Clínicas do ES têm embriões congelados há 28 anos
No Estado são 8.791, que foram armazenados em quatro centros de reprodução humana assistida entre 2020 e 2025
Após mais de 22 anos com um embrião congelado, a grega Christina Rapti-Tzelepi deu à luz uma filha aos 54 anos, idade máxima permitida no país para o procedimento. A transferência ocorreu depois que a mulher e o marido perderam o filho, de 21 anos, em um acidente de trânsito em outubro do ano passado.
No Espírito Santo, há embriões congelados há mais de 28 anos, aponta levantamento feito pela reportagem. Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram 8.791 embriões congelados em quatro centros de reprodução humana assistida do Estado entre 2020 e 2025.
Embriões guardados desde 1998
Na clínica Jules White, segundo a ginecologista especialista em Reprodução Humana Cindy White, há embriões congelados desde fevereiro de 1998. Eles ficam armazenados em tanques com nitrogênio líquido, a menos 196 graus Celsius, podendo ser guardados por anos.
"Independente do tempo que o embrião fica congelado, mantém-se a idade biológica que a mulher tinha no momento em que ele foi congelado. Ao ficar nessas baixas temperaturas, a atividade metabólica do embrião fica praticamente interrompida. Se a mulher congelou embriões aos 30 anos e vai utilizá-los aos 40, o embrião continua tendo potencial biológico relacionado aos óvulos dos 30 anos e não dos 40"
Apesar disso, a médica alerta que a idade da mulher no momento da transferência também pode influenciar no resultado. Com o passar dos anos, podem surgir alterações no útero ou outras condições de saúde que afetam as chances de gravidez.
Riscos do descongelamento
Ronney Guimarães, ginecologista e especialista em Reprodução Humana Assistida, parceiro da clínica Unifert, destaca que o descongelamento tem um risco pequeno de perda do embrião, em torno de 2% a 5%.
"O importante é entender que uma mulher acima de 40 anos tem mais chances de complicações, mas isso não tem a ver com o embrião, mas com a idade da mulher"
Se o casal não utilizar o embrião congelado, o material pode ser descartado ou doado para estudos ou para outros casais.
Processo mais simples
A empresária Fabiane Vailant, de 44 anos, e o empreendedor Cristiano da Mata, de 45, têm dois filhos: Gabriel, de 16, e Lívia, de 7. As gestações são resultado de fertilização in vitro.
Os embriões foram congelados na mesma época, mas Gabriel foi implantado um mês após o congelamento.
"Anos depois fiz uma nova implantação, mas tive uma perda gestacional. Dez anos depois, implantei um novo embrião e veio a Lívia. Foi um processo bem mais simples para a implantação da Lívia"
Tire suas dúvidas
Embrião congelado pode ficar décadas armazenado?
Sim. Os embriões são armazenados em tanques específicos com nitrogênio líquido a -196°C. Nessa temperatura, a atividade metabólica é praticamente interrompida.
O embrião envelhece enquanto está congelado?
Não. Segundo a ginecologista e especialista em Reprodução Humana Cindy White, o embrião mantém as características biológicas relacionadas à idade dos óvulos no momento em que foi congelado.
Assim, um embrião formado a partir de óvulos de uma mulher aos 30 anos, por exemplo, mantém esse potencial mesmo que seja utilizado aos 40.
O embrião perde a qualidade com o tempo?
Hoje, a técnica mais utilizada é a vitrificação, um congelamento ultrarrápido que praticamente impede a formação de cristais de gelo capazes de danificar as células, além de substâncias crioprotetoras que envolvem e protegem esse embrião das baixas temperaturas.
A idade da mulher influencia?
Sim. A idade do embrião permanece relacionada à idade dos óvulos no momento da formação, mas a idade da mulher no momento da transferência também pode influenciar o resultado.
Com o passar dos anos da mulher, podem surgir alterações no útero ou outras condições de saúde que afetam as chances de gravidez, assim como aumenta o risco de complicações obstétricas.
Qual o destino do embrião congelado?
Antes mesmo da formação dos embriões, o casal deve registrar por escrito o que deseja fazer com o material que eventualmente ficar congelado.
Entre as possibilidades estão: utilizar os embriões no próprio tratamento; doá-los para outros pacientes, conforme as regras aplicáveis; destiná-los à pesquisa, quando houver possibilidade legal e científica; e optar pelo descarte, conforme as normas vigentes.
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