"Estou na cadeia e não pude falar", disse corretora condenada por atropelamento
Adriana Felisberto, condenada a 28 anos pela morte da ciclista Luísa Lopes, afirma que defesa barrou sua fala no júri e nega embriaguez
A corretora Adriana Felisberto Pereira, de 37 anos, condenada a 28 anos de prisão por atropelar e matar a ciclista e estudante Luísa da Silva Lopes, relatou, durante sua audiência de custódia, na quarta-feira (12), que ela foi impedida de falar durante o júri popular.
"Eu peguei 26 anos de cadeia, sem poder participar do júri. Eu fui no júri, no primeiro dia do júri o juiz falou pra mim ir embora. Eu queria participar do júri, mas o meu advogado e o juiz falaram que não era pra mim participar do júri", afirmou a corretora
A audiência de custódia, conduzida pelo juiz Enéas Miranda, teve como objetivo analisar a prisão de Adriana, realizada no dia 06 de julho, após ser condenada pelo Tribunal do Júri a 26 anos e 10 meses de reclusão por homicídio qualificado, diante de ter perigo comum e da impossibilidade de defesa da vítima, mais 2 anos de detenção por conduzir veículo automotor sob a influência de álcool.
No primeiro dia de júri popular, a defesa de Adriana apresentou que a ré havia passado mal e, por isso, participaria da sessão por videoconferência. O mesmo aconteceu no segundo dia de júri, quando, seguindo a orientação de seus advogados, ela permaneceu em silêncio.
Defesa questionada
Durante a audiência de custódia, que aconteceu por videoconferência, a corretora afirmou que queria participar do júri e que não passou mal. "Eu não passei mal, mentira. Eu não quis permanecer em silêncio, é mentira. Vocês (defesa da ré) foram lá e mandaram eu ir embora"
Questionado por sua cliente, o advogado de defesa, Jamilson Monteiro, disse direcionado a ela, que deixaria o caso se a corretora continuasse contradizendo decisões tomadas por eles no júri.
"Adriana eu vou sair do seu processo, assim eu não consigo conduzir a sua defesa, eu vou renunciar. Adriana, me escuta, se você continuar botando em cheque o que eu tô fazendo, eu vou renunciar o seu processo", disse Monteiro.
Corretora negou acusação
Ainda em audiência de custódia, Adriana negou que estava bêbada no momento do acidente e destacou que prestou socorro à estudante.
"A Luísa, ela não morreu sozinha, eu estava ali junto com ela, o tempo todo. Eu não sou racista, doutor. A Luísa é uma menina linda, infelizmente ela perdeu a vida dela e não fui eu que quis isso. [...] Eu atropelei aquela menina porque eu não vi ela passando na minha frente. Eu não estava bêbada. Eu chamei o SAMU, eu chamei a polícia, chamei o 190. Eu prestei socorro", alegou ela.
Requerimento da defesa
A defesa de Adriana apresentou os laudos dela, onde consta os diagnóstico para ansiedade, depressão e transtorno bipolar, e, com base no fato de que a ré tem um filho de 7 anos, requereu que a corretora inicie o cumprimento de sua pena em prisão domiciliar.
Promotoria solicita inquérito
O promotor que acompanhou a audiência representando o Ministério Público (MPES), expôs , com base nas alegações de Adriana, que irá solicitar o pedido de requisição de instauração de inquérito para apurar um possível crime de falsidade.
"O Ministério Público pugna que esses relatos que a senhora Adriana nos trouxe aqui no dia de hoje, que estão gravados nessa audiência de custódia, sejam encaminhados para a autoridade policial, tendo em vista que a priori pode ter acontecido algum crime de falsidade ou qualquer outro crime no sentido da do falseamento da verdade", expôs o promotor.
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