O que se sabe sobre as cinco novas canetas para perder peso, liberadas pela Anvisa
Medicamentos para perder peso ainda terão preços definidos no País, e data para vendas depende de cada farmacêutica
Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana.
Os novos registros ampliam a concorrência no mercado brasileiro, que passa por uma expansão desde que a patente da molécula expirou, em março deste ano.
De acordo com a agência, foram registrados os medicamentos Owozy (Ávita Care), Seemasun (Sun Farmacêutica), Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed) e Orsema (Ranbaxy).
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A definição de preços será feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED ) e a data para vendas dependerá das farmacêuticas responsáveis. A venda requer retenção da receita na farmácia.
Os medicamentos são aprovados para tratamento do diabetes tipo 2, assim como o Ozempic – que também é a base de semaglutida. O uso para fim de emagrecimento é considerado off-label.
Apesar de ter o mesmo princípio ativo, apenas o Wegovy é aprovado pela Anvisa para tratamento de obesidade e sobrepeso.
O endocrinologista da Rede Meridional Daniel Bortolini Muller destacou que, até o vencimento da patente da semaglutida, em março deste ano, os medicamentos com essa molécula estavam concentrados em uma única empresa.
“Com mais fabricantes, podemos ter maior disponibilidade e concorrência, o que pode favorecer uma redução de preços e ampliar o acesso a um tratamento muito eficaz”.
O médico explicou, ainda, que a molécula dos novos medicamentos, a semaglutida, é a mesma do Wegovy e do Ozempic.
“A diferença é a forma de produção. Nos novos medicamentos, ela é produzida por síntese química. E no Ozempic e no Wegovy, por um processo biotecnológico”.
A endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado (SBEM-ES), Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, enfatizou que a aprovação de novos registros de semaglutida é um passo muito positivo para o tratamento da obesidade como doença crônica, mas o avanço depende diretamente de dois fatores: a redução real dos custos para os pacientes e a garantia de rigoroso controle de qualidade nas formulações.
“O Brasil enfrenta barreiras para que esses tratamentos cheguem a quem necessita. Sem a incorporação dessas medicações em políticas públicas de saúde ou em rol de coberturas obrigatórias, o acesso permanece restrito à população com maior poder aquisitivo”.
Medicamentos Injetáveis disponíveis no Brasil
1. Liraglutida
É um medicamento injetável diário indicado principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e para o controle crônico de peso. Age imitando o hormônio natural GLP-1, retardando o esvaziamento do estômago e estimulando a liberação de insulina de forma controlada. Teve a patente expirada no País em 2025.
Alguns medicamentos
Saxenda e Victoza
Ambos da Novo Nordisk. O Saxenda foi uma das primeiras canetas voltadas especificamente para obesidade aprovadas no País. Já a Victoza tem a mesma substância do Saxenda, mas com indicação para diabetes tipo 2.
Olire e Lirux
São os primeiros medicamentos nacionais à base de liraglutida, sendo da EMS. O Olire é indicado para tratamento de obesidade e sobrepeso com comorbidades; e Lirux, indicado para diabetes tipo 2.
2. Semaglutida
Assim como a Liraglutida, essa classe de medicamentos é análogo do hormônio GLP-1, que reduz o apetite, aumenta a saciedade e controla os níveis de glicose no sangue. A diferença é que ele é de aplicação semanal. A patente do medicamento expirou em março deste ano.
Alguns medicamentos
Ozempic e Wegovy
Ambos os medicamentos são biológicos, ou seja, produzidos a partir de organismos vivos, e da Novo Nordisk, que por anos teve a patente. O Ozempic é um dos medicamentos mais conhecidos atualmente. É indicado oficialmente para diabetes tipo 2, embora também seja amplamente utilizado para perda de peso. Já o Wegovy é a mesma molécula do Ozempic, mas com indicação específica para obesidade e sobrepeso associado a comorbidades.
Poviztra e Extensior
Parceria entre a Novo Nordisk e a Eurofarma, o Extensior é a medicação equivalente ao Ozempic, aprovada para diabetes tipo 2. Já o Poviztra é equivalente ao Wegovy, voltado para o tratamento de obesidade e sobrepeso.
Ozivy
Foi aprovado em maio pela Anvisa e já chegou ao mercado. O medicamento, da EMS, foi a primeira semaglutida sintética brasileira a ser aprovada.
Outras aprovadas esta semana
- Owozy – da Ávita Care.
- Seemasun – Sun Farmacêutica do Brasil.
- Zempneo – Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica.
- Semavy – Cosmed.
- Orsema – Ranbaxy Farmacêutica.
Por terem sido aprovadas agora, elas ainda não estão no mercado.
Semaglutida oral
Embora não seja caneta, o Rybelsus é a primeira versão oral (uso diário) da semaglutida aprovada no Brasil. Da Novo Nordisk, é indicado para diabetes tipo 2 e também auxilia na perda de peso.
3. Tirzepatida
Também é uma “caneta” injetável, de uso semanal, responsável por uma maior sensação de saciedade e controle glicêmico superior a outros medicamentos. Ele se diferencia dos outros por ser um “duplo” agonista, ou seja, imita a ação de dois hormônios intestinais: o GLP-1 e o GIP.
Medicamento aprovado
Mounjaro
Da Eli Lilly – que ainda tem a patente válida – chegou ao Brasil em maio do ano passado.
No Brasil, ele foi aprovado inicialmente para diabetes tipo 2 e recebeu indicação, pela Anvisa, para perda de peso, devido aos resultados expressivos de emagrecimento observados em estudos.
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