Bebê de 1 ano morre vítima de meningite em Vitória
Família do menino disse que ele tinha saúde plena e era vacinado. Ainda assim, passou mal, foi para o hospital e não resistiu
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Um bebê de 1 ano, morador de Cariacica, morreu após complicações da meningite pneumocócica. Segundo relato da família, em uma rede social, o menino passou mal, foi socorrido e levado para um hospital da rede particular de Vitória, mas não resistiu e morreu, na última terça-feira.
Familiares relataram ainda que o menino “sempre teve saúde plena, era vacinado com a pneumo 15, Meningo B e ACWY (vacinas ofertadas na rede particular para a faixa de idade do menino), além do esquema vacinal completo”.
Neste ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), foram notificados 683 casos suspeitos de meningites, sendo 181 casos confirmados e 34 óbitos, entre viral, bacteriana e fúngica. Desse total, foram 42 casos confirmados e 13 óbitos por meningite pneumocócica.
A infectologista Rubia Miossi explica que a meningite é uma doença grave, sendo a pneumocócica bacteriana uma das mais comuns. Porém, a meningite meningocócica consegue ser ainda mais grave.
“De todo modo, meningite bacteriana é sempre mais grave do que meningite viral. A bactéria, a impressão que temos, é que ela causa uma inflamação muito maior do que uma infecção por vírus. Por isso, é tão grave. E, se não for tratada, evolui muito rápido”.
A vacina que protege contra a meningite pneumocócica é a pneumocócica – ofertada para crianças no Sistema Único de Saúde (SUS), como pneumocócica 10-valente (contra 10 sorotipos).
VACINA
O esquema vacinal no SUS inclui uma dose aos 2 meses, uma aos 4 meses e um reforço quando a criança completa 1 ano. Já as vacinas pneumocócica 13, 15 e 20 podem ser feitas na rede particular.
Ainda assim, médicos esclarecem que não é possível prevenir 100% de todas as meningites com a vacina, ainda que nas crianças vacinadas o risco de complicação e morte será “incrivelmente menor”, conforme explicou o pediatra e primeiro secretário da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Rodrigo Aboudib.
“Mas isso depende da resposta imunitária da criança, depende da virulência do patógeno que a está agredindo e de uma série de fatores. Numa criança previamente vacinada, se sugere que essa resposta seja melhor e mais forte. Entretanto, cada organismo responde de um jeito, tanto ao estímulo vacinal quanto à agressão de uma bactéria”, explica o médico.
SAIBA MAIS
Meningite
É uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno e das virais, na primavera-verão. O sexo masculino também é o mais acometido pela doença.
Sintomas
- A meningite bacteriana é geralmente mais grave e os sintomas incluem febre, dor de cabeça e rigidez de nuca. Muitas vezes, há outros sintomas associados, como mal-estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz) e status mental alterado (confusão). Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer, como convulsões, delírio, tremores e coma.
- Os sintomas iniciais da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana.
Vacinas
- As vacinas disponíveis para prevenção das principais causas de meningite bacteriana no Sistema Único de Saúde (SUS) são:
- Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite. Na rede particular, é possível encontrar a Pneumo 13, 15 e 20 (algumas dessas também estão disponíveis no SUS para quem tem comorbidades).
- Pentavalente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.
- Meningocócica C (Conjugada): protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo C.
- Meningocócica ACWY (Conjugada): protege contra a doença meningocócica causada pelos sorogrupos A, C, W e Y. O esquema da vacina Meningocócica C é administrado no SUS em crianças de 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses. A ACWY conjugada é aplicada na rede pública em adolescentes de 11 a 14 anos de idade. Também é possível vacinar na rede privada, com a vacina conjugada ACWY, crianças de 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses, 5 e 6 anos.
- Já a Meningocócica B está disponível apenas na rede particular.
Fonte: Ministério da Saúde e SBIM.
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