Indústria da inteligência artificial negocia instalação de data centers no ES
Tratativas com investidores interessados e empresas do ramo podem tornar a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Aracruz um hub de tecnologia
A Imetame e a Nova ES, agência de investimentos do Espírito Santo, têm articulações para a atração de data centers para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Aracruz.
Há tratativas com possíveis investidores, como empresas de tecnologia, incluindo de inteligência artificial, atividade que, com outros serviços tecnológicos, podem tornar a ZPE um hub de tecnologia no Espírito Santo, segundo Marcelo Robers, assessor comercial da Imetame.
Ele falou sobre o assunto durante o 5º Encontro Empresarial do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), realizado ontem, em Vitória, destacando que já há contatos de investidores desse segmento.
“A (agência) Nova ES é uma parceira nossa, é sempre uma via de mão dupla. Quando o investidor chega pelo porto, levamos à agência para apresentar os benefícios do Estado, e quando chega por eles, mostram a nossa infraestrutura”, contou.
Segundo Robers, a prestação de serviços nas ZPEs abriu um nicho altamente promissor, impulsionada pela demanda mundial por IA e pela legislação federal Redata. “A ZPE de Aracruz é a primeira e única ZPE privada aprovada no País. Hoje, a prestação de serviço que mais está associada a entrar dentro de uma ZPE é a de data center”.
O assessor comercial pontuou que o modelo garante ampla desoneração fiscal — mantida pós-reforma tributária por lei complementar —, cobrindo impostos federais e ICMS sobre ativos e insumos locais.
Robers ressaltou que a matriz energética limpa do Brasil é uma vantagem competitiva, embora haja necessidade de ampliar a infraestrutura de cabos submarinos, e falou também dos desafios do setor.
“Cada data center consome algo em torno de 600 MW (megawatts). É um volume muito grande de energia, e você tem que ter redundância porque não pode ficar indisponível para a população”, explicou.
A ZPE Aracruz, que ficará na região da Barra do Riacho, dispõe de 508 mil metros quadrados fracionáveis, permitindo a instalação de empresas de diferentes portes, acesso a gás natural e modal ferroviário, estando atualmente em fase de licenciamento ambiental, destacou Robers.
No fim do mês passado, foi anunciado um investimento de R$ 7,4 bilhões em um data center em Baixo Guandu, na região Noroeste do Espírito Santo, sob responsabilidade técnica da holding capixaba Line Solution, que promete criar até 550 vagas de emprego, sendo 50 para a operação e até 500 para a fase de obras.
Investidores interessados
A Imetame e a agência de investimentos Nova ES atuam em parceria estratégica para atrair investidores nacionais e estrangeiros interessados na implantação de grandes complexos de data centers na ZPE Aracruz, com foco em inteligência artificial e serviços tecnológicos.
A articulação funciona em duas frentes complementares: a Nova ES apresenta a estrutura logística e as oportunidades do complexo a empresas que chegam por meio do governo estadual, enquanto a Imetame encaminha à agência investidores prospectados diretamente, ampliando o acesso aos incentivos e às políticas de atração de investimentos do Espírito Santo.
Vantagens competitivas da ZPE
A iniciativa busca aproveitar as vantagens competitivas da ZPE, como benefícios tributários, disponibilidade de áreas, acesso a gás natural e infraestrutura ferroviária, além da matriz energética limpa brasileira.
Apesar dos desafios relacionados à elevada demanda por energia e à necessidade de ampliar a conectividade internacional de dados, a atuação conjunta pretende posicionar Aracruz como um novo polo de tecnologia, inovação e investimentos em infraestrutura digital, fortalecendo a competitividade econômica do Estado.
Empreendimento reaproveita a água doce, diz empresário
Data centers utilizam água doce em seus processos — e em grandes quantidades. Mas, no caso do projeto planejado para Baixo Guandu, no Noroeste do Estado, a previsão é reaproveitar a água no resfriamento dos equipamentos.
Segundo o empresário Mário Rodrigues, responsável pelo projeto, o sistema terá circuito fechado, permitindo que a água circule e seja reutilizada, reduzindo a necessidade de captação de novos volumes.
A estrutura faz parte do Projeto Rubi, que prevê a instalação de um data center voltado para inteligência artificial em uma área de mais de 11 milhões de metros quadrados. A estimativa do empresário é que a reposição de água perdida no processo seja equivalente ao consumo mensal de três casas populares com quatro moradores cada.
O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e licenciamento. A previsão é que o data center comece a operar em 2031.
Rodovia para o novo porto
Com o início das operações de carga previsto para o primeiro semestre de 2027, o Porto da Imetame promete dinamizar a logística no Espírito Santo. Mas a infraestrutura viária atual é um ponto de atenção para o início das atividades, segundo Cláudio Melim, coordenador comercial da Imetame.
As rodovias estaduais ES-257 e ES-445 podem virar gargalos operacionais. “Essas rodovias do jeito que elas estão, principalmente a 257 e a 445, num futuro não muito distante vão representar restrições para a movimentação de cargas na região”, alertou o executivo.
Melim citou como exemplo o Contorno Sul de Aracruz, cuja obra não avançou apesar de já ter sido licitada. “Se o porto já estivesse em operação hoje, os caminhões passariam dentro da cidade”, apontou, reforçando que “se não tem acessos compatíveis a esse tamanho, isso pode virar uma restrição”.
O Contorno Sul vai receber os caminhões e carretas que vêm da BR-101 Sul e vão para os portos de Aracruz. Com ele, os veículos entrarão pelo trevo de Ibiraçu e irão até os terminais sem passar pela cidade. Sem ele, a coisa trava.
Diante desse cenário, a Imetame mantém interlocução constante com o governo estadual e a prefeitura para viabilizar as melhorias necessárias. A previsão do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) para conclusão do Contorno Sul é para o fim de 2027.
Eneva vai instalar polo de gás e energia em Aracruz
A Eneva e a Vports, autoridade portuária do Espírito Santo, anunciaram que fecharam um contrato para a implantação do Hub Espírito Santo no Porto de Barra do Riacho, em Aracruz.
O empreendimento corresponde ao projeto que a empresa vinha apresentando como Hub Sudeste. A Eneva será responsável pelo desenvolvimento e deterá 100% de participação no complexo. Durante o 5º Encontro Empresarial CDMEC, Eugênio Fonseca, diretor de Relações Institucionais da Vports, comentou sobre o tema.
Os contratos de exploração de área e instalação portuária asseguram os direitos de uso das áreas destinadas ao projeto até dezembro de 2046, com possibilidade de renovação.
O combustível chegará por navios em estado líquido e será regaseificado no terminal antes de abastecer as termelétricas. Além de atender às usinas contratadas no leilão, a infraestrutura poderá permitir novos negócios de comercialização de gás natural e projetos de geração de energia, segundo a companhia.
“Com o contrato, a Eneva usará nossa área em Barra do Riacho, uma parte da área, não a totalidade. A Eneva vai montar, então, lá um polo, um hub de energia em Barra do Riacho”, detalhou.
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