900 mil capixabas podem reduzir valor de dívidas com bancos em até 44%
Crédito do Trabalhador permite a 900 mil capixabas trocar dívidas caras por consignado privado, reduzir juros e aliviar o orçamento.
Uma dívida de R$ 10 mil pode ter a prestação mensal reduzida de R$ 1.113 para R$ 619 com a troca de uma modalidade de crédito mais cara pelo consignado privado. Nesse exemplo, a economia chega a R$ 494 mensais, ou 44%, e cerca de R$ 11.900 ao fim do pagamento.
A possibilidade está no Crédito do Trabalhador, programa federal que permite a consumidores com carteira assinada, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), contratar empréstimos com desconto direto na folha de pagamento.
Segundo o economista Eduardo Araújo, cerca de 900 mil trabalhadores no Espírito Santo estão aptos a utilizar a modalidade e, dependendo da dívida que possuem, podem reduzir significativamente os gastos com juros.
Como funciona o consignado privado
Lançado em março do ano passado, o programa oferece taxas que variam de 1,39% a 3,9% ao mês, inferiores às encontradas em modalidades como cartão de crédito e cheque especial.
Na prática, o trabalhador pode contratar o consignado, usar o dinheiro para quitar antecipadamente uma dívida mais cara — reduzindo os juros que ainda seriam cobrados — e passar a pagar as parcelas do novo empréstimo.
É no cartão de crédito que a diferença pode ser maior, explica o economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), Felipe Storch. As taxas do rotativo ultrapassam 400% ao ano, segundo a Serasa Experian.
Na simulação dos R$ 10 mil, Storch considera uma dívida parcelada ou renegociada a 10% ao mês e um consignado a 3,44% ao mês. O cálculo pressupõe quitação integral da dívida antiga e ausência de tarifas adicionais, seguros e impostos.
A taxa de 3,44% é uma referência de levantamento de maio de 2026. O percentual efetivamente oferecido varia conforme banco, salário, tempo de emprego, garantias e perfil de risco.
A vantagem também aparece na troca de um empréstimo pessoal. Para uma dívida de R$ 10 mil, a prestação cairia de cerca de R$ 872 para R$ 619, redução de R$ 253, ou 29%.
Segundo a presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRC-ES), Carla Tasso, os juros do consignado são menores porque o desconto direto na folha reduz o risco de inadimplência para os bancos.
“O banco tem a garantia de que vai receber. E, como a taxa de juros normalmente é menor, a parcela geralmente é fixa”
Portabilidade de crédito para reduzir dívidas
Além da utilização do consignado privado para quitar uma dívida, o sistema bancário permite realizar a portabilidade do crédito, transferindo-o de um banco para outro e, inclusive, modificando a modalidade de empréstimo.
Esse formato possibilita que o consumidor aproveite taxas de juros e parcelas mais vantajosas para o pagamento da dívida, diminuindo o aperto financeiro.
Esse é o caso do Mateus, que reduziu a dívida com a portabilidade entre bancos. Ele utilizou o próprio Crédito do Trabalhador.
“Fiz portabilidade do Banco do Brasil e gostei muito por ter uma facilidade em pagar e fazer os empréstimos. É melhor para eu trabalhar e paga as dívidas”
Ele conta que, toda vez que precisa, realiza a portabilidade de um banco para o outro, quita a dívida e, um tempo depois, realiza outro empréstimo.
O economista Ricardo Paixão orienta para a necessidade de observar o Custo Efetivo Total (CET), parâmetro importante para avaliar custos e taxas. Além dos juros, o CET soma impostos, tarifas administrativas, seguros e outras despesas do contrato.
Como contratar o consignado privado
É possível fazer um contrato do consignado privado utilizando o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital com a conta Gov.br.
O passo a passo inclui:
- Entrar na aba de “Empréstimos”.
- Fazer uma simulação informando o valor e as parcelas desejadas.
- Aguardar as propostas dos bancos, com prazo de até 24 horas.
- Escolher a melhor oferta para finalizar a contratação.
Também é permitido realizar a contratação diretamente com os bancos. Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, basta acessar o App Caixa, ir na opção “pegar emprestado”, ou entrar em contato com o atendimento digital pelo WhatsApp, no número 0800 104 0104. Também é possível concluir o processo diretamente em uma agência, caso o consumidor prefira.
Quais garantias podem ser usadas no contrato
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser utilizado pelo consumidor como uma garantia para o empréstimo consignado, o que reduz o risco dos bancos e permite juros mais baratos.
Na prática, quando ocorre a demissão, o desconto em folha deixa de existir devido ao fim do vínculo empregatício. O saldo devedor com o banco, no entanto, permanece.
Caso o FGTS seja colocado como garantia, o banco pode usar, automaticamente, até 10% do que o consumidor tem guardado. Primeiramente, no entanto, a dívida será quitada parcialmente com as verbas rescisórias, respeitando o limite legal de 35%.
O que é portabilidade de crédito e como fazer
A portabilidade é a possibilidade de o consumidor transferir um empréstimo ou financiamento contratado em uma instituição financeira para outra que ofereça melhores condições, principalmente juros menores.
Como cada instituição financeira possui custos e políticas de crédito diferentes, as taxas cobradas também variam.
Ao fazer a portabilidade para uma instituição com menor Custo Efetivo Total (CET), o consumidor pode reduzir o custo da dívida sem deixar de cumprir sua obrigação de pagamento.
Para fazer, o devedor deve solicitar, por meio físico ou eletrônico, à instituição para onde quer transferir a dívida a portabilidade de sua operação de crédito, inclusive de cheque especial ou de cartão de crédito, contratada com a instituição credora original.
Em seguida, a instituição proponente vai encaminhar a requisição de portabilidade à instituição original, com uma série de informações como:
- Taxa de juros anual, nominal e efetiva.
- Custo Efetivo Total (CET).
- Prazo da operação.
- Sistema de amortização.
- Valor das prestações.
O processo de portabilidade pode levar até sete dias úteis, caso as informações trocadas entre as instituições proponente e credora original possibilitem a transferência.
Quando vale a pena trocar pelo consignado privado
Trocar uma dívida pelo consignado privado depende do tipo de crédito contratado originalmente.
Existem modalidades em que os juros são muito altos — como cartão de crédito e cheque especial — e, nesses casos, a substituição costuma trazer maior economia.
Já em modalidades como financiamento imobiliário, os juros costumam ser bem mais baixos e dificilmente compensam essa troca.
Quem já tem consignado também pode avaliar a portabilidade. Se encontrar uma instituição que ofereça um Custo Efetivo Total (CET) menor, a troca pode reduzir o valor dos juros pagos.
No entanto, como o consignado já é uma modalidade de crédito com taxas relativamente baixas, a economia tende a ser menor do que a observada na substituição de dívidas como cartão de crédito ou cheque especial.
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