Após sugestões, MEC quer criar novos cursos técnicos
Ministério recebeu mais de 2 mil sugestões de alunos, professores e do setor produtivo para avaliar a criação de novas formações
Da Inteligência Artificial às novas tecnologias industriais, o mercado de trabalho está mudando — e os cursos técnicos também devem passar por mudanças.
O Ministério da Educação (MEC) recebeu mais de 2 mil sugestões de alunos, professores e do setor produtivo para atualizar 197 cursos técnicos e avaliar a criação de novas formações.
A consulta pública, encerrada no último dia 2, é uma das etapas da elaboração da 5ª edição do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), referência para as instituições de ensino.
Por que o catálogo precisa mudar
Segundo o MEC, as atualizações buscam adequar a oferta formativa às transformações tecnológicas, às novas demandas do mundo do trabalho e às alterações na legislação educacional.
O objetivo é que a formação dos profissionais acompanhe as dinâmicas do setor produtivo e as demandas da sociedade.
Critérios para novos cursos
Para a inclusão de um novo curso técnico, é preciso seguir critérios como ter atribuições diferentes dos perfis que já constam no catálogo.
A pró-reitora de Ensino do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Sanandreia Perinni, explicou que, assim como mudanças ocorrem na sociedade e no mundo do trabalho, o catálogo precisa acompanhar.
"O catálogo prevê, por exemplo, o perfil e as competências de técnico em Agropecuária. Sabemos que hoje temos um uso frequente de drones na área. Então agora é hora de pensar se isso precisa começar a ser contemplado na formação"
Ela destacou que, ao longo do tempo, muitos cursos mudam de nome, são criados ou deixam até de existir.
"No caso do Ifes, hoje ofertamos no campus Vila Velha um curso experimental, ou seja, que não está no catálogo, que é o de Química Ambiental. Nessa consulta pública inserimos esse perfil do curso para que seja incluído"
Contribuições vão ser analisadas
Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT)
- O Catálogo disciplina a oferta de cursos de educação profissional técnica de nível médio;
- Serve como um referencial normativo específico para subsidiar o planejamento dos cursos;
- O documento foi instituído em 2008, mas é atualizado periodicamente pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica.
Edição atual
Atualmente, encontra-se na 4ª edição, publicada em 2020. Nela, são apresentados 215 cursos, agrupados em 13 eixos tecnológicos, com a seguinte descrição por curso:
- Perfil profissional após a conclusão;
- Cargas horárias mínimas;
- Pré-requisitos para entrada;
- Legislação profissional e normas associadas ao exercício profissional;
- Itinerários formativos e possibilidades de certificação intermediária em cursos de qualificação, de formação continuada em cursos de especialização;
- Campo de atuação;
- Ocupações associadas à Classificação Brasileira de ocupações;
- Infraestrutura mínima.
Atualização
- O Ministério da Educação (MEC) abriu em agosto, na Plataforma Brasil Participativo, a consulta pública da versão preliminar da 5ª edição do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos;
- O processo recebeu mais de 2 mil contribuições de instituições de ensino, professores e outros profissionais da educação, estudantes, trabalhadores e o setor produtivo;
- As contribuições puderam ser enviadas até o dia 2 deste mês;
- Ao todo, a proposta contempla a revisão e a atualização de 197 cursos técnicos distribuídos em 13 eixos tecnológicos.
Por que mudar?
- A atualização busca adequar a oferta formativa às transformações tecnológicas, às novas demandas do mundo do trabalho e às alterações normativas recentes na legislação educacional.
Próximos passos
- A elaboração da versão preliminar contou com a atuação da comissão de atualização do CNCT e de grupos de trabalho organizados por eixos tecnológicos, reunindo professores, especialistas e representantes setoriais;
- As contribuições serão analisadas para finalização do documento. A apreciação pelo Conselho Nacional de Educação está prevista para outubro, e a 5ª edição do catálogo deve ser publicada até dezembro.
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