Casamentos estão durando menos no Espírito Santo, diz IBGE
Em média, os casais têm mantido a relação por 13 anos. Há uma década, os matrimônios duravam cerca de 14 anos
Siga o Tribuna Online no Google
Os casamentos no Espírito Santo estão durando menos, em média 13,2 anos. O dado é de um levantamento de registros civis do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa, feita em 2024, revela uma queda em relação há 10 anos atrás, quando os matrimônios tinham duração média de 14,4 anos.
A tendência, segundo a média histórica, é de diminuição desse número. Em 2004, os casamentos duravam cerca de 17,5 anos.
Flaviane Brandemberg, terapeuta de casais, analisa que essa redução no tempo de permanência das uniões está diretamente relacionada à forma como os relacionamentos vêm sendo construídos nos últimos anos.
“Diferentemente de décadas passadas, quando manter um casamento era tido como obrigação e envolvia status ou pressão familiar, hoje as pessoas se sentem mais autorizadas a encerrar uniões marcadas por insatisfação”, afirma.
Além disso, a psicóloga Sarah Sayuri, especialista em casais, acrescenta que a mudança na forma como as pessoas compreendem os relacionamentos também contribui para essa transformação.
“Tem muita informação circulando sobre o que é um relacionamento tóxico, sobre relações que podem ser perigosas ou prejudiciais para um dos parceiros. Com isso, as pessoas conseguem entender melhor a situação que estão vivendo e, consequentemente, optam por sair, por não prolongar algo que já não faz sentido”.
Outro fator importante é o acesso à informação. A advogada Mariana de Sá Chagas, especialista em Direito de Família e Previdenciário, fala que hoje as pessoas chegam mais rapidamente ao conhecimento dos próprios direitos. “Elas sabem o que precisam fazer e acabam buscando seus direitos com mais agilidade”.
Yago Oliveira, pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e doutorando em Geografia da População, conclui que o próprio conceito de família também passa por transformações, o que influencia os dados sobre matrimônio.
“O planejamento muda. O tipo de família muda. Tudo isso entra no cálculo. Antes era comum famílias com três, quatro, cinco filhos. Hoje, muitas famílias têm um filho só, ou são só o casal, ou até domicílios com apenas uma pessoa. Basicamente, tudo está mudando”.
Desgaste emocional é um dos principais problemas
Entre os “encurtadores” do tempo de duração dos casamentos está o desgaste emocional. E ele tem se consolidado como um dos principais.
A terapeuta de casais Flaviane Brandemberg explica que, atualmente, as relações são menos sustentadas por obrigações sociais e mais pautadas pela qualidade do vínculo.
“Antes, muitos casamentos eram mantidos por status, pressão familiar ou pelos filhos. Hoje, quando o relacionamento deixa de fazer sentido, as pessoas se sentem mais autorizadas a encerrar”, afirma.
Flaviane destaca que a dificuldade de diálogo, especialmente sobre temas sensíveis, como sexualidade, finanças e expectativas de vida, acelera o desgaste da relação. Segundo ela, casais que não conseguem alinhar necessidades e limites acabam acumulando frustrações, o que enfraquece o vínculo.
“Quando não existe o ‘nós’ e cada um olha apenas para si, a relação se fragiliza”, pontua.
A psicóloga Sarah Sayuri, especialista em casais, reforça que entre os principais gatilhos do desgaste emocional está a sobrecarga doméstica, a falta de divisão de responsabilidades e o não cuidado com a saúde mental.
“Quando um dos parceiros não se responsabiliza pelas tarefas da casa ou evita buscar ajuda psicológica, o outro acaba assumindo funções que não são dele, o que gera exaustão emocional”, afirma.
Para as especialistas, embora os relacionamentos estejam mais curtos, eles também tendem a ser mais conscientes.
Fique por dentro
Tempo médio de duração dos casamentos capixabas
2004 - 17,5 anos
2009 - 17,0 anos
2010 - 15,9 anos
2014 - 14,4 anos
2019 - 13,2 anos
2020 - 12,5 anos
2021 - 13,1 anos
2022 - 13,4 anos
2023 - 13,1 anos
2024 - 13,2 anos
Relacionamentos
Desgaste emocional
De maneira geral, o desgaste emocional é um dos fatores centrais para o encurtamento das relações.
A rotina intensa, a falta de diálogo e a dificuldade em lidar com frustrações acabam acumulando tensões que, ao longo do tempo, enfraquecem o vínculo afetivo e tornam a convivência insustentável.
Sobrecarga
A sobrecarga, especialmente a doméstica e emocional, pesa. Em muitos casamentos, a divisão desigual de responsabilidades gera cansaço, ressentimento e sensação de injustiça, afetando a qualidade da relação e acelerando o afastamento.
Mudança de cenário
Bem-estar
Outro motivo é a mudança na forma como os relacionamentos são encarados.
Hoje, a permanência no casamento está mais ligada ao bem-estar emocional do que a pressões sociais, religiosas ou familiares.
Quando a relação deixa de fazer sentido ou gera sofrimento, a separação passa a ser vista como uma possibilidade legítima.
Acesso à informação
Além disso, o maior acesso à informação e à saúde mental contribui para que as pessoas identifiquem com mais facilidade relações abusivas ou tóxicas.
Com mais consciência sobre limites e direitos emocionais, há menos tolerância a comportamentos que antes eram normalizados.
Projetos de vida
Por fim, mudanças nos projetos de vida influenciam diretamente a duração dos casamentos.
Prioridades profissionais, desejo de autonomia e transformações pessoais fazem com que muitos casais percebam, ao longo do tempo, que não compartilham mais os mesmos objetivos, o que leva ao término da relação.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários