsito mesmo após os 80 ou até 90 anos de idade, há uma parcela de motoristas que, com o passar dos anos, passa a enfrentar limitações como problemas de visão, audição ou mobilidade.
Considerando os dois casos, fica a dúvida: existe idade certa para parar de dirigir?
Uma pesquisa conduzida pela Fundação Mapfre em conjunto com o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, em Barcelona, aponta que 75 anos é a idade média em que motoristas abandonam o volante.
No Estado, com o aumento da expectativa de vida, é comum ver idosos dividindo o trânsito com motoristas de todas as faixas etárias.
Para se ter uma ideia, segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), atualmente são mais de 261 mil pessoas habilitadas com idade acima de 64 anos.
Apesar de considerar que não existe idade fixa que determine quando uma pessoa deve parar de dirigir, a decisão deve ser baseada analisando condições individuais e levando em conta exames periódicos, afirma o especialista em trânsito André Cerqueira.
“Na prática, existem excelentes condutores idosos, que são prudentes e seguem as regras de trânsito com rigor. Mas sabemos que, com a idade avançando, é natural que os reflexos e nível de atenção sejam reduzidos. Portanto, a decisão de parar de dirigir deve ser baseada em condições individuais de higidez física e mental, e com resultados de exames periódicos”.
“Algumas funções neurológicas podem ser afetadas com o avançar da idade, dentre elas destacamos a memória, a atenção e a perda de reflexos. Esses fatores podem acontecer a partir da meia-idade, e variam entre as pessoas”, explicou o médico neurologista e coordenador de neurologia do Hospital Santa Rita, Guilherme Coutinho.
Considerando os problemas de visão que em geral surgem com a idade, o oftalmologista Pedro Trés apresenta sugestões de como abordar o assunto com o idoso.
“Apresente a ideia de forma respeitosa, focando no bem-estar e segurança do seu familiar, e ajude a encontrar alternativas de transporte, como caronas ou motoristas de aplicativos, mostrando apoio e o escutando ativamente”.
De acordo com a Fundação Mapfre, idosos podem continuar dirigindo com segurança ao adotarem medidas simples como reduzir a velocidade, evitar horários de pico e ouvir familiares sob limitações percebidas.
“A decisão de abandonar a direção não deve ser vista como perda de autonomia, mas como um gesto de maturidade e cuidado com a vida, do condutor, e dos outros”, concluiu Cerqueira.
De olho na saúde
“Estou com a visão boa e exames em dia”
Para dirigir com segurança, é importante estar com a visão boa e os exames oftalmológicos em dia, afirma Amásio Casimiro, de 71 anos.
“Dirijo desde os 12 anos de idade, e me sinto bem para continuar, estou com a visão boa e meus exames em dia. Mas precisamos ficar ligados com a saúde dos nossos olhos, se o médico mandar parar, eu nem questiono, paro de dirigir na mesma hora, nem questiono”, disse o morador de Santo Antônio, em Vitória.
Na hora certa
Experiência na direção conta
Não existe uma idade certa que determine quando uma pessoa deve parar de dirigir. A decisão deve ser tomada com base na saúde, é o que defende José Luiz Lisboa, de 70 anos.
“Não acho que exista uma idade certa para que o motorista tenha que parar de dirigir. Enquanto a pessoa estiver com uma saúde boa, com uma visão clara, pode dirigir”, declarou.
O morador de Guarapari, na região da Grande Vitória, destacou ainda que a experiência conta.
“Se o motorista for experiente, acabou, ele vai saber a hora que precisa parar”, afirmou.
Fique por dentro
Sinais de risco e dicas de segurança
Quando parar de dirigir?
75 anos é a idade média em que motoristas abandonam o volante, de acordo com análise da Fundação Mapfre, em conjunto com o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, em Barcelona.
Motivos de abandono
Cerca de metade dos ex-motoristas mais velhos (45%) admitiu que deixou de dirigir não por escolha própria, mas por sugestão ou pressão de pessoas próximas. Dentre os motivos comuns para a decisão estão:
- Condições médicas (41%)
- Problemas de memória (36%)
- Dificuldades ao volante (32%)
- Diagnóstico de demência (23%)
Sinais de risco
É importante avaliar se o condutor apresenta certos sinais de risco:
Dificuldade de concentração ou memória.
Reflexos lentos ou confusão em cruzamentos.
Problemas de visão ou audição.
Histórico recente de acidentes ou infrações graves.
Uso de medicamentos que causam sonolência ou desorientação.
Diagnóstico de doenças neurológicas como demência ou Parkinson.
Direção segura
Idosos podem continuar dirigindo com segurança ao adotar medidas simples e eficazes:
Evitar horários de pico e dirigir preferencialmente de dia.
Reduzir a velocidade e manter distância segura.
Evitar rotas complexas ou desconhecidas.
Ouvir familiares e médicos sobre limitações percebidas.
Exames médicos
são importantes, para o condutor idoso, acompanhar mudanças em aspectos da saúde como visão, audição, coordenação motora, reflexos, avaliação psicológica, e outros exames complementares.
Fonte: Fundação Mapfre, IBGE e Detran-ES.
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