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OLHARES COTIDIANOS

Ingresso para o show da Xuxa

Espetáculo em São Paulo reuniu público 40+ e virou debate sobre nostalgia, autonomia e preconceito contra a idade sem ponto final

Sátina Pimenta | 30/07/2026, 12:48 h | Atualizado em 30/07/2026, 12:48
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.


          Imagem ilustrativa da imagem Ingresso para o show da Xuxa
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária. |  Foto: Divulgação

O debate da semana foi: “O Último Voo da Nave”, novo espetáculo da Xuxa, que reuniu milhares de pessoas em São Paulo. A maioria delas? Adultos com mais de 40 anos, cantando “Cinco Patinhos”, “Ilariê”, “Lua de Cristal” e tantas outras músicas que marcaram uma geração.

Enquanto a internet discutia o assunto, eu fazia outra coisa: comprava meu ingresso para a apresentação de dezembro.

Mas o que me chamou atenção não foi o espetáculo. Foi a quantidade de pessoas incomodadas com a felicidade alheia.

Primeiro debate: a Xuxa não canta nada. Mas gente, ela nunca se intitulou cantora! Muito pelo contrário, ela abre o show falando isso.

E, sinceramente, acho que quem comprou ingresso nunca esperou assistir a um show de técnica vocal impecável. Quem vai ao show não busca apenas música. Busca memória.

Veja, reviver momentos da nossa vida faz parte de reconhecer como nos constituímos. Reviver experiências ligadas à infância não significa querer voltar a ser criança. Significa reconhecer que a criança que fomos continua fazendo parte de quem somos.

A memória afetiva não nos prende ao passado. Ela nos ajuda a compreender o presente.

Nós fazemos muito isso! E não só na terapia. Afinal, duvido que no seu fone de ouvido nunca tocou aquela música “das antigas” ou você nunca se empolgou dançando Balão Mágico em festa de formatura!

Depois veio a discussão sobre o dinheiro. “Como alguém paga esse valor para ver a Xuxa?” E eu me pergunto: em que momento esta escolha passou a precisar da aprovação de desconhecidos? O dinheiro é meu, o tempo é meu e as experiências que escolho viver também dizem respeito apenas a mim.

Precisamos aprender que respeitar a individualidade não significa apenas acolher sentimentos e emoções. Significa reconhecer a autonomia do outro para fazer escolhas que expressem seus valores, desejos e prioridades.

Há quem invista em viagens, tecnologia, vinis, restaurantes caros e quem escolha reviver um pedaço da infância em um espetáculo. Ponto!

O debate que mais me impactou: a idade da Xuxa e o que ela deve ou não deve, fazer, usar ou dizer tendo a mesma!

As críticas às roupas, às Paquitas, às músicas infantis e até à estética do espetáculo revelaram algo muito maior do que uma opinião sobre um show.

Revelaram o quanto ainda acreditamos que existe uma idade certa para ser, vestir, brincar, cantar ou sonhar. É disso que trata o etarismo.

O etarismo acontece sempre que criamos uma espécie de roteiro sobre como alguém deve se comportar apenas porque alcançou determinada idade.

Como se existisse uma caixa na qual todos precisassem caber. E quem não cabe é criticado. Esse tipo de julgamento não é inofensivo.

Quando uma pessoa percebe que precisa esconder partes de si para ser socialmente aceita, ela passa a viver menos de forma autêntica.

A liberdade vai dando lugar ao medo do julgamento, e isso impacta autoestima, pertencimento e bem-estar emocional.

A meu ver, o maior espetáculo da Xuxa nem está no palco. Talvez está na coragem de continuar sendo quem ela é, sem pedir licença para envelhecer do seu jeito.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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