Casas Bahia fecha lojas no Shopping Vitória e Praia da Costa
Unidades da Pontofrio, que faz parte do grupo, encerraram operações, nos shoppings Vitória e Praia da Costa, em Vila Velha
Uma loja da Pontofrio no Shopping Vitória e outra no Shopping Praia da Costa, em Vila Velha, foram fechadas pelo Grupo Casas Bahia. A decisão faz parte do processo de reestruturação da empresa, afirmou o centro comercial da capital capixaba.
O grupo pediu recuperação judicial após registrar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, noticiou o portal Uol.
Para o vice-presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, a situação impacta o setor varejista no Espírito Santo.
“Acaba que isso se dissemina, de uma forma potencializada, dentro do cenário de preocupação do empresariado pelos juros altos, pela remodelação do varejo, com muita estrutura física instalada e queda de faturamento”, comenta.
Bergamin reforça a existência de uma fase de transformação do varejo e uma dificuldade das empresas de se encaixarem em um novo modelo de vendas.
“O segmento já vinha com dificuldades há tempo, com oferta, preço, prazo de pagamento. Não estamos performando como nos últimos dois anos. Todo mundo começa a fazer conta, avaliar o negócio, saber como vai levar”, diz.
A situação fica mais impactante quando se olha para a presença do segmento do varejo nos shoppings. Segundo o representante, ele vem deixando de ser presente nesses centros comerciais devido aos altos custos para manter a estrutura, que contrasta com o retorno financeiro. “Até mesmo por empresas sólidas. Não tenha dúvida que foram (as Casas Bahia) olhar faturamento versus custo”, afirma.
O coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, explica, no entanto, que dados recentes não apontam para uma crise generalizada no Espírito Santo.
“O cenário, ao analisar o conjunto, é positivo, mas exige cautela. Não podemos dizer que o comércio está em crise, mas também não conseguimos afirmar que temos um crescimento tão uniforme ou livre de todos os riscos”, diz.
Para ele, crises em grandes redes podem ter reflexos, especialmente por possuírem, além de lojas, centros de distribuição e ampla cadeia de fornecedores, impactando diretamente o mercado de trabalho.
Juros são um dos vilões
A alta taxa de juros — atualmente em 14% ao ano — é um dos principais fatores que provocam uma reestruturação do varejo no Brasil, afirmam especialistas.
O custo elevado do crédito dificulta que as empresas renovem suas dívidas para a operação ao mesmo tempo em que tira poder de compra do consumidor.
O mesmo efeito é observado no Espírito Santo, segundo o vice-presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin.
O Banco Central chegou a iniciar um ciclo de redução da taxa, emendando quatro cortes seguidos. Ainda assim, os juros reais — acima da inflação — seguem em patamar de máximas históricas.
A concorrência com as lojas virtuais também pesam na balança das dificuldades do setor. Atualmente, a facilidade do setor tem se concentrado nos empreendimentos que tem a personalização como carro-chefe.
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