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Diagnóstico precoce é a chave para vencer o linfoma

Campanha reforça que, ao contrário de cânceres sólidos, linfomas podem evoluir rápido e não têm exames de rastreamento; reconhecer sinais ajuda no dia

Douglas Covre Stocco | 03/08/2026, 13:35 h | Atualizado em 03/08/2026, 13:35
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem Diagnóstico precoce é a chave para vencer o linfoma
Douglas Covre Stocco é médico hematologista |  Foto: Divulgação

O sucesso das grandes campanhas de conscientização sobre doenças no Brasil criaram no imaginário popular a ideia de que a realização de exames preventivos pode resguardar a saúde de forma integral. Outubro nos lembra da mamografia; novembro, do exame de próstata, setembro, da saúde mental. Criou-se no imaginário coletivo a ideia de que um bom check-up anual é um escudo capaz de flagrar qualquer enfermidade em seu estágio embrionário.

No entanto, quando entramos no universo da hematologia e da conscientização do Agosto Verde Claro, mês dedicado ao combate aos linfomas, o foco se torna outro. Conhecer os sintomas iniciais de um linfoma é o cuidado mais importante, pois eles podem facilitar a busca rápida por um especialista e o diagnóstico precoce, ponto central para desfechos positivos da doença, uma vez que não existem exames de rastreio para detecção de linfomas.

Esse dado é particularmente importante diante da escala de novos diagnósticos de linfomas no Brasil. Até 2028, o Inca estima que 15.500 novos casos surjam por ano no País. No Espírito Santo, a estimativa é de 300 novos diagnósticos anuais.

A razão para a ausência de rastreio para os linfomas não é a falta de tecnologia, mas a própria biologia. Cânceres sólidos, como os de mama ou próstata, costumam ter um crescimento lento e permanecem localizados por um período, o que permite que exames de imagem ou marcadores laboratoriais os identifiquem antes do aparecimento de qualquer sintoma.

Já os linfomas podem ser doenças de evolução rápida, que adoecem células do sangue, sem a formação de tumor. Um hemograma absolutamente normal feito hoje não é garantia de que, em 3 ou 4 meses, alterações graves não possam surgir. Nesse cenário, rastrear uma população saudável e assintomática para linfoma é uma estratégia ineficaz.

A estratégia principal passa do rastreio para o diagnóstico precoce. E ele depende de uma ferramenta que nenhuma máquina substitui: a escuta e o reconhecimento atento dos sinais do corpo.

O grande desafio clínico é que os sintomas do linfoma, em seus estágios iniciais, podem se confundir com os de infecções agudas. É comum que pacientes passem por consultas em prontos-socorros recebendo tratamentos para infecções passageiras antes que a suspeita do linfoma seja levantada, o que pode atrasar o diagnóstico.

O surgimento de sintomas como linfonodos aumentados (especialmente na região do pescoço, axilas e virilha), febre persistente, suores noturnos intensos, perda de peso injustificável, cansaço e vulnerabilidade a infecções serve de alerta.

O objetivo da campanha Agosto Verde Claro não é criar pânico ou estimular uma hipervigilância da saúde, mas relembrar a importância da atenção aos sinais do corpo e o diálogo transparente com o médico, que seguem sendo nossas armas mais poderosas.

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