Ligar à rede de esgoto: o passo final que ainda falta dar
Rede instalada não basta: sem a conexão do imóvel, esgoto segue indo para fossas e solo; no ES, levantamento aponta 46 mil imóveis ainda desconectados
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Existe uma etapa do saneamento básico que raramente aparece nas manchetes, mas que define se todo o investimento em infraestrutura realmente se transforma em saúde: a ligação do imóvel à rede coletora de esgoto.
O tema ganhou destaque recentemente com o debate público sobre como incentivar a conexão de imóveis já atendidos pela rede. É uma discussão bem-vinda, porque expõe um gargalo real do setor, ainda pouco discutido fora dos bastidores técnicos.
É comum acreditar que, depois da instalação da rede na rua, o problema já esteja resolvido. Mas a infraestrutura só cumpre seu papel quando o imóvel é conectado. Caso contrário, o esgoto continua sendo destinado à fossa, ao solo ou até à drenagem pluvial, comprometendo o meio ambiente e a saúde da população.
Segundo o Instituto Trata Brasil, mais de 191 mil internações por ano no País estão relacionadas à falta de saneamento adequado e parte relevante desse número está exatamente nos imóveis que têm rede disponível, mas ainda não estão conectados a ela. É esgoto que continua sendo lançado de forma inadequada, contaminando o solo, comprometendo poços e nascentes e colocando em risco a saúde de quem mora ao lado.
Levantamento interno indica que, somadas as cidades atendidas pela concessionária no Espírito Santo, cerca de 46 mil imóveis ainda não estão conectados à rede coletora já disponível. Isso significa que milhares de famílias poderiam contar imediatamente com coleta e tratamento de esgoto, sem necessidade de novas obras, apenas realizando a ligação do imóvel.
Na área comercial, lidamos todos os dias com as razões concretas por trás dessa lacuna. Um dado chama atenção: mesmo nos casos em que o morador sabe que a ligação à rede não tem custo, a conexão muitas vezes não acontece. Isso mostra que gratuidade, sozinha, não é suficiente. A decisão de conectar o imóvel pode esbarrar também na dúvida sobre como proceder.
É por isso que, na área comercial, temos investido em aproximação ativa: atendimento que vá até o morador, orientação passo a passo sobre o processo de ligação, e acompanhamento com prazo definido para quem já tem rede disponível na rua. É um trabalho de proximidade, não de imposição — e é esse tipo de solução, construída no dia a dia do atendimento, que tende a mover o indicador de forma consistente.
Tratamos a ligação à rede não como um detalhe técnico, mas como prioridade ambiental e social ao mesmo tempo. Cada nova ligação é uma família a menos exposta a doenças evitáveis, um curso d'água a menos recebendo esgoto sem tratamento, um investimento público que finalmente cumpre a função para a qual foi feito.
A universalização do saneamento não se mede apenas pelos quilômetros de rede implantados, mas pelo número de imóveis efetivamente conectados e utilizando essa estrutura de forma adequada.
Ligar o imóvel à rede é um gesto simples, mas decisivo. É ele que transforma infraestrutura em qualidade de vida, proteção ambiental e saúde pública.
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