Com mercado em alta, preço do cacau anima os produtores do ES
Mercado volta a registrar alta, com efeitos na cadeia local, estímulo à indústria artesanal e maior visibilidade externa
O preço do cacau voltou a subir e a animar quem depende do setor. Produtores de Linhares afirmam receber R$ 2.040 dos atravessadores pela saca de 60 quilos. Há menos de seis meses, o valor pago pela mesma quantidade era de R$ 1.280.
No início de 2025, a saca do cacau foi cotada em cerca de R$ 3.752 no Espírito Santo, resultado da forte valorização da commodity naquele período. O empresário Fernando Buffon, 38 anos, integra a 3ª geração de uma família dedicada ao cultivo do cacau.
Ele decidiu ampliar a atuação além da lavoura e instalou uma fábrica de chocolate nos fundos da casa da família, no bairro Conceição, em Barcaça.
As amêndoas produzidas por Fernando ganharam projeção dentro e fora do Estado, enquanto os chocolates apresentam padrão cada vez mais refinado.
A produção é 100% natural e reflete o momento favorável vivido pelo mercado cacaueiro.
“Produzimos cerca de 200 quilos de chocolate por mês. Além disso, comercializamos nossas amêndoas com chocolateiros de várias regiões do Brasil. Não é possível contar a história de Linhares sem mencionar o cacau, que ocupa papel essencial na economia do município”, afirma.
Produtor de cacau há mais de 30 anos, Emir Macedo Gomes Filho venceu concursos nacionais de qualidade e teve uma de suas amêndoas reconhecida entre as melhores do mundo. Para ele, a atual valorização do produto representa um avanço importante para o setor.
“A valorização do cacau representa um reconhecimento do trabalho de quem está no campo há décadas. Quando o preço reage, o produtor consegue investir, cuidar melhor da lavoura e planejar o futuro. Para que esse cenário se mantenha, é fundamental que o agricultor seja tratado como a base do sistema produtivo”, afirma.
Dados da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), que representa cerca de 5 mil agricultores, indicam que o produto voltou a registrar preços elevados, embora abaixo dos patamares de 2025, quando atingiu valor recorde no mercado internacional.
Naquele período, uma combinação de crise climática, pragas e doenças nas lavouras da África Ocidental afetou a produção.
Envelhecimento
O cenário foi agravado por problemas estruturais, como o envelhecimento das árvores, o que reduziu a oferta global.
Novo adubo para economizar
Em busca de alternativas para baratear a produção das mudas de cacau, uma equipe do Ifes de Itapina desenvolveu um substrato a partir de materiais capixabas, como casca de cacau seca e triturada, palha de café, maravalha de madeira e cama de frango.
A pesquisa, publicada em dezembro do ano passado, em Linhares, indicou redução de até 50% no custo do substrato, segundo o coordenador do estudo, Leonardo Martineli.
Foram realizados dois ciclos de experimento, de 120 dias cada um, período necessário para que a muda seja enxertada. No primeiro ciclo, o substrato desenvolvido foi testado em diferentes concentrações em comparação ao convencional, com melhor desempenho na mistura de 40% do produto desenvolvido no Estado e 60% do substrato tradicional.
No segundo ciclo, foi utilizado apenas o substrato do projeto, com aplicação de diferentes doses de adubos de liberação controlada e uma dose única de 15 gramas de superfosfato simples, à base de fósforo, em todas as mudas.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários