Retatrutida: novo remédio para obesidade faz pacientes perderem até 22,6% do peso
Medicamento triplo agonista da Eli Lilly mostrou perda média de até 25,3 kg em estudo de fase 3, mas ainda não foi aprovado por agências reguladoras
Depois da semaglutida e da tirzepatida, um novo medicamento desponta como a próxima aposta no tratamento da obesidade.
A retatrutida – que atua simultaneamente sobre três hormônios ligados ao controle da fome, da saciedade e do metabolismo – levou pacientes a perder até 22,6% do peso em estudos de fase 3.
A expectativa da farmacêutica Eli Lilly, que também fabrica o Mounjaro (tirzepatida), é submeter um Pedido de Licença de Produto Biológico para retatrutida à FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) no 1º trimestre de 2027.
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O estudo TRIUMPH-3 avaliou 1.949 adultos com obesidade grave e doença cardiovascular estabelecida, com ou sem diabetes tipo 2.
Após um ano e oito meses, participantes tratados com retatrutida perderam, em média, 23,9 kg, o equivalente a 21,6% do peso corporal, na dose de 9 mg e 25,3 kg (22,6%) na dose de 12 mg.
O grupo placebo apresentou redução média de 3,5 kg (3,2%).
Além da perda de peso, a dose de 12 mg foi associada à redução de diferentes fatores de risco cardiovascular.
Por ainda não ter sido aprovada em qualquer lugar por agências reguladoras, a retatrutida ainda é um medicamento em investigação e não pode ser comercializada.
Endocrinologista e pesquisadora do Cenders, Kássia Tavares Peçanha afirmou que a retatrutida é uma evolução no tratamento da obesidade.
“Sua principal diferença é que ela atua em três hormônios envolvidos na regulação do peso (GLP-1, GIP e glucagon), enquanto os medicamentos atualmente disponíveis atuam em um ou dois desses hormônios”.
Ela explicou que isso permite não apenas a redução do apetite e o aumento da saciedade, mas também um aumento do gasto energético, inclusive em repouso, o que potencializa a perda de peso.
A médica endocrinologista e delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) no Espírito Santo, Mariana Guerra, salientou que apesar dos resultados, a indicação será individualizada.
“Nem todos os pacientes precisam de muita potência. Essa é uma medicação que ajuda a controlar o diabetes e tratar obesidade, mas nem todos os pacientes precisam de perdas de peso tão expressivas”.
Ela também demonstrou preocupação com substâncias já sendo vendidas como retatrutida, ilegalmente. “É uma medicação que está em estudos de fase 3, justamente avaliando segurança. Não sabemos o que tem dentro dessa caneta ou ampola vendida como retatrutida”.
Saiba mais
Medicamento em fase de testes
Retatrutida
É um medicamento em fase avançada de testes clínicos (fase 3), desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. Ainda não está no mercado em lugar nenhum do mundo.
Ela é apontada como uma evolução das atuais canetas emagrecedoras (como o Ozempic e o Mounjaro).
Diferente de outros medicamentos já no mercado, que atuam simulando um ou dois hormônios produzidos pelo organismo, a retatrutida age como um “agonista” triplo.
Ou seja, ela simula a ação de três hormônios: GLP-1, GIP – já presentes nas outras canetas – além do Glucagon – que ajuda a aumentar o gasto energético e a queima de gordura.
Alguns resultados
O estudo TRIUMPH-3 avaliou 1.949 adultos com obesidade grave e doença cardiovascular estabelecida, com ou sem diabetes tipo 2.
Após um ano e oito meses, participantes tratados com retatrutida perderam, em média, 23,9 kg, o equivalente a 21,6% do peso corporal na dose de 9 mg e 25,3 kg (22,6%) na dose de 12 mg.
O grupo placebo apresentou redução média de 3,5 kg (3,2%).
Além da perda de peso, a dose de 12 mg foi associada à redução de diferentes fatores de risco cardiovascular.
Segundo a empresa, os participantes apresentaram diminuição média de triglicerídeos, colesterol ruim, pressão arterial, circunferência abdominal e da proteína C-reativa ultrassensível – marcador relacionado à inflamação.
Já o estudo TRIUMPH-2 incluiu 1.152 adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, uma população com maiores dificuldades para perder peso.
Na dose de 4 mg, os participantes perderam, em média, 13,5 kg, o equivalente a 12,7% do peso corporal.
Com 9 mg, a perda média foi de 20,6 kg (19,1%). Já a dose de 12 mg levou a uma redução média de 22,5 kg, correspondente a 20,8% do peso inicial. No grupo placebo, a perda foi de 4,2 kg (4%).
Além da redução de peso, houve melhora do controle do diabetes. A hemoglobina glicada, principal indicador do controle glicêmico nos últimos três meses, caiu em média 1,4 ponto percentual com 4 mg, 1,6 ponto com 9 mg e 1,5 ponto com 12 mg.
Efeitos colaterais
Entre os relatos, predominaram diarreia, náusea, constipação e diminuição do apetite.
Pedido para registro
A Eli Lilly informou que planeja submeter um Pedido de Licença de Produto Biológico para retatrutida à FDA (a Anvisa dos EUA) no 1º trimestre de 2027.
Depois, se aprovado e quando aprovado, é que a empresa deve seguir com pedidos de registros em outros países, como é o caso do Brasil.
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