Saúde e bem-estar: exames de rotina não garantem 100% de proteção
Especialistas alertam que exames têm limites, podem gerar falsos positivos e devem ser indicados conforme histórico, idade e estilo de vida
Quantas vezes você já deve ter escutado alguém dizendo: “Meus exames estão todos normais. Estou saudável”. Mas será que isso é totalmente verdade?
Estar sem sintomas e com exames de rotina normais, de acordo com a endocrinologista Maria Amélia Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado (SBEM-ES), é uma excelente notícia, mas não é uma garantia absoluta ou permanente de blindagem contra doenças.
Segundo a endocrinologista, quem pratica atividade física, dorme bem, se alimenta de forma equilibrada e não tem histórico de doenças na família, sem dúvida alguma, larga com uma enorme vantagem e tem um risco muito menor de desenvolver diversos problemas.
“Mas o nosso corpo não é estático. O processo de envelhecimento, o estresse acumulado e até flutuações hormonais naturais que ocorrem com o passar dos anos acontecem de forma silenciosa”, alerta.
A prevenção, ressalta Maria Amélia, é sempre o caminho “mais inteligente e econômico para o corpo e para a mente”.
“O objetivo de um check-up médico periódico e personalizado não é 'procurar doença', mas monitorar as tendências do organismo. Ele serve para calibrar o seu estilo de vida, identificar precocemente pequenas alterações, como o início de uma perda de massa óssea ou uma leve resistência à insulina, e agir antes que o problema se instale”.
A médica de família e comunidade Taynah Repsold alerta ainda que quando há pedidos de exames sem indicação, aumenta-se o risco de falsos positivos, que são resultados alterados em pessoas saudáveis.
“Isso gera uma cascata de novos exames, biópsias, ansiedade e até tratamentos desnecessários. Há também o sobrediagnóstico: encontramos uma alteração real, mas que nunca evoluiria para doença, e a pessoa passa a viver como doente sem precisar”.
A médica ressalta ainda pontos que, muitas vezes, não são entendidos pelos pacientes.
“Exames não previnem doenças. Eles têm outro papel: detectar doenças precocemente, quando indicado, aumentando as chances de tratamento eficaz e reduzindo complicações”.
Musculação e dieta
A professora aposentada Eliane Sá dos Santos descobriu, aos 50 anos, ao fazer um exame de rotina, estar pré-diabética. Ela diz que não deu “muita importância” e o quadro evoluiu para o diabetes.
Recentemente, ao fazer exames seu colesterol deu alterado. Ela, que tem 60 anos, vai a endocrinologista e nutricionista, resolveu agir diferente: faz dieta, musculação com o profissional de educação física Edvaldo Gomes, da Modelly, e iniciou uma suplementação. “Consegui reveter o quadro”, afirma.
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